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segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

A VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO NATAL

Artigo baseado no esboço do sermão ministrado no culto solene em 24 de dezembro na 4 Igreja Presbiteriana de Boa Vista-RR, a partir da análise dos termos presentes em Lucas 2.11.


Então é Natal, na verdade, véspera de Natal, e muita gente já está reunida festejando. Tantas outras estão se arrumando para as celebrações em família, e, tristemente, talvez por isso, muitos lugares estão vazios nas igrejas, agora. Pois bem, de alguma forma, ano após ano, nestes dias próximos ao 25 de dezembro, a história do Nascimento de Cristo é recontada. Mais uma vez, e em meio a essas celebrações, por vezes completamente dispares do verdadeiro acontecimento, o verdadeiro Natal ainda se afirma para todos: Deus veio ao mundo! É sobre isso que eu quero refletir, especialmente observando o verso 11 do capítulo 2 do Evangelho de Nosso Senhor, conforme contado por São Lucas Evangelista.

INTRODUÇÃO

O início da tradição natalina em 25 de dezembro é envolto em mistério, mas suas raízes remontam ao século III. Hipólito de Roma, teólogo e líder da Igreja, mencionou em seus escritos que os cristãos egípcios já marcavam o nascimento de Jesus nesta data. O calendário litúrgico de 354 d.C. registra a festa do Natal em 25 de dezembro, porém sem fornecer muitos detalhes sobre como a celebração ocorria na época.

E pouco importa a discussão sobre a influência de Constantino na definição ou oficialização da data. A verdade é que a celebração de dia, ou do que ela representa, não possui respaldo nas Escrituras. Não há menção e nem sequer uma pequena sugestão sobre alguma comemoração de aniversário do SENHOR ou mesmo um culto especial sobre a Encarnação.

Mas é bíblico dizer, a tempo e fora de tempo, que Ele nasceu! É disso que esse verso fala, e, por isso, eu quero fazer seis reflexões a partir dele, e, no fim, apresentar três típicas aplicações sintetizando o que devemos entender, sentir e fazer diante da verdade revelada para nós hoje. Afinal, naquela noite especial Deus decidiu se revelar, e aos mais humildes, aos pastores nos campos, Ele enviou seus anjos para informar tão grande salvação: “é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor".


A GRANDE HISTÓRIA


1. O anjo disse "hoje" - o verso especifica um tempo: ao afirmar um dia, percebemos que a história da Redenção que começa na eternidade, pois Deus, o Redentor, é eterno, se desenvolve no tempo. O versículo 25 do livro de Daniel, capítulo 9, aponta: "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e reconstruir Jerusalém até o Ungido, ao Príncipe, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas." Essas "sete semanas" e "sessenta e duas semanas" totalizam 69 semanas, onde cada semana representa sete anos, somando um total de 483 anos, indicando o tempo do Messias. A referência à "ordem para restaurar e reconstruir Jerusalém" é frequentemente vinculada ao decreto emitido por Artaxerxes I, rei persa. Este decreto permitiu que Esdras retornasse a Jerusalém para reconstruir a cidade e restaurar a Lei. Historicamente, esse decreto é datado por volta de 458 a.C. ou 457 a.C. O cumprimento dessa profecia, marcando a contagem de anos desde o decreto de Artaxerxes até o início do ministério de Jesus, estabelece a conexão temporal e solidifica a compreensão de que Jesus é o Messias esperado. Assim, a profecia de Daniel 9 não apenas fornece uma contagem precisa, sobre os tempos, mas também serve como um elo entre o Antigo e o Novo Testamento, evidenciando o cumprimento das promessas messiânicas das Escrituras, na pessoa de Jesus Cristo.

