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sábado, 25 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
A ETIMOLOGIA BÍBLICA DO TERMO ADORAÇÃO
(O que tem a Bíblia a nos dizer sobre culto)
A acepção encontrada nos dicionários traz por certo
que adora e cultuar são, de alguma forma, sinônimos. O Novo Dicionário Aurélio
– Século XXI, Edição Eletrônica, 1999, traz as seguintes definições: Adorar v.t. 1. render culto a
(divindade). 2. Amar extremosamente.
No mesmo dicionário, a definição de culto, é: Culto sm. 1. Adorar ou homenagear a divindade em
qualquer de suas formas e em qualquer religião. 2. Modo de exteriorizar o culto, ritual. 3. Veneração, preito. É claro que essas definições apenas mostram
que os termos se misturam e que se igualam a ideia do senso comum, “adorar a
Deus é prestar-lhe culto”. Entretanto os termos são mais complexos e exigem
maior reflexão.
No Novo Testamento uma das palavras
que foi traduzida por adorar significa render-se. O termo προσκυνεῖν e suas cognatas aparecem quase
60 vezes, sempre com o sentido de submissão. O termo, em sua etimologia, tem o
sentido de “beijar os pés” ou prostrar-se diante de alguém superior,
submeter-se, colocar-se a disposição de outro. Na LXX (versão grega do A.T.), o
termo προσκυνεῖν e suas variantes aparecem em quase 300 passagens, sempre na tradução de
vocábulos hebraico que também
transmitiam o mesmo conceito de submissão ou rendição.
Existem na Bíblia mais de 5 mil termos associados a
algum serviço religioso, culto ou celebração, com certeza sinalizando, dentre
outras coisas, a importância bíblica dada à temática culto/adoração. Isso mostra que os autores entendiam a
adoração em associações a outros termos que são válidos e imprescindíveis para
uma compreensão bíblica verdadeira. Em uma dessas associações terminológicas,
adorar está ligado ao servir ou serviço, (λατρείαν), que quando juntada ao vocábulo culto (vide
definições aurelianas acima) que vem do latim, cultus, dá sentido a comentar primeiramente o termo λειτουργίας, de que origina o vocábulo liturgia, antes de tratar
propriamente da λατρείαν
(serviço).
Composta de duas palavras gregas, “povo” (λαῶν) e “trabalho” (ἔργον), λειτουργίας, que significava originalmente pagar
sozinho as despesas de um trabalho público, cerimônia ou benfeitoria,
voluntariamente ou por obrigação. Passou do uso secular para o religioso, de
modo que os eruditos da LXX usaram cerca de 50 vezes o termo ou suas variantes
para traduzir os vocábulos hebraicos como עֲבוֹדָה (avodah) פָּלְחָן (polchan) ligados ao ministério sagrado dos sacerdotes
(Ex 38,19, Nm 4;24, I Cr 6;48) de aspergir
sangue na tenda e nos utensílios do Templo e o oferecimento diário de sacrifícios, “exercer o serviço” (λειτουργὸν) sacerdotal.
Entretanto a palavra liturgia, no contexto atual, traz
apenas a ideia de cerimônia ou organização cúltica, um cronograma religioso. Na
verdade o termo está destituído de seu verdadeiro sentido. No N.T. o apóstolo
Paulo usa naturalmente o termo λειτουργὸν para descrever-se
com ministro de Cristo, missionário aos gentios (Rm 15.16). Os líderes da igreja
de Antioquia adoravam (λειτουργούντων) ao
Senhor (At 13.2) por intermédio de oração, jejum e no ensino à
igreja. A ajuda aos carentes da igreja de Jerusalém é chamada de λειτουργίας (II
Co 9.12). O sacro ofício de Jesus
Cristo é um ministério superior (λειτουργίας) (Hb 8.6). É correto afirmar que os cristãos cumprem
uma “liturgia” quando trabalham pelo bem de seus irmãos, a exemplo de Cristo
(Jo 3;4 a 14). O N.T. mostra, em diversos textos, que adoração genuína é
“trabalhar” para Deus (At 13), consequentemente trabalhar para a Igreja.
Já o termo λατρείαν surge de λατρων (ordenado) no grego secular foi usado para indicar um trabalho
pago e, mais tarde, um trabalho não pago, ou escravo (em hebraico עָבַד – avad – ou δοῦλος em grego). Acrescentando ao conceito de adoração
a ideia de uma relação serviçal entre o homem e divindade. Esse termo,
reconhecido facilmente no vocábulo “idolatria” (serviço, devoção ou culto a um
ídolo), em Atos 7;42, foi utilizado para descrever a atitude de certos
israelitas rebeldes que cultuaram (λατρεύειν) anjos e
(presumidos) seres celestiais. Uma outra utilização é do apostolo Paulo que afirma
ser os demônios que dão realidade ao culto (λατρεύειν) a ídolos (I Co 10.20), e que Deus revela Sua ira contra todos os que idolatram a
criatura (Rm 1.25).
