domingo, 3 de abril de 2016

O Cristão e as Tatuagens


Algumas palavras introdutórias:
Inicialmente comecei a escrever um roteiro para um rápido vídeo em que pretendia responder as indagações de amigos que pedindo explicações, insistiram em respostas mais formais sobre tatuagens. Foi daí que veio esse ‘pequeno’ artigo.

O tema é batido, muita gente boa já comentou. Eu nos últimos 4 anos já respondi essa mesma pergunta uma meia-dúzia de vezes. Quase tudo que escrevi são convicções antigas. O tema é recorrente para mim desde o início da adolescência, quando integrante de uma banda de rock, pensei em me tatuar – desejo não concretizado por detalhes, pelo menos inicialmente. Desde então revisei alguns conceitos que progrediram e se estabeleceram mais firmes. São eles que esboço.

Embora seja mais comum o questionamento sobre “o cristão e as tatuagens”, abordarei a temática mais ampla das modificações corporais. Isto é, basicamente, tratarei tudo como uma coisa só; os argumentos serão necessariamente intercambiáveis, valendo para as diversas modalidades dessa prática, seja tatuagens, piercings, brandings, escarificações, implantes, alargadores, fendas, amputações e etc. – se der tempo, ainda falo algo sobre cirurgias plásticas e de outros procedimentos estéticos menos invasivos.




É ou não pecado fazer uma tatuagem? O que a Bíblia diz sobre isso?
Será que há orientações Escriturísticas?


Não ignoro que isso mexa com detalhes subjetivos, conceitos culturais e tabus. Boa parte da argumentação está ligada a preconceitos, tradições e aparência física, nada mais. Mas a Bíblia tratar desse tema – sem dúvida a Palavra de Deus trata de todos os aspectos relativos à vida humana. E claro, tudo que contraria diretamente uma ordem divina[1] é pecado e deve ser evitado! Não obstante, antes de olhar textos bíblicos especificamente, vou analisar outros detalhes relacionáveis ao tema, afinal há coisas que não estão estampadas nos Textos Sagrados, mas que devem ser tratadas em associações a estes, bem interpretadas, sob pena de orientações erráticas.

Marcando o começo:
É preciso considerar os motivos para essas modificações: por que pintar parte do corpo? Por que fazer um desenho ou uma marca na pele? Estética, sensualidade, identificação com grupos? Ficar mais bonito ou chocar o senso comum? Por detrás das razões pode não haver mais que idolatria, que é pecado, seja do sexo – se tornar mais sensual – ou do grupo de doidões que marcam o próprio corpo a “ferro em brasas” para mostrar como são machos!

Talvez seja apenas rebeldia, que também é pecado: quanto do desejo de ‘ter uma tatuagem’ é apenas fetiche revolucionário? Ou quem sabe apenas atender à moda pós-moderna? Quanto não passa de pura “birra da adolescência” que, muitas vezes, já devia ter passado a décadas? Quanto é só para provar algo a si mesmo ou a outros? Nada além de egolatria! Outro pecado.

Bem pode ser algo essencialmente cúltico, religioso ou transcendental: apenas a busca pelo equilíbrio ou paz de espírito; pode ser para lembrar de um fato importante na vida; comunicar uma ideia ou suscitar questionamentos; talvez até louvor, até cristão: tatuar um verso ou frase bíblica, por exemplo. Mas uma afirmação ou declaração de fé sadia é mesmo válida se feita desse modo tão diverso? A mistura desses aspectos culturais com a religiosidade cristã é vantajosa? Há clareza nessas formas? A possível confusão trazida por esses elementos diferentes (cultura popular e cristianismo) é superável?

O eventual mal testemunho já não é um bom indicativo sobre a posição cristã? Essas marcas ligadas, muitas vezes, a práticas pecaminosas, drogas, prostituição, homossexualismo, etc., ainda são encaradas pela sociedade, de uma forma geral, como algo ruim, criminal e violento. E mais, tais modificações estão inegavelmente associadas as ritualísticas pagãs, ocultismo, e até associação direta com o diabo.

