Mostrando postagens com marcador Pastoral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pastoral. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de abril de 2025

A Validade do Batismo Cristão

Eu acredito que o batismo, como sacramento instituído por Cristo, é um sinal visível da Graça de Deus, selando a promessa do Evangelho aos crentes e seus filhos. Na minha visão, fundamentada na teologia reformada, para que o batismo seja válido, quatro elementos são essenciais:  

  1. o rito deve ser o correto,  
  2. o ministrante precisa ser oficial,  
  3. a promessa deve ser a bíblica e  
  4. a instituição precisa ser a verdadeira.

1. O Rito Deve Ser o Correto: Eu creio que o batismo deve seguir o mandamento de Cristo em *Mateus 28:19*:_“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.”_ Para mim, o rito correto envolve o uso da água, e água somente, e a invocação da Trindade.  Entendo que a forma de aplicação — aspersão, efusão ou imersão — não é essencial, desde que a água seja usada de maneira ordenada; *sem superstição, sem misturas, sem abusos ou irreverentemente.* Como afirmado na *Confissão de Westminster (Cap. 28)*, “com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Se o rito omitir a água ou a fórmula trinitariana, *é inválido!* Pois desvia da instituição divina.


2. O Ministrante Precisa Ser Oficial: Eu defendo que o batismo deve ser administrado por um ministro ordenado, alguém devidamente chamado e autorizado pela Igreja. Veja que a *CFW (28.2)* aponta isso, pois afirma que os sacramentos devem ser “dispensados por um ministro do Evangelho, legalmente ordenado”. Para mim, essa exigência garante a obediência à Grande Comissão. Não creio que a eficácia do batismo dependa da piedade do ministrante, mas da promessa de Deus, como já ensinava Agostinho contra os donatistas. Assim, um batismo realizado por um ministro ordenado, mesmo em uma igreja com desvios doutrinários menores, é válido, desde que os outros elementos estejam presentes. No entanto, eu questiono batismos realizados por qualquer um que não seja reconhecido internamente como ministro.


3. A Promessa Precisa Ser a Bíblica:  O batismo é um sinal e selo da promessa do Evangelho, da justificação pela fé, da regeneração pelo Espírito Santo e da inclusão na aliança de Deus (*Rm 6:3-4; Gl 3:27*). Para mim, a validade do batismo depende de sua conexão com a promessa correta, que é a salvação pela Graça mediante a fé em Cristo. Se o batismo for administrado com uma promessa distorcida — como em grupos que negam a Trindade ou atribuem ao rito um poder salvífico fundamental, ou outra superstição, heresia ou erro —, eu acredito que sua validade é comprometida. Eu defendo que o batismo deve apontar para *Cristo como o único Mediador* e para a fé como o meio de receber a Graça. Por isso, eu valorizo a instrução catequética para os pais ou candidatos, assegurando que a promessa seja compreendida.  Além disso, eu acredito que a intenção do batismo deve estar alinhada com o propósito de demonstrar publicamente ser parte da aliança de Deus com seu povo.


4. A Instituição Precisa Ser a Verdadeira:  O batismo deve ser realizado no contexto da Igreja verdadeira, marcada pela pregação fiel da Palavra, a administração correta dos sacramentos e a disciplina eclesiástica, conforme a Confissão Belga (Art. 29). Para mim, a Igreja verdadeira não é uma denominação específica, mas qualquer comunidade que se submeta às Escrituras e ministre os sacramentos conforme ordenado por Cristo.  Eu reconheço outras tradições cristãs, desde que preservem o essencial, mesmo que haja outras diferenças doutrinárias. Como João Calvino argumenta nas *Institutas (4.15.16)*, eu acredito que erros secundários não anulam a irmandade em Cristo, desde que as principais doutrinas estejam presentes.


Conclusão: Enfim, eu considero válido somente o batismo que, através do rito prescrito, ministrado por um oficial, afirma o que a Bíblia prometeu, ou seja, o reconhecimento público da ligação espiritual com o Corpo de Cristo (a instituição verdadeira). Esses detalhes me asseguram que o sacramento praticado foi mesmo um Meio de Graça instituído por Deus, apontando para a obra de Cristo e selando as promessas da aliança. E, claro, considerando a própria verbalização sincera da fé pelo cristão, o rito não opera por si mesmo. E assim, *e só assim*, sou capaz de reconhecer batismos realizados em contextos imperfeitos e em outras tradições e denominações cristãs.

quarta-feira, 27 de março de 2024

RÁPIDA REFLEXÃO SOBRE O SERMÃO EXPOSITIVO

O sermão tem sido um instrumento crucial na transmissão da Verdade Divina ao longo dos séculos no Cristianismo. No entanto, muitas vezes, na ânsia de transmitir mensagens significativas e relevantes, nos limitamos a fórmulas prontas, repetições de comentários famosos, tecnicismos frios e impessoais ou, pior, tornamos tudo um arroubo de psicologismos baratos de frases prontas e cuidadosamente pensadas para provocar arrepios e não mudanças. Por isso mesmo, é imprescindível que o sermão seja expositivo-bíblico.

PREGAÇÃO, UM IMPERATIVO:
A pregação expositiva é um expediente divinamente instruído para o ensino do Povo de Deus. Profetas, apóstolos e líderes espirituais foram comissionados por Deus para proclamar Sua Santa Palavra ao povo. Algumas passagens bíblicas, mesmo de forma simples, destacam a grande importância da prática. Em 2 Timóteo 4:2, por exemplo, o apóstolo Paulo exorta seu discípulo Timóteo a pregar a palavra, estar preparado a tempo e fora de tempo, repreender, corrigir e encorajar com toda a paciência e doutrina. Já em Romanos 10:14, Paulo questiona retoricamente: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”

UMA ANÁLISE TÉCNICA:
Um sermão expositivo vai além da superficialidade típica na mera leitura da Palavra, não só porque busca elucidar o significado mais profundo dos textos bíblicos, mas especialmente porque é ministrado em um momento público e solene, diante de uma congregação que se reuniu diante de Deus para esse propósito em obediência à Santa convocação. É verdade que esse tipo de discurso envolve uma análise cuidadosa e detalhada da perícope, levando em consideração o contexto histórico, cultural e linguístico em que foi escrito, bem como as intenções do autor e peculiaridades dos ouvintes originais.

Um exemplo notável disso encontra-se em Neemias 8:8, onde os levitas “liam distintamente no livro, na lei de Deus; e explicavam o sentido, de modo que entendessem a leitura”. Aqui, vemos a importância não apenas de ler a Palavra, mas também de explicar seu significado para que o povo possa compreender verdadeiramente o que está sendo transmitido. Por outro lado, lemos em 2 Timóteo 2:15 que Paulo instrui a Timóteo “procura apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Isso ressalta a responsabilidade do pregador em estudar e interpretar corretamente a Palavra de Deus, a fim de transmitir com precisão suas verdades aos ouvintes.

UMA PERSPECTIVA MAIS PROFUNDA:
Entretanto, é dever do expositor da Palavra apresentar questões não apenas sobre o conteúdo textual, mas também sobre o propósito subjacente por trás da mensagem que foi comunicada, em seu tempo e contexto. Detalhes históricos, exemplos laterais, exegese de terminologias específicas, antecedentes dos autores e leitores originais, são alguns “lugares comuns” que todo sermão expositivo competente deve visitar. Mas além disso, é fundamental examinar como as verdades espirituais e os ensinamentos bíblicos podem ser aplicados de forma direta à vida dos ouvintes.

O pregador precisa buscar conectar os princípios eternos da fé com os desafios e questões enfrentados pela sociedade contemporânea, e nisso oferecer orientações inspiradas para aqueles que buscam compreensão e direção. Isso também requer uma análise cuidadosa das necessidades, preocupações e experiências da congregação a quem a prédica se destina. Ou seja, ele precisa ler não apenas o Texto Sagrado corretamente, mas também a comunidade a quem vai entregar o sermão – se não fosse assim, bastaria entregar um livro de comentários da Bíblia ou, mais facilmente, indicar estudos e sermões gravados pelos doutores nas redes sociais – não podemos ignorar que a pregação é prerrogativa do pastor titular na igreja local, o que põe termo aos pregadores itinerantes e convidados especiais.

INDO MAIS PROFUNDO:
Para ajudar nessa tarefa, um exercício útil e simples para a elaboração de sermões é responder a três perguntas fundamentais: O que o autor disse? O que o autor está dizendo? O que o autor está me dizendo? Essas perguntas nos ajudam a transcender a mera transmissão de informações e nos desafiam a pensar de forma mais profunda e significativa sobre o conteúdo e a aplicação prática de nossos sermões. Ou seja, o sermão vai além de uma análise histórico-gramatical de um texto. Claro que essencialmente a pregação será expor as ideias, argumentos e afirmações que o próprio autor transmitiu originalmente. Por isso, é preciso voltar ao contexto, explorar as razões, objetivos e detalhes dos versos em questão. Mas o expositor precisa demonstrar como o Texto é aplicável atualmente, ou seja, como ele se conecta com os nossos dias, quais princípios ele aponta. É válido fazer conexões com toda teologia bíblica e sistemática, e demonstrar como eles estão presentes na nossa tradição e confessionalidade, mas não se pode prender a Palavra de Deus como solução para um contexto passado e nem à mera concatenação de verbetes clássicos.

DEUS FALA COM VOCÊ, PREGADOR:
Por tudo isso, é necessário que a exposição seja verdadeiramente um sermão bíblico com aplicação pessoal. O pregador deve ter em mente que ele é o primeiro alvo do texto em questão e, em algum sentido, a forma como o texto se relaciona com a sua vida, com as suas idiossincrasias e até com seus pecados, deve ser também o alvo do escrutínio da Palavra na preparação do sermão e de algum modo deve permear toda a exposição. Não que o personalismo deva reger a homilia, mas esse aspecto pessoal não deve ser desprezado. Deus não usa homens para transmitir sua verdade por acaso. Aqui novamente ressalta-se a importância do ministro Ordenado de uma vida moral inquestionável, não à toa, mormente, chamado de reverendo.


CONCLUSÃO:

É só depois disso então é que o resultado poderá ser organizado em uma fala toda coerente que se aproxima de uma aula, mas se expande em ares proverbiais, arraigada nas Escrituras, que seja fácil de ser compreendida, assimilada e até memorizada. Em última análise, a elaboração de sermões é uma oportunidade para comunicar verdades eternas de uma maneira que ressoe com a vida e as experiências das pessoas que nos cercam. Ao adotarmos essa abordagem analítica e reflexiva na construção de sermões expositivos, certamente seremos melhores em transmitir as orientações divinas para aqueles que buscam uma conexão mais profunda com Deus.