2. O anjo disse "vos nasceu" – o verso especifica uma ação: ao descrever o nascimento de Jesus, anuncia-se algo muito além de um simples evento histórico. Essa ação que se desenrola no tempo é, de fato, muito especial. Certamente, naqueles dias e naquela mesma cidade, muitas outras crianças nasceram, mas esse nascimento era o único digno de nota pelo mensageiro celestial. Paulo afirma que no tempo devido, Deus estava cumprindo suas promessas feitas a Daniel, e antes dele a Davi, Abraão e a Eva. Em Gálatas 4.4, o apóstolo escreve: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei." Ou seja, o cumprimento das profecias e propósitos de Deus. Essa ação específica é a literal afirmação da doutrina da encarnação. Jesus, o Filho de Deus, assumiu a natureza humana, mantendo simultaneamente sua natureza divina. Essa união única é fundamental para a compreensão da obra redentora de Cristo. A encarnação de Cristo é essencial para a sua obra salvífica, seu mais importante trabalho. Ele precisava ser verdadeiramente homem para representar a humanidade. O Catecismo Maior de Westminster, em sua resposta à pergunta 39, destaca a necessidade do Mediador ser homem. Isso possibilita que "Ele eleve nossa natureza, obedeça à lei, sofra, interceda por nós e compreenda nossas enfermidades". Assim, essa realidade permite que recebamos a adoção de filhos e tenhamos confiança ao nos aproximarmos do Trono da Graça.

3- O anjo disse “na cidade de Davi” – O verso especifica um lugar: Ao mencionar que Jesus nasceu na cidade de Davi, a narrativa transcende a mera geografia histórica. O evangelista Lucas indiretamente traça um ligação entre a promessa do Antigo Testamento e seu cumprimento no Novo Testamento. Em seu relato sobre o recenseamento estabelecido por Quirino, nos primeiros versos deste capítulo, ele impõe que fielmente Deus cumpriu Sua promessa de que o Messias viria da linhagem de Davi. José, descendente de Davi, por decreto romano deveria ir a Belém, a cidade de seu ancestral e leva Maria, sua esposa gravida, que espera Jesus, seu primeiro filho. A escolha específica de Belém, conforme previsto em Miqueias 5.2, não apenas fornece uma localização física, um cenário humilde para sua entrada no mundo, mas também confirma o cumprimento das profecias antigas acerca do nascimento do Salvador. A menção da manjedoura como sinal para os pastores não apenas oportuniza verificabilidade ao relato, mas também destaca a humildade e a simplicidade do nascimento de Cristo, de acordo com as profecias que indicavam que Ele viria como um servo sofredor. O local de nascimento não é apenas uma circunstância histórica (leia os primeiros versos do capítulo, Lucas apresenta informações adicionais precisas sobre tudo isso), mas uma declaração profunda da precisão de Deus em cumprir Seu plano redentor na pessoa do Salvador anunciado. Assim, a cidade de Davi, Belém, torna-se mais do que apenas um ponto no mapa; ela é um elo teológico entre o passado e o presente, unindo as promessas antigas com sua realização na pessoa de Jesus.

4- O anjo disse “o Salvador” – O verso especifica uma razão: Ao proclamar Jesus como o Salvador, a narrativa aponta para a vil condição da humanidade e a verdadeira razão da necessidade de salvação. Esse nascimento é essencialmente a ação divina em resgatar a humanidade, que rompe a nossa escuridão espiritual. O profeta Isaías antecipou esse momento, descrevendo vividamente a chegada do Salvador como uma luz para aqueles que andavam em trevas. O nascimento de Jesus é a realização dessa promessa, trazendo luz e esperança para uma terra aflita (Is 9). João 3:16 enfatiza que Deus enviou Seu Filho unigênito como expressão máxima de Seu amor. Nos versos seguintes, a missão de Jesus, é claramente anunciada, Ele não veio julgar o mundo, mas salvá-lo, proporcionando vida eterna a todos que creem. Mas embora a luz tenha vindo ao mundo, muitos preferiram permanecer nas trevas devido às suas más obras. O nascimento de Jesus também expõe a doença humana de modo inquestionável: a humanidade ama mais as trevas do pecado do que a Luz do SENHOR. Assim, a afirmação de Jesus como o Salvador não é apenas a entrega da solução ou a revelação do amor transformador de Deus, mas um diagnóstico da vil condição em que nos encontramos: precisamos desesperadamente de Salvação!

