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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

SEU TRABALHO É INÚTIL?

Salmo 127, verso 2 -  Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.

A Palavra de Deus começa dizendo que Ele criou o homem, Adão, com o propósito de governar o mundo criado. No entanto, ela nos diz também que o SENHOR designou um trabalho para ele: proteger e cultivar o Jardim do Éden. Ou seja, sendo a primeira 'profissão' a de jardineiro, criada pelo próprio Deus, não se deve jamais concluir que o trabalho seja uma maldição.

Entretanto, é certo afirmar que depender do trabalho, especialmente de algum tipo difícil e extenuante, é sim um castigo divino; parte da maldição trazida pelo Pecado Original. Afinal, antes da Queda, o homem podia comer livremente de toda árvore frutífera plantada por Deus, mas depois do Pecado, seria do suor do rosto que ele teria o que comer, e com dificuldade, inclusive vinda da fraqueza da terra, que, além de tudo, produziria conjuntamente as "ervas daninhas".

Mas não é por isso que devemos inferir que é na força do nosso trabalho que estaremos seguros. Afinal, a Bíblia também aponta que, mesmo sendo extremamente diligentes em nossas tarefas, o resultado não é garantido. Muitas vezes, o trabalho correto e bom, até o mais extenuante, é verdadeiramente inútil. De fato, a Palavra afirma que situações, imprevisíveis, corriqueiramente, afetam tudo e todos, e por fim, o que era esperado não vem.

Não que a Palavra de Deus valorize o ócio ou dignifique a malandragem. Deus não valida a irresponsabilidade; não devemos tentar a Deus, quer seja pulando de um pináculo acreditando que Ele não permitirá que nos machuquemos, ou acreditando que os gastos excessivos do cartão serão "magicamente" pagos com orações feitas e versículos citados fora do contexto. Mas a verdade é que as Escrituras Sagradas são prodigiosas em harmonizar duas ideias aparentemente antagônicas: devemos trabalhar como se tudo dependesse de nós, mas ter a certeza de que tudo depende exclusivamente dEle.

Quando no verso 2, o salmista afirma que o trabalho intenso, imparável e desgastante é inútil, a razão desse diagnóstico não está na forma, quantidade ou dificuldade do trabalho, e nem mesmo no propósito ou razão dele. O problema todo gira em torno do valor do resultado. Especialmente, o valor eterno. Na verdade, todo o Salmo 127 está dizendo que o SENHOR é quem valida o trabalho que realizamos. Qualquer que seja.

Em outras palavras, Ele avalia e atribui resultado às nossas ações. Deus é quem certifica com crescimento a boa semente plantada. NOTE, isso não dispensa o semeador de semear, o construtor de edificar, ou o sentinela de vigiar. Ao contrário, a certificação divina é quem estabelece as atividades e o resultar delas.

É importante que se saiba, o SENHOR não está preso a um sistema mecanicista de causa e efeito. Ao estabelecer os fins, Ele determina os meios, como Lhe apraz. Ele levanta um e abate outro. Permite o justo sofrer aqui e farta o ímpio de bens. As coisas, simplesmente, não são como achamos que devem ser. Elas seguem o plano infalível de Deus, que em geral, nos escapa completamente.

Assim, nossa responsabilidade é trabalhar com determinação, não para suprir nossas necessidades básicas, pois desse modo agem os ímpios, mas principalmente por ser uma ordem do Criador, nosso Deus. Sem nos esquecermos, por mais virtuosos que pensemos ser, somos realmente incapazes sequer de nos prover o básico. E por isso, é necessário confiar no Pai Celeste (se é que você O tem) eternamente santo, todo-poderoso que é extremamente amoroso e graciosamente bom, que supre o que precisamos, de acordo com Sua vontade, que para os seus é sempre boa, perfeita e agradável...

...até mesmo quando dormimos.