QUE SEJAMOS MAIS DILIGENTES SERVINDO MELHOR AQUELE QUE NOS COMISSIONOU E, NISSO, ENTREGANDO MELHORES SERMÕES PARA QUE AS VIDAS DOS QUE NOS OUVEM SEJAM IMPACTADAS PELA PALAVRA DE DEUS.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

MEU CORPO, SUA REGRAS, SENHOR!

Primeira carta de Paulo aos Coríntios, Capítulo 6, versos 20 - pois foram comprados por alto preço. Portanto, honrem a Deus com seu corpo.

A cada dia, cuidar do corpo, da saúde física e até da aparência através de uma boa alimentação, exercícios, hidratação, etc., tem-se tornado uma obsessão hodierna. Academias, cirurgias, suplementos, isotônicos, remédios e procedimentos se avolumam prometendo não só longevidade, mas principalmente qualidade de vida.

Mas o que tem movido você a cuidar do seu corpo? É o medo de envelhecer? A melhoria na qualidade de vida? Aumentar o condicionamento para enfrentar o 'batidão'? A busca pela beleza? Perder peso? Ganhar força? Caber naquela roupa nova? Passar na prova de aptidão física do emprego dos seus sonhos?

Nada disso é errado. Guardadas as devidas proporções, fico feliz por você, mas preciso te informar que isso não é tudo. Não basta cuidar do corpo para diminuir os efeitos do tempo e maximizar o vigor ao ápice, alcançar objetivos nobre e bons. Não é suficiente garantir qualidade de vida, especialmente quando por vida nos referimos apenas aos aspectos material, social e psicológico.

Há uma dimensão espiritual que permeia e transcende o que nós compreendemos por vida, e obviamente põe termo ao conceito de qualidade dela. A rigor, é onde se manifesta a Vida, da qual nossa natureza (corpo, mente, emoção, sentimento) pega emprestada sua essência. E aí está o x da questão: como está a qualidade espiritual da sua vida? Ou, mais comumente, como está a sua vida espiritual?

Pode parecer estranho falar de espiritualidade diante de um verso bíblico que aponta a obrigação de honrar a Deus com o corpo, mas é que nossos corpos estão ligados ao nosso espírito, de forma que um não é nada sem o outro. Ora, a boca fala o que está cheio o coração, os pés são ligeiros para caminhar no mal e os olhos miram aquilo que é o nosso desejo. É a parte imaterial do nosso ser que, de uma forma ou outra, dirige as ações feitas no e com o corpo. Então a fonte de tudo vai se resumir ao que está no interior do homem.

A verdade é que só honraremos ao SENHOR com nossos corpos, se e somente se, tivermos sido comprados pelo Sangue de Jesus. Ou seja, só é possível agradar a Deus se todo o nosso ser tiver sido resgatado para e por Ele. Isso é, nossos corpos foram resgatados, nossas mentes foram resgatadas, nossos corações, desejos e razões foram resgatados. Mas esse resgate, obviamente, significa mais que meras palavras. É por causa disso que nossas atitudes, que se manifestam através do nosso corpo, devem se alinhar com o Sacrifício de Cristo, a morte de Jesus na Cruz, o alto valor com que Ele nos resgatou.

Uma vida realmente transformada é aquela que no interior tem como base a vontade divina e, então, exteriormente, um proceder que honra a Deus, efetiva e materialmente diferente do mundano. É viver aqui em uma disposição com a de Cristo, isso é, servindo, primeiro ao Pai e, por isso mesmo, ao próximo. Com palavras, fatos e atos do verdadeiro amor. E então, verdadeiramente, você estará honrando a Deus...

...também com o seu corpo.


Sem mais, Graça e Paz.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

SEU TRABALHO É INÚTIL?

Salmo 127, verso 2 -  Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.

A Palavra de Deus começa dizendo que Ele criou o homem, Adão, com o propósito de governar o mundo criado. No entanto, ela nos diz também que o SENHOR designou um trabalho para ele: proteger e cultivar o Jardim do Éden. Ou seja, sendo a primeira 'profissão' a de jardineiro, criada pelo próprio Deus, não se deve jamais concluir que o trabalho seja uma maldição.

Entretanto, é certo afirmar que depender do trabalho, especialmente de algum tipo difícil e extenuante, é sim um castigo divino; parte da maldição trazida pelo Pecado Original. Afinal, antes da Queda, o homem podia comer livremente de toda árvore frutífera plantada por Deus, mas depois do Pecado, seria do suor do rosto que ele teria o que comer, e com dificuldade, inclusive vinda da fraqueza da terra, que, além de tudo, produziria conjuntamente as "ervas daninhas".

Mas não é por isso que devemos inferir que é na força do nosso trabalho que estaremos seguros. Afinal, a Bíblia também aponta que, mesmo sendo extremamente diligentes em nossas tarefas, o resultado não é garantido. Muitas vezes, o trabalho correto e bom, até o mais extenuante, é verdadeiramente inútil. De fato, a Palavra afirma que situações, imprevisíveis, corriqueiramente, afetam tudo e todos, e por fim, o que era esperado não vem.

Não que a Palavra de Deus valorize o ócio ou dignifique a malandragem. Deus não valida a irresponsabilidade; não devemos tentar a Deus, quer seja pulando de um pináculo acreditando que Ele não permitirá que nos machuquemos, ou acreditando que os gastos excessivos do cartão serão "magicamente" pagos com orações feitas e versículos citados fora do contexto. Mas a verdade é que as Escrituras Sagradas são prodigiosas em harmonizar duas ideias aparentemente antagônicas: devemos trabalhar como se tudo dependesse de nós, mas ter a certeza de que tudo depende exclusivamente dEle.

Quando no verso 2, o salmista afirma que o trabalho intenso, imparável e desgastante é inútil, a razão desse diagnóstico não está na forma, quantidade ou dificuldade do trabalho, e nem mesmo no propósito ou razão dele. O problema todo gira em torno do valor do resultado. Especialmente, o valor eterno. Na verdade, todo o Salmo 127 está dizendo que o SENHOR é quem valida o trabalho que realizamos. Qualquer que seja.

Em outras palavras, Ele avalia e atribui resultado às nossas ações. Deus é quem certifica com crescimento a boa semente plantada. NOTE, isso não dispensa o semeador de semear, o construtor de edificar, ou o sentinela de vigiar. Ao contrário, a certificação divina é quem estabelece as atividades e o resultar delas.

É importante que se saiba, o SENHOR não está preso a um sistema mecanicista de causa e efeito. Ao estabelecer os fins, Ele determina os meios, como Lhe apraz. Ele levanta um e abate outro. Permite o justo sofrer aqui e farta o ímpio de bens. As coisas, simplesmente, não são como achamos que devem ser. Elas seguem o plano infalível de Deus, que em geral, nos escapa completamente.

Assim, nossa responsabilidade é trabalhar com determinação, não para suprir nossas necessidades básicas, pois desse modo agem os ímpios, mas principalmente por ser uma ordem do Criador, nosso Deus. Sem nos esquecermos, por mais virtuosos que pensemos ser, somos realmente incapazes sequer de nos prover o básico. E por isso, é necessário confiar no Pai Celeste (se é que você O tem) eternamente santo, todo-poderoso que é extremamente amoroso e graciosamente bom, que supre o que precisamos, de acordo com Sua vontade, que para os seus é sempre boa, perfeita e agradável...

...até mesmo quando dormimos.



Sem mais, Graça e Paz.


terça-feira, 9 de janeiro de 2024

VOCÊ DORME EM PAZ?

Salmo 4, verso 8 - "Em paz deito-me e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro."

Nunca se ouviu tanto sobre a necessidade de uma boa noite de sono como atualmente. Diversos especialistas afirmam que dormir bem é essencial para nossa saúde física e mental. Há um sem-número de remédios, receitas, produtos e procedimentos que prometem garantir o sono perfeito. Mas será que é assim mesmo que devemos buscar o "merecido" e necessário descanso?

A Palavra de Deus não se furta a direcionar todos os aspectos da vida humana. Certamente, ela também tem muito a dizer sobre a necessidade e o merecimento de descanso e até sobre o sono. Mas a perspectiva não é tanto de que eles promovem algum bem físico e mental, mas que sono e descanso são resultados graciosos (presente divino) a um coração que não se entrega às ansiedades da vida, mas antes confia no SENHOR. Não que a Bíblia proponha algo como um anestésico, ensinando uma técnica psicológica de fazer as coisas do agora não nos tocar, comover, nos importar, mas antes ela aponta verdades que fortaleçam o coração no SENHOR, o que permite descansar tranquilo.

Então, não é tanto qual remédio você tem tomado para dormir, ou que exercícios, trabalho ou tarefa extenuante precisa praticar para poder enfim 'apagar', ou ainda qual preparação deve ser feita antes de deitar-se para facilitar a chegada do sono; a pergunta certa é se realmente você tem confiado em Deus. Se você se sente tranquilo e seguro, pois sua vida está nas mãos dEle.

No fim, o que o salmista aponta nem é mesmo o processo natural de dormir. Embora perder o sono seja um bom indicativo de ansiedade, o autor sagrado afirma que uma fé verdadeira em Deus promove uma vida equilibrada e que, por isso, ele pode realmente dormir despreocupado.

Ou seja, o processo, a receita, o remédio para termos uma boa noite de sono, segundo a Bíblia, é confiar verdadeiramente em Deus. E isso quer dizer não outra coisa senão OBEDECER à sua Santa Palavra. Doutra forma, você realmente quer dormir tranquilo?! Pois bem, confie sua vida nas mãos do SENHOR, entregue a Ele o seu caminho, busque-O de todo coração, viva segundo a Vontade Prescrita de Deus e você terá realmente um coração inabalável.

Espero que você, esta noite, possa fechar seus olhos, sabendo que se esforçou para viver de acordo com a Bíblia, e que essa expectativa não está baseada na sua capacidade de atender a esse alto padrão, mas na vida de Cristo que, pela fé genuinamente bíblica, flui em você, levando-o a reconhecer sua indignidade em merecer o descanso e até mesmo o sono reparador e, por isso mesmo, se lance nas Mãos dEle, onde há misericórdia, e assim, logo pegue no sono... 

...você tem o dia todo para isso. 