5- O anjo disse “que é Cristo” – O verso especifica uma identidade: Ao afirmar que Jesus é o Cristo, a superioridade de propósito e a singularidade dessa figura histórica é apresentada. Lucas, no capítulo 4, versículos 18 a 21, aponta isso em outros termos; presente na sinagoga, na leitura da profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor repousa sobre Ele, ungindo-O para proclamar boas novas aos pobres, libertar os cativos, restaurar a vista aos cegos e libertar os oprimidos”, Jesus se identifica como o Messias, quando declara que naquele instante aquele trecho das Escritura se cumpriu, ou seja, para o Evangelista, tanto o bom Mestre tinha clara convicção de sua Missão, como Ele mesmo afirmou demonstrou ser o exato cumprimento das profecias messiânicas. Versos à frente, no relato do testemunho de Simeão (Lucas 2:25-33), essa identidade (escolhida, unção, Cristo) é reforçada. Na passagem, lemos que movido pelo Espírito Santo, Simeão, que esperava a consolação de Israel, foi ao Templo e reconheceu Jesus, ainda bebê, como o Cristo. Ele louva a Deus, reconhecendo que seus olhos viram a salvação preparada para todos os povos, “uma luz para os gentios e glória para Israel”. A conexão entre as profecias do Antigo Testamento e a identidade de Jesus como o Cristo não é resultado do acaso. Simeão, inspirado pelo Espírito Santo, testemunha a concretização dessa promessa divina ao segurar o menino Jesus nos braços. Ao afirmar que Jesus é o Cristo, a narrativa não apenas identifica uma pessoa específica, mas também proclama o cumprimento de profecias antigas em Jesus, a resposta divinamente planejada para as necessidade do Povo, trazendo a salvação não apenas para Israel, mas para toda a humanidade. Assim, a afirmação de que o infante nascido "que é Cristo" não apenas conta de um identificação pessoal, mas revela o perfeito do cumprimento das promessas divinas na pessoa de Jesus.

6- O anjo disse “o Senhor” – O verso especifica uma autoridade: A afirmação de que Jesus é o Senhor vai além de uma mera qualificação; ela descreve a capacidade única do ser divino que se apresentava. Filipenses 2:6-8 revela a extraordinária humildade de Cristo, que, "sendo Deus por natureza, não considerou a igualdade com Deus como algo a ser agarrado. Ele esvaziou a Si mesmo, assumiu a forma de servo e humilhou-se até a morte na cruz". Não só exercendo uma humildade sem precedentes, mas reafirmando a divindade inquestionável de Cristo antes mesmo da encarnação, ministério, morte e ressureição. O Catecismo Maior de Westminster, na resposta à pergunta 38, destaca a necessidade da divindade de Jesus no papel de Mediador. Sua divindade é “crucial para sustentar a natureza humana, garantir a eficácia de seus sofrimentos e obediência, satisfazer a justiça divina, adquirir um povo peculiar, conceder o Espírito Santo, vencer inimigos e conduzir Seu povo à salvação eterna”. A divindade de Jesus não é apenas uma qualidade abstrata, mas uma capacidade ativa de “sustentar a natureza humana e salvar a humanidade da ira de Deus e do poder da morte”. Sua divindade confere “valor e eficácia aos sofrimentos e à obediência”, proporcionando uma redenção completa e efetiva. Como Senhor, Jesus vence todos os inimigos e conduz Seu povo à salvação eterna, cumprindo assim a obra redentora de maneira triunfante. Assim, a afirmação de que Jesus é o Senhor não apenas destaca Sua natureza divina, mas também revela uma capacidade inigualável de Redenção, Salvação e Vitória. Ele é o Senhor que, em humildade e amor, exerce Sua divindade para o benefício eterno da humanidade.