Sem mais, Graça e Paz.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Música, canto e a Igreja

Havendo compromissos conciliares e/ou confessional específico sobre o uso da música no culto, os responsáveis (pastores, líderes ou liturgo, ou liturgista) devem descansar neles, seguindo-os sem maiores contestações, ou questiúnculas. Isso esboçará certa humildade (não fingida) bastante condizente com o que penso ser o ideal do líder cristão. Mas, em não havendo acerto conciliar ou confessional, ou ainda mesmo por causa de certa inquietação – justa, provavelmente – sobre a temática, convém que cada um avalie-se e então pratique aquilo que não condena. Entretanto, devemos nos lembrar, os que estão filiados em concílios, convenções ou associações (que possuem resoluções sobre o tema) devem ser submissos (inicialmente, e sinceramente) a eles, ou claramente darem seus motivos para não serem, aguardando resolução, nas instâncias devidas, sobre essa dissidência. 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os Salmos Imprecatórios

O Luciano, um amigo que tem sempre comentado aqui, fez uma pergunta que eu resolvi responder em forma de outro post, visto que pede uma explanação sobre uma ‘categoria’ de salmos. Assim segue uma pequena e rápida consideração sobre os Salmos Imprecatórios (por exemplo 7, 35, 58, 59, 109, 137). Como a minha idéia é apresentar análises e pastorais baseadas no livro de Salmo, comentários específicos viram mais a frente, por isso tratarei de forma genérica o assunto.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Os Salmos: Arte e Cultura.

Encontrados não só no livro de Salmos, mas em vários livros bíblicos, os salmos estão inseridos num contexto social[1] amplo em que já existia a poesia e as suas leis, de modo que os salmistas canônicos não são os criadores do tipo de poesia (salmo). Esses se apropriaram deles como ferramentas, usando-os na expressão do pensamento, crença e esperança, fazendo dessa arte não só um instrumento de ensino, mas também um ‘artefato’ religioso.

Contrariando a poesia ocidental onde a sonoridade produzida pela rima é apreciada e diligentemente buscada, os salmos, apresentam construção temática ligada ao significado e ao pensamento do autor. Normalmente utilizando de paralelismo a poesia exprime um pensamento em dois versos sucessivos, mudando os termos e a forma, que pode ser quanto ao significado (sinonimico), por contraste (anestético), por complemento (sintético) e por intensificação (climático).

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Senhor é o seu pastor?

O rei Davi escreveu, há cerca de 3000 anos, por inspiração divina, a famosa poesia que conhecemos como Salmo 23. Utilizando-se de alegorias do dia-a-dia pastoril, afinal, o rei Davi, havia sido pastor de ovelhas, é nos apresentado uma profunda espiritualidade.

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo;
a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos,
unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida;
e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.

         Já nos primeiros versos nós encontramos uma descrição da confiança que Davi depositava na pessoa de Deus, Davi era a ovelha; Deus, o Senhor, era o seu pastor. Assim como uma ovelha depende de seu pastor para viver, Davi submissamente confiava na providência de Deus. Ele sabia que não sentiria falta de nada em sua vida. Essa confiança na provisão divina se estendia em todas as faces de sua vida. Seja nas necessidades físicas, como comida ou moradia, seja nas questões psicológicas, alegria ou paz. Para o rei Davi, até o seu repouso e descanso vinham do Senhor, para ele o refrigério, o alívio para a correria dos dias, era dado pelo próprio Deus. Até as veredas da justiça, o caminhar honesto da vida desse homem – que vivia segundo o coração de Deus – eram guiadas pelo Senhor.

         “Será que você está disposto a ter uma vida de confiança no Senhor? Está disposto a viver segundo a providência de Deus? Lembre-se Davi era o servo, Deus, o Senhor. Como uma ovelha que depende de seu pastor, Davi está disposto a simplesmente confiar nos desígnios e nas direções de Deus, que sabe os melhores e mais seguros lugares para encaminhar nossa vida. Confie nas ordens que Deus nos dá através de sua palavra, a Bíblia Sagrada, sabendo que ele nos protegerá.”