Sem mais, graças e paz.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

UM DEUS QUE SE REVELA

A Primeira Carta de João 1.5 - Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.

Deus nunca fica sem testemunho. Ele sempre se revelou à humanidade. Desde a criação do primeiro homem, o SENHOR sempre claramente se comunicou com ele; lá, certamente com uma naturalidade que nós, por causa do Pecado, não podemos usufruir, ainda.

Deus se faz conhecido. Até mesmo Seu eterno poder é claramente anunciado. Seja na própria Criação, que espelha a Sua grandeza; seja nas assombrosas e distintas capacidades humanas herdadas dEle. Aquilo que nos torna mais que meros animais: a arte, a força do nosso caráter, a capacidade de tomar decisões morais diferentes do apontado pelos estímulos e instintos.

Toda inquietação intelectual da raça humana, que nos move, como a progredir, estranhamente em busca de um paraíso perdido, do qual temos saudades, sem que de fato o tenhamos antes o conhecido, que está cravada em nosso “inconsciente coletivo”, grita para cada um de nós sobre a existência de um Deus que é todo amor.

Mas tudo isso, por nossos pecados, somos capazes de ignorar e, por isso, alguns se voltam para adorar a criatura (ou Criação) em vez do Criador, ou mesmo constroem, com as próprias mãos, um deus para se curvar e servir, na esperança que isso aplaque essa fome e sede do perfeito.

Assim, Deus foi servido em revelar-se de modo ainda mais especial. Através de reis, sábios, profetas e dos apóstolos, a quem, para o nosso bem, comissionou registrar tais mensagens, a Bíblia, visando o aperfeiçoamento também dos santos que ainda iriam nascer.

Essa mensagem, que da parte dEle recebemos, é o Evangelho, anunciado desde Gênesis até Apocalipse. Uma grande, única e extraordinária história de amor. Um amor tão grande que não é fácil expressar em palavras; por isso mesmo, aquele que é a Palavra, se encarnou e habitou entre nós, Deus mesmo, a Luz dos Homens.

Esse é o Deus testemunhado na Bíblia, o Deus que se revela, Aquele que busca a humanidade perdida e desce às regiões inferiores para resgatar os seus, ao ponto de chegar a morte e morte de Cruz. Esse Deus é todo Amor, todo Justiça, todo Poder, todo Verdade. Nada nEle se contradiz e nem muda; o que Ele quer, simplesmente é, e o que Ele diz acontece.

Ele não tem variação de humor, de ânimo, de personalidade, ou de decisão. Ele mesmo é o prumo para tudo, o Padrão de todas as virtudes. Subsiste nEle a referência real e universal para qualquer coisa. Ele é o ser imutável, a fonte segura do saber, e a medida exata para qualquer definição do Bem; o contraste perfeito para o Mal...

...Quem nEle se apoia jamais será confundido.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

A RECOMPENSA DIVINA

Epístola aos Hebreus 11.6 - De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e recompensa os que O buscam.

A Bíblia não começa com uma longa narrativa para provar que Deus existe. Em suas primeiras páginas, nem mesmo é apresentado um único argumento para, de alguma forma, validar o conceito de uma divindade. Entretanto, as Sagradas Escrituras rapidamente nos informam quem e o que somos, nosso dever diante de SENHOR e o fracasso em cumpri-lo.

Criados à imagem de Deus e conforme Sua semelhança, Adão e Eva foram capacitados e, por isso, comissionados social, cultural e espiritualmente para governar toda a Criação. Antes do fim do processo criacional do homem, Deus mesmo apontou o que desejava que ele fizesse e pelo que fosse responsável, e ainda, para ajudá-lo, deu-lhe a mulher, osso de seus ossos e carne de sua carne.

Não demorou muito, entretanto, para que esse casal primevo desobedecesse ao Criador e, consequentemente, tentasse se esconder de Deus. E então, expostos à Santa Ira e a justa condenação por causa do Pecado, que nos legou a morte física e espiritual, foram expulsos da presença prazerosa do divino Ser.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia e literalmente a definição de Graça e Amor, estabeleceu um Caminho para a redenção: Cristo Jesus, o único, que através de seu sacrifício realmente foi capaz de trazer o perdão e restaurar a comunhão entre Deus e os homens.

É exatamente por isso que somente pela Fé se pode agradar a Deus. Somente crendo em Jesus Cristo, como Salvador, isso é, somente O amando verdadeiramente e, por isso mesmo, obedecendo Seus mandamentos é que realmente estaremos nos reaproximando de Deus, no sentido contrário ao que Adão e Eva fizeram quando se perceberam completamente inadequados diante da iminente chegada dEle.

Em outras palavras, só aqueles que depositam sua esperança em Jesus, que ao morrer na Cruz, com seu Sangue os redimiu, é que vivem em perfeita obediência ao SENHOR e assim verdadeiramente se aproximam de Deus.

Essa é a grande recompensa que Ele concede àqueles que de fato O buscam, a saber, aqueles que crendo nEle – no Filho Amado, que foi enviado para dar Sua vida em resgate por muitos – confessam seus pecados e reconhecem que são incapazes de permanecer vivos diante de Sua Majestade: receber a dádiva de nova comunhão em Cristo para a Vida Eterna.

É por isso que a Bíblia não começa argumentando sobre a existência de Deus, mas partindo da certeza dEle, expondo que tudo foi criado, do nada, por Ele. Pois aqueles que leem a Palavra para se aproximar do SENHOR sabem que Ele existe, pois foi Ele mesmo que, os amando primeiro, se aproximou desses, que receberam o dom da Fé...

...então, creia, se aproxime dEle. Exerça a fé que Ele já lhe deu. Busque ao SENHOR, sabendo que Ele te encontrará!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

HÁ UM CHAMADO SIMPLES E DIRETO PARA CADA UM DE NÓS: É PRECISO BUSCAR A DEUS.

 

Livro do profeta Isaías 55.6 - Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.

Ao olhar naturalmente para si, qualquer pessoa percebe que o verdadeiro poder está fora dela. Mesmo o mais cético dos homens ou o mais arrogante sabe, sem muito esforço, que depende de forças fora do seu controle, e que muitas coisas simplesmente são e acontecem sem que ele tenha qualquer participação nelas.

Somos constantemente bombardeados com ideias de que 'fazemos o nosso destino', 'controlamos a nossa história', etc. No entanto, somos igualmente lembrados da nossa fragilidade e incapacidade diante de situações como a morte ou cataclismas naturais. Sabemos que, em nós mesmos, nunca encontraremos todas as respostas e soluções.

A busca por Deus tem sido guiada por milênios de diversas formas, e é por isso que existem milhares de religiões em todo o mundo. No entanto, somente a Bíblia nos conta sobre a ação inversa: Deus buscando o homem. Isso é literalmente o Evangelho.

Desde a Queda, o pecado de Adão e Eva, contado na '3ª página' da Bíblia, somos informados de um Deus que vai ao encontro da humanidade. Mas, diferentemente do mais lógico, a atitude do casal primevo é exatamente a mesma que cada um de nós naturalmente toma: fugimos de Deus e nos escondemos do SENHOR.

Mais uma vez, hoje Ele nos chama para Si. Em Sua santa Palavra, somos instados a buscá-Lo enquanto Ele está disponível. Deus desceu de Sua glória e de forma maravilhosa se deu a conhecer como uma pessoa, assim como cada um de nós. Ele se apresentou humilde para nos ensinar humildade, gentil para nos apontar a bondade e servindo no Calvário para nos resgatar de nossos próprios pecados, morreu em nosso favor.

Deus não está longe! Não é difícil encontrá-Lo, não é complicado achá-Lo. Ele não está escondido nem disfarçado. Contudo, nossos pecados realmente fazem separação entre nós e Ele; por isso, precisamos nos negar diariamente e nos agarrarmos com mais firmeza à Palavra que nos aponta o caminho da Vida Eterna, Cristo nosso Senhor.

Obedecer a Deus e viver de acordo com Sua vontade revelada, a Bíblia, é a garantia de sucesso verdadeiro nessa busca. Olhe ao seu redor, de fato, Ele não está distante. Provavelmente, em sua casa, há inúmeras Bíblias, e em seu celular, é fácil 'baixar' um aplicativo que contém dezenas de versões deste Texto Sagrado. A "distância de um clique" está a voz de Deus, especialmente para hoje, hoje! Leia a Bíblia, faça orações...

...não perca a chance de buscar a Deus enquanto você pode achá-Lo.


terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Qual o alvo do nosso olhar?

Evangelho de São Mateus 6.22, 23- São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!

Que tipo de novidade tem sido o foco dos teus olhos? Qual é a natureza da informação que tem alcançado tua mente, teu coração, tua alma? Para onde tua vida está apontada? Qual propósito, objetivo, plano tem gerenciado tua caminhada?

Nesses versos, parte do conhecido Sermão do Monte, Jesus Cristo, o Bom Mestre, afirma sutilmente que aquilo que almejamos tem o poder de demonstrar o que realmente somos.

Por isso, se nossa visão estiver apontada para algo realmente bom, é porque nossa vida é cheia de bondade. Mas se, ao contrário, nossos olhos mirarem o mal, se nossa visão se focar na ganância, poder, lascívia etc. então obviamente estamos mergulhados na mais profunda escuridão.

Ora, Deus é luz; portanto, se Sua Santa Palavra for o desejo dos nossos olhos, se nossa vida caminhar segundo ela, então teremos em nós a maior fonte do bem, e nossa vida será toda luminosa.

A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, toda ela, cada parte dela e tudo o que dela se pode aprender, deve ser, diariamente, o guia para cada passo e decisão da nossa vida.

Assim, viveremos para a Glória de Deus, e nesse sentido, em obediência à vontade prescrita do SENHOR, o real motivo de se levantar da cama a cada manhã e a razão do empenho e dedicação ao trabalho, à família, à Igreja, e tudo mais, teremos a Luz.

Se teus dias forem assim, se for a Luz que vem do Alto, a verdade do Evangelho, o Cristo, a Luz dos Homens, que rebrilha em teu olhar, ah, que luzes serão!

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

A VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO NATAL

Artigo baseado no esboço do sermão ministrado no culto solene em 24 de dezembro na 4 Igreja Presbiteriana de Boa Vista-RR, a partir da análise dos termos presentes em Lucas 2.11.