CONCLUSÃO:
Embora tenham se passado mais de dois mil anos, questionar como o Natal ainda afeta você hoje é uma reflexão válida. O Natal é frequentemente reduzido a celebrações comerciais e momentos de "cooperação entre as pessoas de bom coração" que no máximo apontam a moral dos filmes típicos dessa época do ano, mas em meio a todas essas comemorações, lembre-se de que o SENHOR, Deus todo-poderoso, já providenciou tudo para que os SEUS possam viver de maneira digna de Seu Nome.

É necessário saber o verdadeiro significado do Natal: E mesmo que o nascimento de Jesus provavelmente tenha sido entre março e abril, é extremamente importante destacar, diante do 25/12, que Deus, de maneira especial, se tornou humano, de forma miraculosa, nascendo da virgem Maria para nos resgatar de nossa vil condição. É vital entender que no Natal é o início da história de Deus perdoando nossos pecados.

É necessário sentir o verdadeiro significado do Natal: Que seu coração se sinta seguro no entendimento de que o Deus-menino na manjedoura, ao crescer, escolheu voluntariamente a cruz para perdoar nossa dívida impagável e assim, que o Natal seja marcado por sentimentos de arrependimento e fé genuína em Jesus Cristo. Que a gratidão pelo sacrifício substitutivo de Jesus seja o verdadeiro sentimento “natalino”, não relativo ao nascimento dEle, mas – espero – do seu novo nascimento.

É necessário fazer mais do que se lembrar do Natal: Celebre verdadeiramente o nascimento de Cristo, o Senhor e Salvador, não apenas hoje, mas sempre. Isso é, viva constantemente lembrando-se da primeira vinda de Jesus, e mantenha em sua mente que Ele também vai voltar. Não esqueça que Ele cresceu, morreu na cruz, e agora reina em Glória. Seu berço, a cruz e túmulo estão vazios, mas Seu Trono não. Por isso mesmo, creia e obedeça!

domingo, 6 de agosto de 2017

O Credo Apostólico




Por Charles Grimm (com alterações)

O chamado "Credo Apostólico" é uma das mais antigas declarações da fé cristã (c. de 1700 anos). O Credo resume, em 12 frases, o que os antigos cristãos professavam - e, claro, professam ainda. Conta uma lenda que cada apóstolo teria dito uma frase. Contudo, sem dúvidas o Credo é, de fato, Apostólico, uma vez que foi baseado na doutrina dos Apóstolos revelada por inspiração divina e registrada nas Escrituras.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Nome Sobre Todo Nome

Adão falhou em cumprir a Lei de Deus, e nos legou a morte; Jesus, o novo Adão, cumpriu toda a vontade de Deus, inclusive até a morte, e morte de Cruz, nisso deu vida aos seus.

Abel por oferecer sacrifício mais agradável a Deus que o seu irmão Cain, foi assassinado por ele; Cristo morto foi o melhor e mais agradável sacrifício feito ao morrer pelos seus irmãos.

Noé aparelhando madeiras construiu a Arca que salvou oito pessoas e alguns animais do grande dilúvio, sentença divina contra o mundo infame; Cristo, pregado no madeiro, sofrendo a justa sentença divina contra infames pecadores, salvou uma multidão que ninguém pode contar e resgatou toda a Criação da ignomínia que, pela Queda, foi levada.

Abraão ofereceu seu filho, tão amado, em sacrifício de obediência a Deus, e pela fé lhe foi imputado justiça; Cristo é o Filho Amado que se ofereceu por sacrifício, em obediência ao Pai, e isso NOS foi imputado por justiça.