         Avançando um pouco, no verso 4, o Rei Davi destaca que a segurança nas diversas situações da vida viam da presença de Deus. Afirmando que o bordão e o cajado de Deus serviam de proteção para sua vida, Davi não temia nenhum mal, pois ele sabia que vivendo em obediência, Deus o protegeria. É claro que Deus não anda com uma vara e um cajado em suas mãos, nesse verso Davi novamente usa uma figura de sua experiência como pastor de ovelhas, afirmando que a disciplina de Deus, representada pela vara ou o bordão, serve para o seu bem. Em Hb 12;6 a Palavra diz “...porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.”, ou seja, Deus como um pai amoroso ou mesmo como um pastor cuidadoso, usa a vara, o açoite, para nos guiar pelos caminhos melhores. Outra afirmação interessante é que mesmo quando as situações da vida fossem ruis ao ponto da morte rodear o caminho da sua vida, ele não temeria, afinal, a mão de Deus o guardaria, o cajado de Deus manteria longe as adversidades que pudessem ameaçá-lo realmente.

         “Será que você está disposto a seguir obedientemente as direções divinas? Ou você age como um animal empacado, teimoso que precisa ser bastante açoitado para ser obediente?”

         Já no verso 5 do Salmo 23, o Rei Davi pede que o Senhor prepare uma mesa para ele. Aqui a idéia apresentada no texto nos faz pensar em um banquete, uma festa prepara por Deus a Davi. Quando preparamos um almoço ou um jantar para alguém é porque queremos honrá-lo, ninguém paga a conta do almoço de alguém de quem não gosta. Nessa parte do texto, Davi quer  se agradado por Deus, ele quer ser honrado por Deus, a festa que vale a pena para ele é aquela promovida pelo Senhor.

         “Será que você está buscando agradar a Deus ou a outras pessoas, para você que honra é a melhor, os títulos e as premiações ganhas ou o valor que vem de Deus?”

         No último verso desta linda poesia de louvor e adoração que o rei Davi escreveu inspirado pelo Espírito de Deus, ele nos apresenta a certeza das dádivas do Senhor em sua vida. Para Davi era certo que a bondade e a misericórdia estariam presentes em todos os dias de sua vida e que a casa de Deus seria o lugar aonde ele se sentiria seguro. O Rei Davi tinha certeza que mesmo em meio ao caos, ou correndo risco a vida, afinal Davi tinha adversários que inclusive tentaram matá-lo, ele sabia que Deus estava com ele e o protegia. Deus era bondoso e misericordioso para com ele, Davi sentia-se cuidado por Deus como uma ovelha nos braços amorosos de um pastor cuidadoso, por causa disto ele agia sempre com bondade e misericórdia ao ponto de tratá-las como companhia certa nas jornadas da sua vida. Jesus nos chama agir deste modo, amar ao próximo com o mesmo amor que recebemos de Deus, no Evangelho segundo Mateus, capitulo 6, Jesus fala de perdoar como temos sido perdoados, e que negar o perdão abre a possibilidade para, da mesma forma não recebermos perdão divino.

         “O perdão ou a bondade e misericórdia tem sido constantes em sua vida? Eu não estou perguntando se a vida tem sido boa e misericordiosa com você, eu estou perguntando se você tem agido com bondade e misericórdia em sua vida? No seu caminhar bondade e misericórdia o tem acompanhado?  Entretanto muito fazem o bem para serem vistos e reconhecimento pelo que fazem, querendo apenas ser honrados e aplaudidos, recebendo prêmios e cumprimentos das autoridades.”


         Por fim muito querem que Deus os abençoe e faça que seus negócios ou sociedades sejam prósperas, mas poucos estão interessados em estar na presença de Deus, muitos querem as bênçãos de Deus, mas poucos querem o Deus das bênçãos.

         “De que lado você está: dos que querem estar na casa de Deus, serem filhos e obedecerem ao Senhor, como Davi diz no final salmo ou dos que querem Deus na sua casa, como um talismã ou uma lâmpada mágica pronta para dar tudo o que você quiser? Afinal, na sua vida quem é o Senhor e quem é o servo? Quem é o pastor? Quem é a Ovelha? Você ou Deus?”