Então é Natal, na verdade, véspera de Natal, e muita gente já está reunida festejando. Tantas outras estão se arrumando para as celebrações em família, e, tristemente, talvez por isso, muitos lugares estão vazios nas igrejas, agora. Pois bem, de alguma forma, ano após ano, nestes dias próximos ao 25 de dezembro, a história do Nascimento de Cristo é recontada. Mais uma vez, e em meio a essas celebrações, por vezes completamente dispares do verdadeiro acontecimento, o verdadeiro Natal ainda se afirma para todos: Deus veio ao mundo! É sobre isso que eu quero refletir, especialmente observando o verso 11 do capítulo 2 do Evangelho de Nosso Senhor, conforme contado por São Lucas Evangelista.

INTRODUÇÃO

O início da tradição natalina em 25 de dezembro é envolto em mistério, mas suas raízes remontam ao século III. Hipólito de Roma, teólogo e líder da Igreja, mencionou em seus escritos que os cristãos egípcios já marcavam o nascimento de Jesus nesta data. O calendário litúrgico de 354 d.C. registra a festa do Natal em 25 de dezembro, porém sem fornecer muitos detalhes sobre como a celebração ocorria na época.

E pouco importa a discussão sobre a influência de Constantino na definição ou oficialização da data. A verdade é que a celebração de dia, ou do que ela representa, não possui respaldo nas Escrituras. Não há menção e nem sequer uma pequena sugestão sobre alguma comemoração de aniversário do SENHOR ou mesmo um culto especial sobre a Encarnação.

Mas é bíblico dizer, a tempo e fora de tempo, que Ele nasceu! É disso que esse verso fala, e, por isso, eu quero fazer seis reflexões a partir dele, e, no fim, apresentar três típicas aplicações sintetizando o que devemos entender, sentir e fazer diante da verdade revelada para nós hoje. Afinal, naquela noite especial Deus decidiu se revelar, e aos mais humildes, aos pastores nos campos, Ele enviou seus anjos para informar tão grande salvação: “é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor".


A GRANDE HISTÓRIA


1. O anjo disse "hoje" - o verso especifica um tempo: ao afirmar um dia, percebemos que a história da Redenção que começa na eternidade, pois Deus, o Redentor, é eterno, se desenvolve no tempo. O versículo 25 do livro de Daniel, capítulo 9, aponta: "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e reconstruir Jerusalém até o Ungido, ao Príncipe, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas." Essas "sete semanas" e "sessenta e duas semanas" totalizam 69 semanas, onde cada semana representa sete anos, somando um total de 483 anos, indicando o tempo do Messias. A referência à "ordem para restaurar e reconstruir Jerusalém" é frequentemente vinculada ao decreto emitido por Artaxerxes I, rei persa. Este decreto permitiu que Esdras retornasse a Jerusalém para reconstruir a cidade e restaurar a Lei. Historicamente, esse decreto é datado por volta de 458 a.C. ou 457 a.C. O cumprimento dessa profecia, marcando a contagem de anos desde o decreto de Artaxerxes até o início do ministério de Jesus, estabelece a conexão temporal e solidifica a compreensão de que Jesus é o Messias esperado. Assim, a profecia de Daniel 9 não apenas fornece uma contagem precisa, sobre os tempos, mas também serve como um elo entre o Antigo e o Novo Testamento, evidenciando o cumprimento das promessas messiânicas das Escrituras, na pessoa de Jesus Cristo.

2. O anjo disse "vos nasceu" – o verso especifica uma ação: ao descrever o nascimento de Jesus, anuncia-se algo muito além de um simples evento histórico. Essa ação que se desenrola no tempo é, de fato, muito especial. Certamente, naqueles dias e naquela mesma cidade, muitas outras crianças nasceram, mas esse nascimento era o único digno de nota pelo mensageiro celestial. Paulo afirma que no tempo devido, Deus estava cumprindo suas promessas feitas a Daniel, e antes dele a Davi, Abraão e a Eva. Em Gálatas 4.4, o apóstolo escreve: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei." Ou seja, o cumprimento das profecias e propósitos de Deus. Essa ação específica é a literal afirmação da doutrina da encarnação. Jesus, o Filho de Deus, assumiu a natureza humana, mantendo simultaneamente sua natureza divina. Essa união única é fundamental para a compreensão da obra redentora de Cristo. A encarnação de Cristo é essencial para a sua obra salvífica, seu mais importante trabalho. Ele precisava ser verdadeiramente homem para representar a humanidade. O Catecismo Maior de Westminster, em sua resposta à pergunta 39, destaca a necessidade do Mediador ser homem. Isso possibilita que "Ele eleve nossa natureza, obedeça à lei, sofra, interceda por nós e compreenda nossas enfermidades". Assim, essa realidade permite que recebamos a adoção de filhos e tenhamos confiança ao nos aproximarmos do Trono da Graça.

3- O anjo disse “na cidade de Davi” – O verso especifica um lugar: Ao mencionar que Jesus nasceu na cidade de Davi, a narrativa transcende a mera geografia histórica. O evangelista Lucas indiretamente traça um ligação entre a promessa do Antigo Testamento e seu cumprimento no Novo Testamento. Em seu relato sobre o recenseamento estabelecido por Quirino, nos primeiros versos deste capítulo, ele impõe que fielmente Deus cumpriu Sua promessa de que o Messias viria da linhagem de Davi. José, descendente de Davi, por decreto romano deveria ir a Belém, a cidade de seu ancestral e leva Maria, sua esposa gravida, que espera Jesus, seu primeiro filho. A escolha específica de Belém, conforme previsto em Miqueias 5.2, não apenas fornece uma localização física, um cenário humilde para sua entrada no mundo, mas também confirma o cumprimento das profecias antigas acerca do nascimento do Salvador. A menção da manjedoura como sinal para os pastores não apenas oportuniza verificabilidade ao relato, mas também destaca a humildade e a simplicidade do nascimento de Cristo, de acordo com as profecias que indicavam que Ele viria como um servo sofredor. O local de nascimento não é apenas uma circunstância histórica (leia os primeiros versos do capítulo, Lucas apresenta informações adicionais precisas sobre tudo isso), mas uma declaração profunda da precisão de Deus em cumprir Seu plano redentor na pessoa do Salvador anunciado. Assim, a cidade de Davi, Belém, torna-se mais do que apenas um ponto no mapa; ela é um elo teológico entre o passado e o presente, unindo as promessas antigas com sua realização na pessoa de Jesus.

4- O anjo disse “o Salvador” – O verso especifica uma razão: Ao proclamar Jesus como o Salvador, a narrativa aponta para a vil condição da humanidade e a verdadeira razão da necessidade de salvação. Esse nascimento é essencialmente a ação divina em resgatar a humanidade, que rompe a nossa escuridão espiritual. O profeta Isaías antecipou esse momento, descrevendo vividamente a chegada do Salvador como uma luz para aqueles que andavam em trevas. O nascimento de Jesus é a realização dessa promessa, trazendo luz e esperança para uma terra aflita (Is 9). João 3:16 enfatiza que Deus enviou Seu Filho unigênito como expressão máxima de Seu amor. Nos versos seguintes, a missão de Jesus, é claramente anunciada, Ele não veio julgar o mundo, mas salvá-lo, proporcionando vida eterna a todos que creem. Mas embora a luz tenha vindo ao mundo, muitos preferiram permanecer nas trevas devido às suas más obras. O nascimento de Jesus também expõe a doença humana de modo inquestionável: a humanidade ama mais as trevas do pecado do que a Luz do SENHOR. Assim, a afirmação de Jesus como o Salvador não é apenas a entrega da solução ou a revelação do amor transformador de Deus, mas um diagnóstico da vil condição em que nos encontramos: precisamos desesperadamente de Salvação!

5- O anjo disse “que é Cristo” – O verso especifica uma identidade: Ao afirmar que Jesus é o Cristo, a superioridade de propósito e a singularidade dessa figura histórica é apresentada. Lucas, no capítulo 4, versículos 18 a 21, aponta isso em outros termos; presente na sinagoga, na leitura da profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor repousa sobre Ele, ungindo-O para proclamar boas novas aos pobres, libertar os cativos, restaurar a vista aos cegos e libertar os oprimidos”, Jesus se identifica como o Messias, quando declara que naquele instante aquele trecho das Escritura se cumpriu, ou seja, para o Evangelista, tanto o bom Mestre tinha clara convicção de sua Missão, como Ele mesmo afirmou demonstrou ser o exato cumprimento das profecias messiânicas. Versos à frente, no relato do testemunho de Simeão (Lucas 2:25-33), essa identidade (escolhida, unção, Cristo) é reforçada. Na passagem, lemos que movido pelo Espírito Santo, Simeão, que esperava a consolação de Israel, foi ao Templo e reconheceu Jesus, ainda bebê, como o Cristo. Ele louva a Deus, reconhecendo que seus olhos viram a salvação preparada para todos os povos, “uma luz para os gentios e glória para Israel”. A conexão entre as profecias do Antigo Testamento e a identidade de Jesus como o Cristo não é resultado do acaso. Simeão, inspirado pelo Espírito Santo, testemunha a concretização dessa promessa divina ao segurar o menino Jesus nos braços. Ao afirmar que Jesus é o Cristo, a narrativa não apenas identifica uma pessoa específica, mas também proclama o cumprimento de profecias antigas em Jesus, a resposta divinamente planejada para as necessidade do Povo, trazendo a salvação não apenas para Israel, mas para toda a humanidade. Assim, a afirmação de que o infante nascido "que é Cristo" não apenas conta de um identificação pessoal, mas revela o perfeito do cumprimento das promessas divinas na pessoa de Jesus.

6- O anjo disse “o Senhor” – O verso especifica uma autoridade: A afirmação de que Jesus é o Senhor vai além de uma mera qualificação; ela descreve a capacidade única do ser divino que se apresentava. Filipenses 2:6-8 revela a extraordinária humildade de Cristo, que, "sendo Deus por natureza, não considerou a igualdade com Deus como algo a ser agarrado. Ele esvaziou a Si mesmo, assumiu a forma de servo e humilhou-se até a morte na cruz". Não só exercendo uma humildade sem precedentes, mas reafirmando a divindade inquestionável de Cristo antes mesmo da encarnação, ministério, morte e ressureição. O Catecismo Maior de Westminster, na resposta à pergunta 38, destaca a necessidade da divindade de Jesus no papel de Mediador. Sua divindade é “crucial para sustentar a natureza humana, garantir a eficácia de seus sofrimentos e obediência, satisfazer a justiça divina, adquirir um povo peculiar, conceder o Espírito Santo, vencer inimigos e conduzir Seu povo à salvação eterna”. A divindade de Jesus não é apenas uma qualidade abstrata, mas uma capacidade ativa de “sustentar a natureza humana e salvar a humanidade da ira de Deus e do poder da morte”. Sua divindade confere “valor e eficácia aos sofrimentos e à obediência”, proporcionando uma redenção completa e efetiva. Como Senhor, Jesus vence todos os inimigos e conduz Seu povo à salvação eterna, cumprindo assim a obra redentora de maneira triunfante. Assim, a afirmação de que Jesus é o Senhor não apenas destaca Sua natureza divina, mas também revela uma capacidade inigualável de Redenção, Salvação e Vitória. Ele é o Senhor que, em humildade e amor, exerce Sua divindade para o benefício eterno da humanidade.