O termo também
é empregado em contextos positivos. Paulo utiliza-se de λατρείαν, “culto”, para a ideia de
serviço santo e agradável (Rm 12;1), vemos o termo ser usado na passagem onde a
profetisa Ana servia (λατρεύουσα) ao Senhor no Templo, numa adoração de jejuns e orações
(Lc 2.37), bem como em Hebreus 8;5,
9;9, 10;2, 13;10, se referindo ao
culto judaico no Templo. No evangelho segundo Mateus, Jesus, também usa o termo λατρείαν para responder ao
diabo (4;10) afirmando que somente Deus era digno desse serviço. Em Apocalipse,
o apóstolo João descreve uma multidão que serve ou adora a Deus (λατρεύουσιν) incessantemente
(Ap 7;15). A λειτουργίας [1],
em que Jesus se ofereceu foi para que os
adoradores tivessem consciências limpas para poder servir (λατρεύειν) ao
Deus vivo (Hb 9;14).
No V.T.
especialmente em Êxodo, Deuteronômio, Josué e Juízes o termo foi empregado com freqüência (90 vezes) na LXX sempre
com a ideia de cultuar e de adorar a Deus
(Ex 4;23, 8;1,20, 9;1, Ez 20;32, etc).
Outro conceito utilizado no grego
bíblico, vinculado ao assunto é o σεβείας (reverenciar). O vocábulo consta em 25
passagens e no original transmite a ideia de um homem religioso devotado a seus
deuses que faz tudo para evita o azar,
identificado com desfavorecimento ou castigo da parte de um deus (At 17). É a
obediência a divindade pelo temor, respeito pela sua autoridade.
Mateus e Marcos citam a versão
grega (LXX) de
Isaías 29;13: “Em vão me adoram (σέβονταί), ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt 15;9; Mc
7;7). Em Romanos 1;25, aparecem
paralelamente os termos ἐσεβάσθησαν e ἐλάτρευσαν para apontar a religiosidade dos pagãos,
“adorando e servindo a criatura, em lugar do
Criador”. No evangelho segundo
João, lê-se; Deus não atende a pecadores, mas pelo contrário se alguém teme a
Deus (θεοσεβὴς) e pratica sua vontade, a este atende (Jo 9;31).
No
VT, o termo aparece mais 4 vezes, todas na LXX. Em Ex 18;21, Jetro sugere a
escolha de lideres, tementes a Deus (no texto a ideia é associada a homens que,
também, não sejam corruptos), para julgar as causas mais simples do povo e
ajudar Moisés na direção da nação. O termo também é utilizado para descrever a
fidelidade de Jó (Jó 1;1,8 e 2;3).
A negação ou a falta de
reverência, ἀσέβειαν aparece cerca de 70 vezes para
traduzir termos com פֶּשַׁע (pesha) ou רֶשַׁע (resha) ou תֹּעֵבָה תּוֹעֵבָה (toevah) – impiedade,
irreverência, maldade ou culpa por desobediência . O termo é posto lado a lado
com injustiça (Rm 1;18). Já em II Tm 3;12, outra variante é usada,
nesse caso para descreve um grupo disposto a viver reverentemente ou
piedosamente (εὐσεβῶς) em Cristo Jesus, mesmo sendo
perseguidos.
Ainda teríamos o termo θρησκείας, que só
aparece seis vezes no N.T. (At 26;5, CI
2;18,23, Tg 1;26,27) e pode sempre ser entendido como religião ou
religiosidade, embora tenha sido usado o termo adoração,
na tradução de Colossenses 2;18, para descrever o ato religioso de reverenciar
a anjos. Não há grande diferença entre o sentido deste vocábulo e o
de λατρείαν, sendo que ambos tratam do
culto oferecido a divindade na sua
expressão externa. O termo (θρησκείας) nesses textos
trata da observação da adoração na vida prática, no dia-a-dia: controlar
a língua, cuidar dos órfãos e das viúvas em suas tribulações, etc.
De fato, as ideias associadas aos termos adoração e
culto, estão mais ligadas ao estado em que adorador se apresenta a Deus do que
onde e quando ele apresenta ao Senhor. Embora no vernáculo os termos adoração,
culto, liturgia, serviço religioso, reverência e religião, acabaram se
misturando e no senso comum eles são considerados sinônimos, é correto afirmar
que a cerne da ideia religiosa de reverência cúltica biblicamente estabelecida
(lê-se adoração bíblica) é apropriadamente ligada a uma relação de escravo e
senhor, essa relação é bastante significativa para definir a adoração que
devemos prestar a Deus. Submissão e serventia são as definições mais acertadas
para a adoração.
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