Moisés, na morte de um cordeiro, como que substituto dos seus primogênitos, pela fé libertou o povo da escravidão do Egito; trouxe a Lei de Deus para o Povo e construiu o Tabernáculo; conduziu essa nação a Terra Prometida; Cristo, o Filho Unigênito, cordeiro de Deus, morreu em nosso lugar, para que fôssemos livres da escravidão do pecado; implanta, por seu Espírito, a Lei divina em nossos corações, é o Tabernáculo de Deus entre os homens, e nos conduz, como bom pastor, para a Nova Jerusalém.
Davi, o grande rei, tem seu trono estabelecido para sempre, mas morreu em ditosa velhice; Cristo, o Descendente de Davi, Reina agora e Eternamente, amem!

Salomão, o mais sábio dos homens construiu o Templo para Deus; Cristo destruiu e em três dias reconstruiu o Templo, seu Corpo, a Igreja, agora verdadeiro e eterno, onde Deus habita perpetuamente com seu povo.

Daniel e seus três amigos, capturados na Babilônia, em firme propósito de não se contaminar com as iguarias do rei, foram melhores conselheiros e abençoaram os exilados no cativeiro babilônico; Cristo assumindo a forma de servo, se humilhando e sofrendo todas as agruras das tentações humanas, é o Maravilhoso Conselheiro que nos abençoa aqui, já, agora nesse cativeiro.

Esdras e Neemias reconstruíram os muros de Jerusalém e reedificaram a cidade Santa; Cristo é nossa segurança, habitação eterna e em bonança.

João Batista, segundo ele mesmo, não era digno de desatar a sandálias de Cristo, no então segundo o próprio Cristo ele foi o maior dos profetas porque viu a Cristo, o objeto de suas previsões.

Ora se Cristo é o cumprimento perfeito de cada promessa feita no passado, de cada alusão e figura, o fio escarlate que une todas as história da Bíblia, a quem Deus-Pai fez convergir todas as coisas; deixe as coisas que para trás ficam e corra a carreira que lhe está proposta.

Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão, abandonemos todas as fábulas e genealogias sem fins, e nos fixemos firmemente no Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A EXTENSÃO DA LEI DIVINA



ou uma causa objetiva da nossa reprovação particular e específica (Rm 7;7 a 11)

Embora os Dez Mandamentos (Ex 20;1 a 17) tenham sido dados aos hebreus quando reunidos lá no pé do monte Sinai, é fácil demonstrar a abrangência da Lei Divina, informada ao Seus Povo e registrada no Texto Sagrado*, sobre toda a humanidade. Não podemos nos esquecer da geração de Noé, que fora toda destruída porque eram carnais, i.e, não viviam de acordo com a Moral divina – parece certo insistir que toda aquela geração havia sistematicamente se tornado adúltera e promíscua (7º), profana (1º a 3º), violenta (6º).

Também que esse povo fora liberto, a pouco, de uma nação idólatra (1º e 2º): Deus havia punido os egípcios também por sua profusão de deuses – e toda a maldade e sofrimento (6º) lançado aos descendentes de José que havia se tornado um desconhecido (5º) , e antes, esse povo que agora caminhava livre – separado (ou eleitos) dos egípcios (reprovados) – para a Terra Santa, é descendente de Abraão que foi tirado – escolhido, o que implica na reprovação dos outros – de uma terra também idólatra (1º e 2º) para seguir um único Deus.

E antes de todos esses o próprio Adão, que pecou miseravelmente e entregou toda a humanidade ao estado deplorável de desconformidade com a Lei Moral de Deus; e como que quebrando cada um dos Dez Mandamentos! Teve a sua esposa como um outro deus a quem serviu e obedeceu comendo o fruto proibido (1º) e projetando em si mesmo a imagem de outro deus (2º), tanto ignorou, desprezou, legou ao nada, em vão, a Palavra de Deus (3º), não descansou na vontade divina (4º), desobedeceu seu Pai (5º), matou todos os humanos (6º) pois adulterou a ordem divina, em vez de ser o líder do seu lar, aceitou a interferência da serpente e submeteu-se a vontade de sua esposa (7º), comeu o fruto que não era seu (8º), dando falso testemunho, pois sendo imagem e semelhança de Deus, não agiu como convinha (9º) cobiçando ser igual a Deus (10º);