CONCLUSÃO:
Embora tenham se passado mais de dois mil anos, questionar como o Natal ainda afeta você hoje é uma reflexão válida. O Natal é frequentemente reduzido a celebrações comerciais e momentos de "cooperação entre as pessoas de bom coração" que no máximo apontam a moral dos filmes típicos dessa época do ano, mas em meio a todas essas comemorações, lembre-se de que o SENHOR, Deus todo-poderoso, já providenciou tudo para que os SEUS possam viver de maneira digna de Seu Nome.

É necessário saber o verdadeiro significado do Natal: E mesmo que o nascimento de Jesus provavelmente tenha sido entre março e abril, é extremamente importante destacar, diante do 25/12, que Deus, de maneira especial, se tornou humano, de forma miraculosa, nascendo da virgem Maria para nos resgatar de nossa vil condição. É vital entender que no Natal é o início da história de Deus perdoando nossos pecados.

É necessário sentir o verdadeiro significado do Natal: Que seu coração se sinta seguro no entendimento de que o Deus-menino na manjedoura, ao crescer, escolheu voluntariamente a cruz para perdoar nossa dívida impagável e assim, que o Natal seja marcado por sentimentos de arrependimento e fé genuína em Jesus Cristo. Que a gratidão pelo sacrifício substitutivo de Jesus seja o verdadeiro sentimento “natalino”, não relativo ao nascimento dEle, mas – espero – do seu novo nascimento.

É necessário fazer mais do que se lembrar do Natal: Celebre verdadeiramente o nascimento de Cristo, o Senhor e Salvador, não apenas hoje, mas sempre. Isso é, viva constantemente lembrando-se da primeira vinda de Jesus, e mantenha em sua mente que Ele também vai voltar. Não esqueça que Ele cresceu, morreu na cruz, e agora reina em Glória. Seu berço, a cruz e túmulo estão vazios, mas Seu Trono não. Por isso mesmo, creia e obedeça!

sábado, 18 de maio de 2019

Arminianismo nem é teologia!

É só um erro vulgar (no sentido de comum) sobre um ponto da doutrina Cristã (a rigor, é só uma falha boba na soteriologia). É verdade que esse erro, tem se tornado o cavalo-de-batalha de grandes movimentos evangelicais e tem patrocinado um sem número de trabalhos que pervertem a fé cristã. Obviamente nem todos os erros do Evangelicalismo pode mesmo ser creditado aos arminianos e muito menos ainda a Armínio.

Tanto por isso, já não há sentido fazer, da luta contra essa heresia, a marca de um ministério (calvinismo x arminianismo). Mas também porque essa concepção errática, por mais velha que seja (num rastreio bem feito, é nada mais que uma reedição do pelagianismo do séc. V), nem tem sua definição acertada, e varia de interprete e de sucesso de aplicação.

Sugiro enfaticamente para a turma mais nova, que agora conheceu as Doutrina da Graça: não percam tempo 'refutando' os ideias deles, não se gaste tentando provar o quanto o Arminianismo é sem sentido e antibíblico. Apenas apresentem a verdade bíblica, sem fazer da heresia tão querida por João Wesley um espelho que balize vossas ações.

Entenda, não é armistício, na verdade, o mero dar atenção a essa bobagem, acaba por dar algum crédito a ela. Apenas pregue o Evangelho, o poder de Deus para salvar todo aquele que crê, e não a mera possibilidade de salvação para todo aquele que quiser. Simples assim!

Entretanto ao avaliar o Arminianismo como apenas um aspecto errado da doutrina cristã e não como um outro grupo completo (hermenêutica) de teorias, não estou dizendo que não há o que ser rechaçado, mas apenas pondo o erro no seu devido lugar.

Arminianismo é apenas um erro na soteriologia reformada. Vários outros erros doutrinários se somaram, se reforçaram e se cristalizaram, no que se pode chamar de evangelicalismo; (que é essencialmente anticonfessional), uma heterodoxia bem esquizofrênica, hora mais, hora menos romana, as vezes anabatista e entusiasta, por vezes mística medieval.

Enfim, não há uma teologia arminiana, há uma soteriologia arminiana, que diversa, depois de ter sido rechaçada da Igreja reformada e não achando abrigo no luteranismo (esse sim uma teologia paralela com certas convergência e discrepâncias do calvinismo), reside quase sempre nos heréticos grupos livre, se retroalimentando, veio mudando e sendo mudado, hoje é apenas popular, mas nem é organizado. Transita e se adapta. O que o tem mantido com certa evidência.

De qualquer forma, não há motivo para fazer um ministério de combate ao arminianismo, basta apenas demonstrar a teologia bíblica e tudo será clarificado, o erro será exposto, a verdade triunfará. Arminianismo não é um teologia ou uma escola de interpretação bíblica, muito menos uma cosmovisão, é só um dos muitos erros, em um dos muitos temas da Fé Cristã, surgidos por fragilidade na doutrina da Palavra, por isso mesmo é tão fácil de estar associado a outras heresias. Um estudo apriorístico simples das Escrituras é suficiente para vencê-lo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Revisões e Inovações

Há um episódio dos X-men para a TV, creio que dos anos 90, em que o Logan ora, se arrepende, confessas seus pecados e agradece a Deus (numa igreja), a paz que Ele o deu, acabando assim com sua raiva, (e se você já assistiu o filme) agora lembre-se do que ele fez no novo filme. Em Star Trek (a série clássica), há um episódio que eles encontram, num determinado planeta, adoradores do Sol, mas no fim se percebe que eles não falavam do sol, o astro que iluminava o dia, mas do Criador do Sol que havia feito tudo e trazia luz aos corações (claras alusão ao texto do VT são feitas nesse e em outros episódios) -- viu alguma menção bíblica nos últimos 3 filme?


Quem acompanha HQ ou outras historias (franquias) no cinema ou em livros, sabe que vez por outra, um recomeço, um nova versão da "narrativa de origem" é contada. Basta lembrar do Homem Aranha, originalmente Peter Parker fora picado por uma aranha radioativa... na versão cinematográfica do anos 2000 era uma aranha geneticamente alterada; Ironman usava energia eletro-atômica para fazer seu traje de metal maleável (transistorizado) funcionar -- bem diferente da armadura e do Reator Arc, atualmente -- vez por outra a 'bateria acabava' no meio da contenda e o herói era obrigado a se livrar de outra forma; A DC Comics viveu um grande problema, "resolvido" pela criação do multiverso e das eras, por causa das muitas versões (incompatíveis) de seus personagens;


Jason Bourne (famosa atuação de Matt Damon) já fora interpretado no anos 1980 por Richard Chamberlai, como um agente secreto mais franzino que tinha a inteligência sutil como sua maior defesa; James Bond, sempre foi um 007 mais sofisticado, menos físico, quase invisível, até a chegada da excelente versão com Daniel Craig; O Hobbit, Senhor do Anéis e até o garoto de Hogwarts tiveram suas narrativas alteradas substancialmente para se encaixar na telona; até a história clássica dos titãs (não a banda, e sim os deuses gregos) teve sua versão cinematográfica de 1981 -- que passa longe da narrativa milenar -- atualizada para um blockbuster de sucesso... assim vai com todas as fábulas modernas ou clássicas.


Sempre me chama atenção esse fato, essas mudanças acabam por nos ensinar que alterações nas narrativas são comuns, normal. Essa CERTEZA moderna de que toda história pode ser mudada ao "gosto de freguês" -- lembrando que a mente esquerdista é profícua em revisionismo histórico para "vender seu peixe", a despeito da verdade -- tem gerado um descrédito tácito às narrativas históricas, 'desconstruindo' verdades há muito estabelecidos e anestesiando-nos para a nova moral.


Aplique isso sobre à Velha História, o Evangelho, a Bíblia (inclusive que é muitas vezes -- pessimamente -- retratada no cinema e na TV) e você perceberá porque, naturalmente, temos enfrentado um desconfiança generalizada do Texto Sagrado, e isso, obviamente, afeta também a credibilidade exposição das histórias bíblicas, muitas delas sendo abertamente 'desmentidas' por pregadores, em busca de ouvidos mais generosos, favoráveis, fugindo assim do compromisso da convicção da Fé.


No fim, admito que temos, no geral, bons entretenimentos, no mais das vezes em suas partes (há momentos realmente ruins e profanos) são coisas boas, e obviamente não proponho um boicote as salas de cinema, ou passeatas contra determinados detalhes mudados e mundanos. Mas lembre-se de Daniel, Hananias, Misael e Azaria; foram alterados aspectos comuns de suas vidas: seus nomes, seus costumes alimentares, com o interesse de que seus conceitos e valores mudassem.


A maioria das artimanhas satânicas são sutis! Se aparecesse um cramunhão, de pé fendido, e com rabo pontiagudo pouca efetividade ele teria em seduzir as nações! Cuidado, pode não parecer, mas estamos em guerra, guerra pela Verdade, e cada passo é sim um movimento de ataque!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Rápidas considerações sobre personagens fieis a Deus e seu envolvimento com a política nas suas respectivas gerações:

Quase sempre só nos lembramos de Daniel e seus 3 amigos pelo belo resultado do firme propósito de não se contaminaram com as finas iguarias do rei. Nos esquecemos que por décadas, eles não só serviram a Babilônia, como aconselharam os reis daquela terra desoladora, que estavam diretamente envolvidos nas entranhas políticas e sociais dos impérios que se seguiram e que abençoaram pessoalmente a vida daqueles governantes.