Boa parte dos desenhos é a-cristã quando não diretamente anticristã! Muitas vezes são ofensivos e obtusos, outra tantas, abstratos, disformes, ilógicos, subjetivistas apontando para uma irracionalidade, tão marca dos nossos dias, profundamente contrária à perspectiva de um Deus que também se revela na ordem das coisas criadas, desde a fundação do mundo.

Ora, se nem a observância de sinais externos, biblicamente prescritos para o povo de Deus, tem sua continuidade para a igreja neotestamentária, como justificar a feitura de “tatuagens de louvor ou adoração” na igreja hodierna? Não seria assimilar o mundo, trazer ‘fogo estranho’ para o culto, fazer aquilo que Deus não mandou? Há como encontrar espaço para essas invencionices da modernidade naquilo que Deus ordenou especificamente ao seu povo? É possível desenvolver a nossa salvação através de uma “linguagem” tão mundana?

Afinal essas modificações, em especial os implantes, alargadores, fendas e amputações, as escarificações, servem, no mais das vezes, para falsear, perverter ou fugir da figura humana; tornar-se mais parecido com animais ou com algum ser mítico inventado por superstições, literatura ou outra mídia da cultura popular. Tudo só afastando ainda mais a humanidade, coroa da Criação, da imagem e semelhança divina que é!

Enfim, se não é uma franca desobediência a alguma ordem de Deus, a ideia de alteração fisionômica pode ser apenas desconsiderar a opinião do Criador sobre a forma externa de suas criaturas. Não dar ouvidos ao que Ele diz! E isso é (ou deveria ser) algo realmente impossível para aqueles que são suas ovelhas

É mais que brincadeira:
Outro aspecto importante a ser considerado é que embora algumas dessas modificações corporais sejam simples, executadas com anestesia local em ambiente controlado, a rigor, todas são procedimentos cirúrgicos. Se até mesmo a tatuagem envolve um trauma significativo na pele, que dizer de fender a língua ou os lábios?

Parece certo dizer que cada um desses procedimentos é em si uma agressão. Infecções e doenças associadas são riscos constante. Além, é claro, da inutilização ou perda significativa de função de algum membro ou parte do corpo. Tatuagens podem esconder melanomas ou causar linfomas, fora o contágio – limitadíssimo, é bem verdade, e quase (com ênfase no “quase”) impossível – da Aids ou Epatite.

Piercings, alargadores ou implantes podem gerar reações alérgicas e rejeições severas, inclusive paralisias ou insensibilidades – mesmo que sejam feitos de materiais cirúrgicos. Há casos de apodrecimento da carne em volta desses implantes. Branding e escarificações trazem, sem nenhuma diminuição, todos os riscos de incidentes com queimaduras e lacerações na pele!

Claro que a amputação de membros ou partes do corpo podem estar numa categoria elevada de distúrbios psicológicos – para falar pouco: a dismorfia[2] não seria apenas pecado mas também uma doença séria e perigosa – mas é realmente possível considerar a alteração de uma morfologia saudável, funcional, através de procedimentos doloridos e arriscados, questões meramente estéticas?

Por que atentar de modo tão direto contra a saúde? Por que desconsiderar o risco à vida? Comprometer a saúde ativamente é pecado! Que sanha é essa de ser diferente? Aparência é mesmo um motivo válido? Inda mais sabendo que aquilo que hoje é considerado belo, pode muito bem, na estação seguinte, ser tratado como feio, ridículo, ultrapassado! Assumir esses riscos, por algo tão transitório, razões tão frívolas, é tolice! Ceder a isso acertadamente é associável ao pecado, já apenas pelos perigos envolvido.

Um sinal mais forte:
É possível que para cada um desses argumentos e indagações se tenha uma proposta alternativa viável que, se não todos, permitem ou justificam alguns dos procedimentos. Talvez a variação cultural e a origem familiar ou mesmo a ocorrência anterior de alguma alteração dê, pelo menos em tese única, a algum individuo (ou situações[3]) boa réplica ao que foi colocado até aqui. Daí a necessidade de uma abordagem estritamente escriturística.

Em Lv 19;28 – trecho comumente usado para tratar desta questão – lemos: “Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o SENHOR!” (ARA) A forma como os especialistas traduziram essa passagem, impõe a distinção de duas assertivas: A) não se autoflagelar por luto; B) não fazer algum tipo de marca no corpo.