É interessante notar que no livro não há nenhuma menção a estratagemas de Daniel para ter sua pátria restaurada e nem alguma boicote ao governo opressor --- que nunca foi tratado como algum poder ilegítimo! Mais adiante, no mesmo cenário histórico, temos tanto Esdras e Neemias usando de sua posição junto ao rei (no mínimo equiparado a algum servidor público de alto escalão) para reedificar Jerusalém, quanto a história de Ester, que no livro é pintada com cores suaves de romantismo, mas que age politicamente, do alto de seu "posto", em benefício do povo de Deus, e mais, é digno de nota que Mordecai usou a lei dos medo-persas (leis pagãs), e de sua função legislativa (dada por um déspota, sanguinário e vil), propondo um edito para salvar os judeus, Volte no tempo e você verá a mesmo coisa com José no Egito. Paulo não apelou a Cesar e ao direito romano em mais de uma ocasião?

Não há uma só linha na Bíblia que sugira o abandono da sociedade em que vivemos, nas mãos dos ímpios. Parece certo insistir que Jesus nunca arvorou a reconstrução isolacionista de um reino teocrático terreno (ele foi enfático no exato oposto), e nem exigiu que seus discípulos se tornassem os regentes políticos do mundo, seja por articulação ou tomada de poder, mas é absolutamente claro, há ordem para que eles lutem, até sob o risco de perde a vida, pela preservação daquilo que ainda aponta para Deus no mundo, e do mesmo modo expor os erros dos governantes, ao que, penso, Paulo interpreta em duas faces: orar pelos governantes para que tenha vida pacífica (note, não para que se convertam e nem para que caiam e sejam substituído por cristãos), inclusive sendo na prática um bom cidadão, dando louvor a quem merece, e aproveitando as oportunidades de melhorar, acender socialmente e fazer o bem pessoalmente, que certamente são bençãos de Deus.

sábado, 15 de setembro de 2018

PENSE:

Resultado de imagem para voto em transito

Em 7 de outubro, cristão, o seu não-voto, seu voto nulo ou em branco, significará, no mínimo:

"Aceito passivamente que uma nação que já foi oficialmente cristã, e que embora atualmente laica, se torne cada vez mais hostil ao cristianismo" - quebra do 1º mandamento.

"Concordo com a sistemática implementação da retirada, obliteração, re-significação, ou mutilação de tudo que aponta para Deus em nossa sociedade e governo" - quebra do 2º mandamento.

"Permito que a história seja revisada para que tudo de bom seja chamado de mau e tudo de mau seja chamado de bom, em especial aquilo que diretamente e nominado a Deus" - quebra do 3º mandamento.

"Promoverei a continua desobediência a vontade prescrita de Deus, retirando do cenário público todo o freio moral dado por Ele aos nossos pais, quer seja nas mudanças dos códigos civis, penais e processuais, quer seja nas ações dos magistrados que são indicados pelo poder eletivo, que por inação deixarei continuar" - quebra do 4º mandamento.

"Não farei nada contra a casta de bandidos com foro privilegiado, alcunhados de políticos, que se escondem nas casas legislativas ou nos palácios executivos" - quebra do 5º mandamento.

"Não estou nem aí para a autorização do assassinato de milhares de crianças nos úteros de suas mães" - quebra do 6º mandamento.

"Não me importo que seja ensinado para nossos filhos, por força de lei, a fluidez¹ sexual" - quebra do 7º mandamento.

"Não me preocupa a corrupção endêmica, sistêmica e organizada instalada no nosso país" - quebra do 8º mandamento.

"Não vejo problemas a instalação e aprofundamento do movimento marxista cultural em nossa sociedade" - quebra do 9º mandamento.

"Não objeção a politica econômica diabólica do socialismo ou igualitarismo que tanto prejudica os mais pobre e oficializa o roubo aos mais ricos" - quebra do 10º mandamento.

"Sou indiferente a oportunidade dada por Deus a nossa sociedade de ditar certas direções para a Nação, e vou preferir me calar quando a justiça e a verdade clamam por uma manifestação" --- FALTA DE FÉ!

DEUS NÃO TOMARÁ POR INOCENTE OS QUE ASSIM PROCEDEREM!

Não seja impassivo e nem se isente de se manifesta da forma que o magistrado civil, outorgado por Deus, deliberou que você fizesse. Se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para o povo de Deus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevado a cidadão?
-------------------
¹ por fluidez sexual entenda a nova ideia de uma criança não nasce homem ou mulher, que a biologia não é determinante, e que nesse assunto pode tudo, hétero, homo, bi, a, LGBTXYZ, é a completa destruição de princípios criacionais dado ao ser humano em sua semelhança com Deus, uma afronto pavorosa a Ele.

sexta-feira, 16 de março de 2018

TODA MORTE NOS DIMINUI!

Não importa se é a do físico famoso, da esquerdista transloucada, do seu Zé da esquina ou do bebê que ainda não nasceu. O valor da vida humana é tão mais alto, tão maior, que a mera exposição ao risco desnecessário já deve ser retalhada, fortemente!

Isso é uma das coisas que os esquerdistas, os modernos humanistas, os progressistas e toda turma simpatizante de bandido que se arrola como defensor dos direitos humanos não entende (ou não quer entender): A repressão ao crime precisa ser formal e diretiva, eficiente e constante, poderosa e marcante, por causa do valor da vida.

Todo crime, não importa seu tamanho, o nível de ofensa, e o transtorno causado, é sempre, em última instância, contra a vida --- falando obviamente da esfera natural-material, não abordo a ofensa a Deus e nem a moralidade social da coisas. A única lógica do roubo é que se trata de um crime e como tal deve ser punido.

Já o mero trauma psicológico de por furto ou roubo ter sido privado de algo particular (mesmo que sem importância ou valor econômico), ou de ter sido invadida a sua privacidade --- quem já teve sua casa arrombado, sabe bem o que é isso --- é mais que suficiente para a rechaçarmos tais atentados com todo o peso da lei.

Ademais quando um criminoso de delitos pequenos percebe que suas atividades não trazem consequências imediatas, ele se sente seguro a avançar e há então um salto na violência perpetrada. O assassinato, na maioria dos casos, é só um meio para se concretizar o roubo. Quase sempre a morte é para facilitar o roubo, ou porque a vítima reagiu, as vezes apenas tentando fugir, ou mesmo no susto!

Mas essa indignação seletiva, esse clamor só pelos do grupelho é diabólica. Se invadem um terreno de um empresário, fazem até show lá para comemorar a expropriação (nome chique para roubo) em nome do "valor social da terra", mas quando é o equipamento de som que é 'socializado' aí ficam com raiva; quando é a vereadora morta, rapidamente gritam que é porque é negra (nem é, era uma morena bem clarinha), mulher e militante, mas quando se chorou pelas militares negras mesmo, mortas, com requintes de crueldade?

Enfim, toda morte nos diminuí, cada assassinato praticado é um tapa na cara de toda a sociedade, uma atentado contra todos; uma vida que se perdeu é um crime praticado em afronta cada um de nós, e nem importa se a vítima por fim até defendia outros crimes ou criminosos. Pensar, mesmo que as idiotices que ele pensava, não é crime --- ainda! --- e embora, apologia ao crime, que ela praticava como esquerdista, precisava ser punida, e na instância determinada que isso deve ser feito e não na aleatoriedade do roubo.

Não me alegro com a morte da PSOLista, aquilo não foi justiça, foi assassinato. E embora haja certa ironia em tudo isso, jamais vou comemorar, mesmo que indiretamente o crime, e nem valorar a ação cruel e funesta. Lamento a morte dela, assim como do motorista junto dela, e das outras milhares de vidas perdidas por causa de políticas públicas implementadas e defendidas por ela.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

PROIBIDO VIRAR A ESQUERDA!


Imagem relacionada

Tenho a Socialdemocracia em alta conta, mas sei de suas limitações, e por isso me vejo obrigado a defender um sistema economicamente liberal como a única alternativa que se aproxima do ideal bíblico. A Socialdemocracia tem por premissa fazer o bem ao povo e para isso ela depende dos recursos do povo. A rigor, a tese é: juntar os recursos extras e distribuir àqueles que nada possuem, acabando com a miséria, fácil, fácil. E até aí eu concordo plenamente! O problema é que nem todo que tem algum extra, vai querer cooperar, daí, passa-se a impor a contribuição (impostos sociais)... isso é perigoso!

Creio que a igreja em Atos 2 demonstra perfeitamente como isso deve ser feito. A medida que havia necessidade, eles vendiam o tinham para dividir igualmente entre os que precisavam (v.45). O Texto e o contexto deixam transparecer que não era impositivo. Havia a alegria e singeleza de coração (v.46), e isso era motivado por uma mudança interior pela pregação da Palavra (v.42). O apóstolo Pedro, no episódio de Ananias e Safira, afirma categoricamente que não havia qualquer obrigação de fazer isso (At 5:4).

É certo afirmar biblicamente que não há autoridade humana que possa expropriar algum bem do outro, a não ser por penalidade prevista em lei, e nesse caso lei justa – um rei não pode simplesmente decretar a tomada a força das terras de alguém (1 Rs 21). Os impostos devem ser comedidos – no caso é justo o Governo cobrar para se manter, sabendo que sua única razão de ser é a luta ativa pela justiça (poder de espada, Rm 13 – podemos até discutir até onde isso vai, mas é só isso que é sua função), e a contribuição social deve, sobre tudo no Novo-testamento, ser voluntária.

sábado, 7 de outubro de 2017

PRESBITERIANO E MARXISTA, PODE?!



O cristianismo bíblico é uma Verdade que afeta toda as coisas da vida humana. Fora as decisões do Supremo Concílio da IPB, claramente contrárias aos ideais marxistas, não podendo ter, de forma coerente, um presbiterianos comunista, socialista ou marxista (ou ainda na sua vertente falsamente democrática, o esquerdista), coisa fácil de verificar nas Sagradas Escrituras são as inúmeras falas divinas que legislam sobre cada aspecto social, cultural e filosófico. Em todas elas, é absolutamente claro a contrariedade com os pensamentos de Karl Marx ou de Friedrich Engels, os "papas" do esquerdismo.

A Bíblia não é ideológica ou politicamente neutra, por isso mesmo nem a fé Reformada e nem a IPB, o são... logo, por simples obviedade nenhum pastor presbiteriano pode ser, que dirá esquerdista (marxista, comunista, socialista)!

As mentiras sociais propostas pela turma de esquerda não só fracassam diante de uma análise bíblica porque não são verificáveis -- em qual pais mesmo houve a divisão igualitária das riquezas? -- mas porque os próprios fundamentos dessa ideologia são anticristãos. Desde tentar erguer aqui um reino e paraíso (o ideal) sem Deus, até a forma que isso é buscado, o sacrifício das massas, a morte dos dissidentes, a luta de classes e a manipulação da verdade, são coisas abomináveis não só para o homem cristão, que conhece a Palavra, mas para qualquer ser humano que tenha o mínimo de senso crítico e lisura de caráter.

Pregar o Evangelho será também descrever todo os mandatos divinos, e ensinar sobre tudo que Deus mesmo ensinou. Orar pelos governantes, será também fazer como João Batista fez, denunciar sua pecaminosidade. Ficar neutro diante das imundices que essa mente diabólica tem ostensivamente chamado de bom e certo, as vezes até com a alcunha de cristianismo ou amor, é tanto pecado de omissão, como chamar o mal de bem e o bem de mal.

Não confunda amar o próximo como a ti mesmo com os ideias socialistas; Cristo não foi o primeiro comunista; cristianismo e marxismos não podem estar na mesma frase a não ser para nominar grupos rivais.

Decida-ss: Cristo ou Marx, os dois não dá!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Um vislumbre extraordinário nas coisas ordinárias


Resultado de imagem para agents of shield
As vezes eu fico impressionado como o ímpio (pra ser justo, talvez só o não-regenerado) as vezes esbarra com a Verdade e a compreende de um modo realmente interessante, muitas vezes com mais acuidade que o filho de Deus.

Assistindo a séria Agents of SHIELD em uma determinada situação, cada um dos principais personagens é levado a mudanças gigantescas, apenas pela manipulação de um único detalhe em suas vidas. Um mísero acontecimento ruim diferente, e eles estão em uma realidade alternativa (não só por isso, há outros detalhes que em não vou comentar).

Muitos cristão não conseguem compreender isso. Não conseguem olhar a própria história e perceber que cada minúsculo detalhe nos trouxe inexoravelmente onde estamos, nos fizeram exatamente quem somos -- e se filhos de Deus, então alvo do amor divino. Ora, pela boa lógica já, com apenas essa demonstração (visível para um roteirista de série de televisão) qualquer um que creia num Deus conforme nos aponta a Bíblia deveria ser capaz de calmamente confiar, e dizer confiadamente: "Deus está no controle", e que cada situação, por mais insignificante, trágica ou comum que seja, foi por Ele pensada, pesada, programada, DECRETADA!

Mas em havendo diversos textos bíblicos que apontam para essa VERDADE (A soberania exaustiva de Deus), é de entristecer saber que a grande maioria dos (que se dizem) cristãos, argumentam no máximo -- e mesmo assim com muita dificuldade -- que as coisas ruins, ou infortúnios, são apenas permissões (um quase "sem querer querendo...") de Deus. Imaginam que assim estão poupando o Divino de se "sujar com" algumas de nossas vicissitudes.

Quão fraco é esse deus imaginado, quão sem sentido é adorar um senhor assim, que no máximo, na mais 'piedosas' de suas versões, fica passivo à vontade humana, e na pior e mais maligna sugestão, se surpreende e chora entristecido com as mazelas naturais do universo.

DEUS ESTÁ NO CONTROLE! Nosso Senhor foi claro em dizer que Deus cuida das aves do céus e das flores do campo, como não haverá de cuidar de nós (os eleitos, e só estes!) que velemos muito mais que aves ou flores? Ora, cada fio de cabelo em nossas cabeças está contado, e mesmo valendo tão pouco nem um passarinho cai sem que Deus esteja diretamente envolvido nesse acontecimento.


As situações da nossa vida não são sucessões de acontecimentos aleatórios e sem sentido definido. Numa casa há muitos utensílios, e cada um deles tem sua função, uns para honra outros para a desonra... até o ímpio foi criado para o dia da calamidade, e contra eles será lançado até a Verdade divina que ficou estampada em filmes, livros, músicas e não quiseram ver. Não seja por demais impertinente. Não ignore tão grande salvação!

domingo, 30 de julho de 2017

Divórcio e Novo Casamento

por John Murray
Tradução de Caio Leite

“Eu digo a vocês, qualquer um repudiar sua mulher, sem ser por fornicação, e casar com outra; comete adultério. E o que casar com a repudiada também comete adultério” Mateus 19:9.

A respeito do divórcio, e de suas implicações, dentre todos os relatos, esta é a passagem mais fundamental no Novo Testamento. Ela ocupa essa posição crucial, particularmente porque é a única passagem do Novo Testamento na qual temos a combinação de duas cláusulas: A cláusula excepcional (mh, epi, porneia) e a cláusula do novo casamento (kai, gamhsh / allhn). Ambas estas cláusulas ocorrem em outras partes, a primeira em Mateus 5:32 (no parekto "logou porneia") e a última em Marcos 10:11 (também na forma kai gamwn eteran em Lucas 16:18). Mas somente em Mateus 19:9 elas são simultâneas.

Não parece ser apropriado dizer que não haveria dúvida quanto à legitimidade de um novo casamento (por parte do cônjuge inocente após o divórcio por adultério) se não tivéssemos Mateus 19 9. A questão pode muito bem emergir em Mateus 5:32. Pois se um homem pode se divorciar corretamente de sua esposa infiel e se esse divórcio dissolve o vínculo matrimonial a questão do novo casamento é inevitavelmente colocada. Novamente, embora não haja alusão ao adultério como exceção em Marcos 10:11 e Lucas 16:18, a lei do Antigo Testamento sobre o adultério e o caráter peculiar do pecado de adultério podem nos obrigar a perguntar se é ou não. Afinal, o adultério não poderia ser uma exceção fictícia notável pelo princípio afirmado nessas duas passagens. Além disso, I Coríntios 7:15 certamente nos enfrentaria com a questão do efeito que a deserção de um parceiro incrédulo teria sobre o estado civil do crente abandonado.

No entanto, Mateus 19:9 é notável, pois a questão da legitimidade ou ilegitimidade do novo casamento após o divórcio por adultério é impelida sobre nós de forma direta e inevitável.

No estágio atual da discussão vamos supor que o texto correto de Mateus 19:9 é lido da seguinte forma: legw de; umin oti o’ anapolush/ thn gunai kai; autou mh; epi; porneia/ kai; gamhsh/ allhn, moicatai. A questão da variação textual será discutida mais adiante. Sobre a leitura do texto acima, é bom passar por ele e notar algumas de suas características únicas:

     I.        Este texto não retrata o caráter do pecado do homem, se ele repudia sua esposa (por qualquer outra causa que não seja adultério) sem se casar novamente. Como já foi dito, Mateus 5:32 trata essa questão de maneira muito direta e decisiva com e vê o pecado do homem do ponto de vista de sua responsabilidade no envolvimento, e do consequente envolvimento com a mulher divorciada. Em Mateus 19:9, no entanto, o foco é o pecado do homem que contrai outro casamento após o divórcio ilícito, sendo sujeito ao julgamento nítido de nosso Senhor.

   II.        O homem que repudia sua esposa (exceto por fornicação) e se casa com outro é claramente condenado como um adúltero. Esta é uma inferência corretamente tirada de Mateus 5:32, mas que aqui está explícita.

 III.        Os direitos de uma mulher em se divorciar seu marido por adultério e o pecado da mulher que se casa novamente após o divórcio por qualquer outra razão não são retratados nesta passagem. Só em Marcos 10:12 há alguma alusão expressa à ação do divórcio por parte da mulher e, como veremos mais adiante, não se faz uma referência intrínseco ao direito do divórcio, mas apenas ao caráter adúltero do novo casamento.

No entanto, verdadeiro X da questão em Mateus 19:9 é a força da cláusula de exceção, "exceto por fornicação" (mh, epi, porneia). Em termos reais do texto, a questão é: Esta cláusula excepcional se aplica às palavras gamhsh/ allhn e, portanto, a moicatai, bem como ao verbo apolush? Sem dúvida, todavia a cláusula de exceção oferece uma exceção ao erro de se divorciar. No tipo de erro em que ela inocenta o marido não é intimado (do mesmo modo que em Mateus 5:32), mas, assim como na última passagem, fala da liberdade concedida ao marido inocente. Assim como Mateus 5:32, não diz que o homem é obrigado a se divorciar de sua esposa em caso de adultério por parte dela. Simplesmente concede esse direito ou liberdade. A questão então é: Esta exceção, por direito ou liberdade, se estende ao novo casamento do marido divorciado, bem como de se divorciar? Obviamente, se o direito se estende ao novo casamento, o marido (em tal caso) não cometeria o pecado do adultério em seu novo casamento.

Sobre esta questão, a igreja na prática, está fortemente dividida. Por um lado, há aqueles que afirmam que Mateus 19:9 (como também Mateus 5:32) dá ao marido inocente o direito de afastar a mulher que cometeu adultério, mas isso não dá qualquer licença para a dissolução do vínculo matrimonial e do novo casamento do cônjuge inocente. Em outras palavras, o adultério dá o direito de separação do leito e da mesa (a thoro et mensa), mas não rompe o vínculo do casamento nem dá o direito de dissolver esse vínculo. Talvez a mais notável defensora desta posição é a igreja católica romana. No entanto, esta posição não deve ser considerada como unicamente romana. O notável pai latino, Agostinho, pode ser colocado como apoiador desta interpretação. O direito canônico da igreja da Inglaterra, embora permita a separação por adultério, não permite o novo casamento das partes que estão separadas, se ambos estiverem vivos.