Em certas versões/traduções, entretanto, o uso apenas da vírgula separando as orações ou uma construção frasal diversa, enseja a continuidade e/ou submissão dessas afirmações ao mesmo tema: honraria aos mortos, ritual fúnebre ou luto.

É bem verdade que se a proibição for apenas da autoflagelação/marcação por luto, esse verso, pouco teria a nos dizer em associação às mudanças fisionômicas de um modo mais amplo. Exceto, claro, para as tatuagens, desenho ou nome, ou modificações quaisquer por causa de parente (amigos) mortos – ou animal de estimação morto – coisas claramente vetadas, neste verso, ao cristão.

Muito mais que traços:
Ocorre que na assertiva (A), primeira frase do verso 28, o termo importante para o assunto é שֶׂרֶט (seret ou seh'-ret), que segundo o dicionário Strong, significa incisão (golpe ou talho) e foi traduzido por ferir. Já na assertiva (B), o termo hebraico traduzido por marca é קַעֲקַע (qa`aqa`ou kah-ak-ah') e aparece uma única vez em todo o texto bíblico. E também, significa, segundo o dicionário Strong, incisão ou corte.

Observe que os termos de (A) e (B) têm significado parecido. Mas na assertiva (A), a ferida é auto infligida – até só por mero consentimento – com a intensão da flagelação, do suplício, tanto para simbolizar o luto ou tristeza pela perda (morte), quanto para produzir este efeito, dor tipificada, comoção. Na assertiva (B), não consta nenhum complemento.

Olhando comparativamente a LXX (a antiga tradução do V.T. para o grego, septuaginta) o mesmo termo da assertiva (B), foi traduzindo por στικτa (stikta), provavelmente mancha/marca. De modo igual na vulgata (uma antiga versão bíblica em latim) encontramos ‘stigmata’ que significa marca/sinal. Dando amplo suporte para traduzir o termo por impressão (algum tipo de desenho aplicado na pele) ou tatuagem. Tanto que na Nova Versão Internacional, dentre outras traduções, consta: “...nem tatuagem em si mesmos”.

E bom notar que a assertiva (B), parece estar vinculada a algum tipo de culto (louvor, deferência ou ritualística)[4]: como que por sobre si (na pele) o nome do deus a quem serve. A punição de marcar os condenados, desertores ou escravos fujões recapturados com ferro em brasas bem pode estar relacionado esta ocorrência[5]. Também é possível que tal prática tenha relação com termos de posse (identificado visualmente na pele): marcar com o nome ou insígnia do senhor, dono de escravos (também de soldados) – como ainda se faz, comumente, com o gado.

Provavelmente era a ideia na mente do apóstolo Paulo, quando em Gálatas 6;17, disse: “...marcas[6] do Senhor Jesus”– prova de seu dom apostólico, seleção para o ministério; ou quando o profeta Isaías no capítulo 44;5 fala: “...outro ainda escreverá na (ou com a[7]) própria mão: Eu sou do SENHOR” – uma demonstração figurativa do prazer do povo em pertencer a Deus; eles estariam (como que escravos ou posse) se identificando alegremente como ‘do Senhor’. Outro possível uso dessa figura pode ser visto em Apocalipse 13. No v.16 lemos: “A todos... seja dada certa marca[8] sobre a mão direita ou sobre a fronte” – dispensa comentários.[9]

Mas o mesmo termo grego usado por Paulo para descrever as marcas de Cristo (Gl 6;17), aparece na versão grega (LXX) de Cantares 1;11 para traduzir do hebraico a ideia de ‘incrustações’, um enfeite. Mostrando que o termo em si tem ligação diretas com o visual, a símbolo/marca, seja para castigo, deferência ou estética. O conceito que foi traduzido por marca/tatuagem, assertiva (B), não impõe nenhum limite de significado a prática de se marcar; etimologicamente é apenas isso: marca, símbolo, desenho.

Ficando assim definido, sem sombra de dúvidas, que há no verso 28 duas proibições: (A)machucar-se – indubitavelmente – pelos mortos (nos diz o complemento verbal); e (B),marcar-se ou machucar/incidir algo no corpo (pele), com o objetivo de produzir um desenho ou alteração corporal, um distintivo do natural para diversos fins. Não havendo uma especificação das razões desses procedimentos na assertiva (B), o caráter geral da proibição fica ressaltado. Lembrando que a separação da Bíblia em versos não faz parte dos originais, mitigando últimas dúvidas sobre a obrigatoriedade de um tema único no verso.

Os versos próximos só confirmam essa hipótese: vemos no verso 26 a proibição de comer carne com sangue, agourar (lançar pragas) e fazer adivinhações; já no 29 vemos sobre a proibição da prostituição (especialmente como um negócio de família, não obstante todo tipo de prostituição seja condenável). O verso 19 fala contra a criação de animais híbridos, ou a plantação de duas espécies de sementes diferentes juntas. O verso 28 proíbe um tipo específico de corte de cabelo (imitar o costume local ou escalpelar), e uma possível tradução para a proibição da “danificar as extremidades da barba” é fazer cortes no queixo.

Ele falou desde os antigos:
Desde de Gênesis há a clara noção que o visual é importante no mundo pós-queda, ao ponto de Deus mesmo fazer roupas para cobrir a nudez de Adão e Eva, ou que ao condenar Cain, Deus lhe tenha posto um sinal (provavelmente uma marca ou desfiguração). Não ignore a conexão dessa verdade para o esboço, pois os fatores espirituais não impedem um valor real e prático desses casos.

Embora a roupa servisse para tipificar a justiça imputada por Deus ao homem – mais um anúncio do Evangelho – e a nudez (pós-queda) demonstra a inaptidão humana diante do Senhor, as roupas servem para cobrir e estar nu tanto é pecado, quanto é veexatório. E até hoje é um comando divino para seu povo, mesmo para os que já foram libertados do império do Pecado. Cain foi marcado para sua lembrança do castigo, e havia uma mensagem nesse sinal tanto para o anúncio público de sua sentença quanto um aviso da justiça divina, justiça exclusiva. Talvez seja até a ligação antropológica com a tatuagem!

No contexto mais próximo, os capítulos 17, 18 e 20 de Levíticos, uma série de práticas comuns associadas a rituais ou costumes daquela época, são diretamente proibidas pelo Senhor ao seu povo. Claramente para demonstrar a diferença requerida de Israel frente as outras nações (ver Lv 18;3). Assim era a circuncisão, as leis dietéticas, as relações sócias e comerciais do povo hebreu. E por que não a estética desse povo? Essa diferenciação visual (ou visível) dos filhos de Deus é fato em toda a Bíblia.

Outros exemplos podem ser vistos quando os castrados são impedidos ministrar diante de Deus. Ou do sacerdote não poder ter partes do corpo danificadas e nem se casar com viúvas ou divorciadas. Lepra, diversas doenças de pele, impediam o convívio no arraial de Israel. O cordeiro pascoal ou o animal para o sacrifício tinha que ser perfeito e sem manchas! Até a conduta da esposa e o testemunho dos filhos de um presbítero ou diácono e sua boa fama para com os de fora, deve ser levada em conta.

Nos Dez mandamentos vemos a proibição de imagens (figuras ou ídolos) para o culto; o sacerdote usava roupas especiais; havia um incenso específico e exclusivo para o holocausto. Fogo estranho no santuário era punido com a morte. As pedras usadas no altar não podiam ser lavradas ou ajeitadas esteticamente nem para o encaixe melhor. O Tabernáculo e depois o Templo, seus utensílios, medidas, foram detalhadamente descritos e deviam ser precisamente seguidos. Paulo fala do uso do véu para as mulheres e comenta da barba e do cabelo dos homens; as vestes brancas são figuras da santidade do novo nascimento e a ligação com Cristo nos é dado (meio de Graça) no pão e no cálice na comunhão, separados dos tipos comuns, mas que são também espirituais.

Deste modo fica aqui – en passant – vencida a eventual objeção quanto a continuidade dessas leis do Velho Testamento para a Igreja na Nova Aliança. Em outros termos, essas orientações, em princípios, devem ser entendidas como um alerta – uma ordem! – contra a secularização ou assimilação cultural: não é para tomar a forma do mundo (Rm 12;2)! É exatamente o que quer dizer ser santo ou povo de propriedade exclusiva de Deus. Óbvio, o contrário disto será inegavelmente pecado.