Se o texto de Mateus 19:9 (citado acima) for adotado como o texto genuíno e autêntico, então é consideravelmente difícil em manter essa posição. O motivo é visível. É difícil restringir a cláusula excepcional para o afastamento (apolush) e não estendê-la também ao recasamento (gamhsh / allhn). No entanto, esta é a construção que deve ser mantida se for interpretado como ilegítimo o recasamento pós-divórcio por adultério em Mateus 19:9. A igreja romana insiste que a cláusula excepcional modifica o primeiro verbo na declaração em questão, mas diz que isso não se aplica ao segundo. Esta exegese é expressa muito claramente por Aug. Lehmkuhl, como segue:

“A exclusão completa do divórcio absoluto (divortium perfectum) no casamento cristão é expressa nas palavras citadas acima (Marcos x; Lucas xvi; I Coríntios vii). As palavras do Evangelho de São Mateus (xix, 9), ‘exceto por fornicação’, todavia dão lugar ao questão de  não se permitir o afastamento da esposa e a dissolução do vínculo matrimonial por causa do adultério. A Igreja Católica e a teologia católica sempre sustentaram que de acordo com tal explicação Mateus seria forçado a contradizer São Marcos, Lucas e Paulo, e os convertidos instruídos por estes últimos teriam sido enganados em relação à verdadeira doutrina De Cristo. Como isso é inconsistente com a infalibilidade do ensinamento apostólico e a inerrância da Sagrada Escritura, a cláusula de Mateus deve ser explicada como a mera demissão da esposa infiel sem a dissolução do vínculo matrimonial. Tal demissão não é excluída pelos textos paralelos em Marcos e Lucas, enquanto Paulo (I Coríntios vii, 11) indica claramente a possibilidade de tal demissão: ‘e se ela partir, que permaneça solteira, ou se reconcilie com marido dela'. Gramaticamente, a cláusula de São Mateus pode modificar um membro da sentença (o que se refere ao afastamento da esposa) sem ser aplicada ao seguinte membro (o recasamento do outro), embora devamos admitir que a construção seja um pouco estranha. Se isso significa: ‘Qualquer que repudiar sua mulher, exceto por fornicação, e se casar com outra, comete adultério’, então, em caso de infidelidade conjugal, a mulher pode ser posta de lado; mas, neste caso, não pode ser concluído a partir destas palavras que o adultério não é cometido por um novo casamento. As seguintes palavras: ‘E quem casar com a repudiada’ - portanto para a mulher que é repudiada por adultério – ‘comete adultério’, é dito o contrário, pois se supõem a permanência do primeiro casamento.”

Mesmo para apologista da interpretação romana, esta construção de Mateus 19:9 é considerada "um pouco estranha". Veremos que isso está mais para um eufemismo.

De fato, deve admitir-se que a cláusula excepcional é por vezes utilizada no grego para indicar “uma exceção de algo mais geral do que o que foi efetivamente foi mencionado”. Temos exemplos desse uso do eij mhv em Mateus 12:4; em Romanos 14:14 e provavelmente em Gálatas 1:19. Nesse caso, a exceção aqui expressa não seria uma exceção ao princípio de que quem rejeita sua esposa e se casa com outra, comete adultério, mas simplesmente uma exceção ao princípio de que um homem não pode se afastar de sua esposa. Consequentemente, a verdadeira intenção de toda a sentença seria: "Mas eu vos digo que qualquer que rejeitar a sua mulher e casar com outra, comete adultério - um homem só pode se afastar sua esposa por causa de fornicação". Essa interpretação faz sentido por si só e resolveria muitas dificuldades na harmonização dos relatos apresentados nos três evangelhos sinópticos. Contudo, a questão permanece: Esta construção é defensável? Há motivos preponderantes para rejeitá-la.

     I.        Se a cláusula excepcional é como está indicado acima; não sendo uma exceção ao que é expressamente declarado, mas uma exceção a outra consideração estreitamente relacionada e mais geral; isto é uma forma de expressão muito incomum, se não incomparável. Em outros casos em que temos esse tipo de exceção, a construção é bem diferente daquela do nosso texto. Nesses outros casos, a afirmação daquilo a que se acrescenta uma exceção mais geral é dada em primeiro lugar na sua integridade e depois segue a exceção em sua completude. Mas este não é o caso - a exceção é inserida antes que a declaração seja concluída. Portanto, a analogia não favorece essa representação.

   II.        Embora seja gramaticalmente verdadeiro que uma cláusula excepcional possa modificar um membro de uma frase sem modificar o outro, deve ser notado, neste caso particular, que o único membro que a cláusula excepcional que é supostamente modificado na construção romana não está e não pode estar sozinho na sintaxe da sentença em questão. Mesmo se a cláusula kai; gamhsh/ não fizer qualquer modificação por exceção não chegamos a qualquer solução quanto à estrutura gramatical. A fim de completar o sentido do que é introduzido pela cláusula (o’ an apoluvsh/ thn gunai kai, autouv) devemos passar para o verbo principal, moicatai. Mas se fizermos isso sem referência à cláusula de novo casamento (kai; gamhsh/ allhn) obtemos um absurdo e uma afirmação falsa, "aquele que rejeita a sua esposa, exceto por fornicação, comete adultério". Em outras palavras, deve ser observado que nesta frase como tal, nenhum pensamento é completo sem o verbo principal, moicav tai. O pensamento dominante nesta passagem é ideia de cometer adultério no novo casamento; suprimir isso é totalmente indefensável. Portanto, a cláusula muito excepcional deve ter relação direta com a ação denotada pelo verbo que a governa. Mas, para ter influência direta sobre o verbo principal (moicatai), ela também deve ter relação direta com o que deve ocorrer antes que a ação denotada pelo verbo principal possa produza seus efeitos, o casamento com outro. Esta orientação direta que a cláusula excepcional deve ter sobre o recasamento e sobre o adultério é simplesmente outra maneira de dizer que, no que se refere à sintaxe da sentença, a cláusula excepcional deve ser aplicada ao adultério no caso do novo casamento, bem como ao erro de repudiar. Uma comparação com Mateus 5:32 ajudará a esclarecer este ponto. Lá é dito, "Todo aquele que rejeitar sua esposa, exceto por fornicação, faz com que ela cometa adultério". Neste caso, a cláusula excepcional tem pleno significado e relevância independente do novo casamento por parte do marido divorciado. Isto é assim porque o pecado contemplado por parte do marido divorciado não é cometer adultério por sua parte, mas a tornar sua esposa adúltera. Mas em Mateus 19:9 o caso é completamente diferente. O fardo que se pensa no 19:9 é o cometimento de adultério por parte do próprio marido divorciado. Mas este pecado de sua parte pressupõe seu novo casamento. Consequentemente, na sintaxe verdadeira da sentença, o significado e a relevância da cláusula excepcional não podem ser mantidos para além de sua aplicação ao novo casamento, bem como ao repúdio.

 III.        O que é contemplado nesta sentença não é meramente o repúdio, como em Mateus 5:31-32, mas o repúdio e o novo casamento por parte do marido. Por isso, ela deve ser cuidadosamente distinguida do logion de Matt. 5:32 e deve ser colocado na mesma categoria que Marcos 10:11 e Lucas 16:18. Portanto, o assunto tratado é o divórcio e o novo casamento em coordenação, e esta coordenação não deve ser perturbada de forma alguma. É isto que conduz e prepara o terreno para o verbo principal, o adultério por parte do marido divorciado. Portanto, seria injustificável relacionar a cláusula de exceção com qualquer outra coisa que não a coordenação. Além disso, a cláusula excepcional está em posição natural em relação à coordenação e com referência ao pecado resultante ao qual ela fornece a exceção. Onde mais a cláusula de exceção poderia ser colocada, se ela se aplica a todos os três elementos da situação expressa? E ela está na posição natural como aplicada à coordenação, a construção natural é a que contempla uma exceção à afirmação da sentença em sua totalidade.

 IV.        O divórcio permitido ou tolerado sob a organização mosaica tinha poder para dissolver o vínculo matrimonial. Esta permissão mosaica sobre divórcio é referida no contexto desta passagem, bem como em Mateus 5:31 e na passagem paralela em Marcos 10:2-12. Em cada um desses casos, o mesmo verbo (apoluw) é usado com referência a esta provisão Mosaica. Ora, já que este era o efeito do divórcio aludido nesta passagem e já que não há a menor indicação de que o vigente divorcio por adultério, legitimado em Mateus 19:9 e 5:32, tinha um efeito totalmente diferente, estamos certamente justificados a concluir que o repúdio sancionado por Nosso Senhor foi destinado a ter o mesmo efeito na questão de dissolver o laço de casamento. Deve-se notar que a lei aqui enunciada por Jesus não sugere qualquer alteração na natureza e efeito do divórcio. A mudança sugerida por Jesus era antes a abolição de qualquer outra razão permitida nas disposições mosaicas e a especificação distinta de que o adultério era agora o único fundamento sobre o qual um homem poderia legitimamente se afastar de sua esposa. O que é ab-rogado então não é o divórcio em sua dissolução concomitante do vínculo matrimonial, mas todo o terreno para o divórcio que não seja adultério. Se o divórcio envolve a dissolução do vínculo matrimonial, então não devemos esperar que o novo casamento seja considerado adultério.

   V.        É bem razoável supor que se o homem pode, de forma legítima, se afastar sua esposa, pois no adultério o laço do casamento pode ser dissolvido. Em qualquer outra suposição, a mulher que cometeu adultério e que foi repudiada ainda é, na realidade, esposa do homem e uma só carne com ele. Se assim for parece muito anômalo que o homem deve ter o direito de afastar alguém que é permanentemente, enquanto a vida durar, sua esposa e é uma só carne com ele. Tomar medidas que aliviem as obrigações do matrimônio enquanto o laço conjugal é inviolável dificilmente parece ser compatível com a ética conjugal como ensinado na própria Escritura. É verdade que Paulo distintamente contempla a possibilidade de separação sem dissolução e propõe o que a lei em tal contingência (I Cor. 7:10-11). Mas prover e sancionar a separação permanente enquanto o laço do casamento permanece inviolável é algo que é estranho a todo o teor do ensinamento bíblico em relação às obrigações que existem e que são inseparáveis ​​do vínculo conjugal.

 VI.        A posição de que o adultério garante separação, mas não a dissolução do vínculo matrimonial, parece entrar em conflito com outro princípio da Escritura que se aplica ao caso agravado pela fornicação ou pela prostituição. Se o adultério não dá fundamento à dissolução do vínculo matrimonial, então um homem que não pode obter a dissolução mesmo quando sua esposa o abandonou pela prostituição. Isso parece bastante contrário ao princípio de pureza expresso pelo apóstolo (I Cor. 6:15-17). Parece, portanto, que a dissolução do vínculo matrimonial deve ser o meio apropriado e, em alguns casos, o meio obrigatório de garantir a libertação de um vínculo que se liga tão singularmente a alguém que está contaminado desse jeito.

Nestes vários motivos, podemos concluir que não é possível interpretar a cláusula excepcional de Mateus 19:9 como sendo aplicada apenas à separação e não ao novo casamento por parte do marido divorciado. As considerações preponderam mais em favor da conclusão de que quando um homem repudia sua esposa por causa da fornicação, este afastamento tem o efeito de dissolver o vínculo do casamento; com o resultado de que ele é livre para voltar a se casar sem, assim, incorrer na culpa do adultério. Em termos simples, isso significa que o divórcio em tal caso dissolve o casamento e que as partes não são mais marido e mulher.

FONTE: http://www.the-highway.com/divorce_Murray.html