Cirurgias plásticas, procedimentos menos invasivos e cosmética:
As cirurgias plásticas corretivas, mesmo que só para corrigir problemas estéticos: cicatrizes, manchas, diminuir o nariz, ajeitar as orelhas, reduzir as rugas, retirar o excesso de pele ou ect., obviamente não se enquadram em nada do que disse aqui. Até porque esses procedimentos não visam mudar a estética corporal e sim compatibilizar certas características ao padrão funcional, muitas vezes, principalmente por estética, com implicações à saúde.

O exagero disto bem pode ser associável ao artigo. Buscar se parecer com uma celebridade é loucura, idolatria, pecado! O culto a aparência, seja através do vestuário, dos acessórios, do cabelo, do carro zero, da academia ou das plásticas, incide praticamente em tudo o que foi condenado aqui.

Na verdade, a ideia de que funcionalidade e beleza não caminham juntas é um erro da mente pós-moderna. A Beleza é objetiva, certa, útil, mas o que estão chamando de beleza ultimamente é tudo menos Belo. Assim qualquer procedimento que visa (não necessariamente que consiga...) manter ou realçar a beleza, é válido, desde que não invada os pontos abordados acima, não se torne um fim em si mesmo, e não obstaculize a devoções e piedade cristã.

3 Argumentos simples e rápidos contra as alterações corporais:
1) A continuidade entre o velho e o novo testamente: a Bíblia toda e toda Bíblia. Não existe essa separação entre Lei e Graça! O que foi dito e não foi formalmente abolido no Novo Testamento, ainda tem seu valor. De algumas coisas ficaram apenas os princípios, vivemos milhares de anos, em cultura distintas, seria irracional esperar que só o que está termo a termo escrito é que vale ou caiu.

2) O princípio regulador do culto: Não invente, apenas obedeça. O culto ao Senhor é totalmente limitado em cada detalhe pelo que diz a Palavra. Não há o elemento cúltico “tatuagem de louvor”. “Mas a vida do cristão é um culto!” diriam. – então comece a repensar o modo como você vive. Acrescente a seriedade dos elementos prescritos para o culto ao seu dia a dia e não o contrário! Faça da sua semana, em casa ou no trabalho, no trânsito, na escolha da roupa, no corte de cabelo, no linguajar ou em qualquer outra coisa, tão somente o que Ele disse para fazer; leve para a sua vida a santidade de Deus ao invés de levar o mundanismo para o culto.

3) A opção pela simplicidade: De fato nosso corpo – dos eleitos e só deles – é templo do Espírito Santo e deveríamos cuidar dele como quem cuida da casa de Deus. Isso incluía uma boa alimentação, exercícios físicos, consultas regulares aos médicos, tomar os remédios (somente) prescritos e etc., bem como usá-lo de modo adequado e honroso. E a estética? Bom, deixar o corpo mais bonito de verdade será mantê-lo o mais próximo do projeto original (não do seu projeto original, no dia do seu nascimento, mas daquele que foi lá no Éden criado; boa ‘sorte’ em tentar ser igual a Adão e Eva). Faça já o que é possível e pare de ficar dando voltas para justificar modismos.

E agora?!
Lamento que eu tenha demorado e você acabou de fazer uma alteração no seu corpo... é ‘ruim’ dizer isso, mas você pecou! Talvez você nunca tenha se preocupou com isso, talvez, nesse assunto, tudo sempre esteve em paz com você – e agora eu venho te perturbar. Talvez algum líder te ensinou que estava tudo bem. A culpa também é dele, mas você fez o que você quis! Admita seu erro, se arrependa.

Mas não é o fim do mundo. Ter uma tatuagem ou qualquer (qualquer mesmo) modificação corporal não vai te afastar ou impedir de se aproximar de Deus. Talvez o amor a elas te afaste; talvez a dureza em reconhecer o erro; talvez a falta de arrependimento. Mas certamente não a alteração em si! O sangue de Cristo promove a paz com Deus, cobrindo a feiura do nosso pecado, lavando a imundície da nossa injustiça. Marcas na pele ou qualquer outro pecado, não serão capazes de retirar você das poderosas mãos do Pai – se, claro você estiver lá.

Mas isso não libera quem fez ou quer fazer algum procedimento desses. A proposta de Cristo aos seus é sempre de ir e não pecar mais. A Graça não é barata, o Senhor os tirou das trevas para que andassem em clara luz, remindo o tempo, no procedimento conveniente aos santos. As coisas velhas ficaram para traz, mas se de fato morreram com Cristo para o mundo, como oferecerão seus membros para o pecado? Se morremos com Cristo, com ele também ressuscitamos e com ele reinamos sobre as obras da carne, do mundo e do diabo.

Veja prudentemente como anda, os dias são maus, e o inimigo como um leão ruge em volta, se possível ele enganaria até os eleitos, pois muitas vezes ele vem como anjo de luz, e aparência de cordeiro, mas a sua voz é sempre de dragão, a antiga serpente, que Cristo, nosso Senhor já, lá na Cruz, esmagando a cabeça, expondo a humilhação pública, rasgando as dívidas que pesava contra nós. Assim habite em você o que é concernente aos filhos de Deus, e não em profanações, pensamentos vazios e coisas corruptíveis. Que a sua beleza seja o procedimento santo, e não aquilo que se coloca sobre o corpo.

Minha sugestão prática é que se você fez uma tatuagem ou alteração no corpo e tem como desfazê-la, faça isso. Se não, deixe para lá, que sua vida de devoção fale mais alto que sua aparência. A Graça do Evangelho nos inclui no corpo de Cristo, e dele ninguém nos tira.

Fique tranquilo, atualmente só há 2 ofícios na Igreja e a participação deles é limitada apenas naquilo que está prescrito na Santa Palavra, não ter tatuagens e outras modificações corporais não estão nesta lista[10]!

Enfrentando algumas objeções:
Misturou tudo: é bem verdade que tatuagens e piercings são muito mais comuns e até já aceitos socialmente, e que as outras alterações são mais perigosas e estranhas, mas se os argumentos valem para todas, então, tratá-las conjuntamente é antes de tudo economia de tempo.

Mas já é bem mais aceitável socialmente: divórcio/adultério, homossexualidade, aborto também, mas nenhum deste é menos pecado hoje do que quando lá em levítico foram condenados por Deus.

Isso é uma questão de gosto: Eu gosto de tatuagens, acho lindas, tanto em homens quanto em mulheres (guardadas as devidas proporções). Como disse, não me tatuei por pouco e na época, eu não era um doidão – neto de crente, filho de crente, frequente e ativo na igreja, certo da minha conversão. Não é gosto, é obediência.

Você pensa assim por imposição cultural: de fato o cristianismo é uma ‘cultura’, e milenar, mas também ela é mais que isso, cristianismo é a cosmovisão bíblica! Se você é cristão deveria viver segundo a concepção da Palavra de Deus, não a partir de ditames sociais quaisquer.

Um monte de coisa que faz mais mal que uma tatuagem e você não acha que é pecado I: Isso é bem verdade. Mas lembre-se que não é o que entre no homem que contamina, mas o que sai, sai e controla as práticas, gostos, decisões. O exterior reflete o interior.

Um monte de coisa que faz mais mal que uma tatuagem e você não acha que é pecado II: Eu sou incapaz de saber efetivamente o que é ou não pecado. Eu preciso que a Bíblia me diga. Sei que comer e beber muito é pecado, sei que adultério, mentira e um monte de outras coisas são pecados porque Deus diz que é. Pecado não tem essencialmente a ver com o que faz ou não mal, mas com aquilo que Deus falou.

Você não pode dizer isso porque vai afastar as pessoas da Igreja I: se alguém deixar de frequentar a igreja por ler ou ouvir minhas considerações bíblicas, esse nunca foi da Igreja mesmo, tanto é bom para nós (Igreja) que ele vá embora, quanto, em termos (pelo menos nessa vida), para este será melhor se apartar da igreja. Sugiro a leitura do artigo:http://acruzonline.blogspot.com.br/...

Você não pode dizer isso porque vai afastar as pessoas da Igreja II: O Evangelho é uma contradição com o jeito caótico do mundo sem Deus. Eu seria culpado do sangue deles se ao invés de dizer o que creio ser certo, falasse aquilo que os homens querem ouvir.

Você não pode dizer isso porque vai afastar as pessoas da Igreja III: O homem natural não quer e não pode querer as coisas de Deus. Seus pensamentos são continuadamente maus e seu coração ama os prazeres e não ao Senhor.

Mas isso tem servido aos propósitos de Deus: Judas também, nem por isso ele era inocente.

Muitas pessoas já se converteram por conta disso I: triste, era bom que eles tivessem se convertido por causa da Palavra da Verdade.

Muitas pessoas já se converteram por conta disso II: triste, o seu procedimento não tem sido tão claro ao ponto de que sem esses apoios exteriores não há como saber quem você é.

Tanta gente indo para o inferno é você tratando de tatuagens I: muita gente também ia para o inferno quanto Jesus resolveu falar sobre juramentos (Mateus 5;33 a 37), ou quando Paulo falou sobre o respeito aos governantes.

Tanta gente indo para o inferno é você tratando de tatuagens II: O mandamento de Jesus, a grande Comissão (Mateus 28;18 a 20), é para que se ensine tudo (e não só uma parte) que ele ensinou aos discípulos.

O pastor, bispo, apóstolo, missionário, mestre, doutor, conferencista internacional, campeão de boxe universitário, ungidão, que já converteu milhões para Jesus, disse que não tem problema: a única coisa que deve constranger a consciência do cristão é o que está no Texto Sagrado.
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[1] Essas ordens estão reveladas e preservadas nos 66 livros da Bíblia, VT e NT.
[2] Um distúrbio ou transtorno psicológico caracterizado por uma insatisfação profunda, obsessiva e desproporcional com a aparência física. Em alguns casos a pessoa que sofre desse problema tenta amputar seus membros mesmo saudáveis e funcionais.
[3] Talvez, por exemplo, encaixe aqui os brincos colocados em meninas quando bebês. Em termos uma perfuração – virtualmente sem riscos – nas orelhinhas da recém-nascida por pura estética. No meu modo de pensar, quase desimportante para a esboço, mas que pode ser (e é! Faria questão se tivesse uma filha) justificada diante do exposto até aqui pelo apregoar da identidade de gênero já nas mais tenras idades, meninas são meninas – ponham brincos e comprem roupinhas rosas para suas filhas!
[4] Neste sentido é possível uma ligação também com o ritual fúnebre mas não de modo exclusivo que cesse as implicações para o todo do presente esboço.
[5] Talvez isso explique a associação moderna das tatuagens com a rebeldia: escravos fugidos, desertores, condenados que marginalizados logo viravam criminosos possuíam essas marcas.
[6] O termo grego nesta passagem traduzido por marca é stigma, possivelmente da mesma raiz do termo presente na LXX em Lv 19;28, que interessantemente também foi traduzido na Vulgata por stigmata. É possível que o apóstolo Paulo aludisse as marcas físicas – sociais ou morais – deixadas pelas agressões sofridas por amor ao Nome, numa vinculação deste costume de marcar o escravo ou animal. Como quem exibe as cicatrizes de guerra ou as insígnias do exército em que serviu.
[7] Algumas versões trazem essa tradução “... com a própria mão”, o que desfaria a ligação, mas por ser uma construção usada na ARA (a versão/tradução de uso), serve – e me obriga a – de apontamento aqui.
[8] No grego χαραγμα charagma (característica). Aparece em antigos textos gregos para nominar as inscrições feitas com ferro em brasa em condenados ou escravos.
[9] Obviamente a existência destas passagens, ora positivas, Isaías e Paulo, ora negativas, a marca da besta de Apocalipse, não permitem e nem proíbem uso de tais alterações, servem aqui apenas para demonstram a amplitude do significado desse termo e seu uso nas Escrituras.
[10] Leia 1Tm 3:1 a 13 e Tt 1:6-9.

2 comentários:

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  2. Não vejo nenhuma outra disposição interior que leve uma pessa a aceitar uma tatuagem em seu corpo que não seja autolatria.

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É sua vez de dizer alguma coisa! Será bom te ouvir (ou ler), mas lembre-se da boa educação.