Mas acima de todas essas evidências está a fala de Cristo (Mt 22;34 a 40), que no resumo da Lei (os Dez Mandamentos) e de toda fala dos profetas (em especial a condenação pela desobediência), afirma que a Maior Lei de Deus que os homens devem observar, é o amor completo, total, superior, pleno, exclusivo, invariável, imarcescível ao SENHOR, único Deus (1º  ao 4º), e semelhantemente, ou seja, também importante ou exigido de igual modo por Deus de todo homem é o amor (nesse caso, bom entender como cuidado, caridade, atenção, ação prática em favor de...) ao próximo, no parâmetro do que se deve amar a si mesmo (5º ao 10º).

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* Em passant, fica aí também provado a graça divina que se estende somente sobre os seus, os únicos capazes de obedecerem a Vontade Santa, o homem natural nada pode fazer que desobedecer a todo instante e acumular ira Santa sobre si!

sábado, 19 de setembro de 2015

Achou ruim? A porta da rua...


Em várias ocasiões Jesus frustou a expectativa da multidão que o seguia. Numa destas vezes, não só as deixou perplexas como também acabou por afasta-las. Diz-nos assim, a Palavra de Deus: "É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai". Daquela hora em diante, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo. Jesus perguntou aos Doze: "Vocês também não querem ir? (João 6;66, 67)".


Jesus faz uma declaração dogmática: que não está disponível para debate ou contestação. Essa afirmação inclusive é ignorada e abusivamente distorcida por grande parte da cristandade. Para Jesus, a salvação não depende da vontade humana, é um ato TOTALMENTE divino. Paulo compreendendo essa importante verdade diz em Romanos 9;14 “Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus”. Isso é, Deus exclusivamente decide quem será salvo e quem será condenado, ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso (Rm 9;21)? Num todo revelado, aqui vemos com clareza, na fala de Jesus, o conceito de Predestinação. Deste modo defende os Canonês de Dort e esta é a compreensão cognominada vulgarmente de calvinismo. Verdade Cristã esboçada pelo acróstico, em inglês, TULIP¹. Literalmente o oposto, irreconciliável à proposta herética arminiana.

Muita gente que gostava de Jesus, de seus milagres e até de sua doutrina, gente que era discípulo Jesus (grande grupo de seguidores, mas não faziam parte dos 12, dos quais 11 são, depois, os apóstolos), simplesmente não suportam tais ideias e deixam de segui-lo. Claro, não só por essa frase, no contexto, Jesus faz uma série de outras afirmações que contrariam as expectativas das multidões. Olhando do que está mais perto dos versos citados para o mais distante, vemos: No v.64 “há descrentes entre vós”. Jesus não se furta em dizer que alguns que estão com ele, não são e não serão dele. João, como lhe é peculiar antecipa detalhes do Evangelho, sugerindo que ele falava das intenções de Judas Escariotes (que foi quem o traíu); No v. 63 “...a carne para nada aproveita” – Jesus absolutiza a antítese cristã. O Mestre afirma que a natureza humana (caída) não tem valor para seu Ministério, que seu reino é espiritual, que é louca, e por fim será frustrada a expectativa de um reino temporal, da tomada do poder das mãos de Cesar; No v.62 “...o lugar onde primeiro estava?” – não só afirma a sua santidade ou divindade, como também exprime seu intenso e singular relacionamento com o Pai (Filho do Homem) e sua ascensão, coisa que também frustraria a ideia de uma restauração física do reino de David (Atos 1;6).

E para evitarmos ser muito extensos, vemos nos v. 41 a 59 que Cristo faz 3 grandes afirmações conectadas: a primeira, Ele é o pão da vida, termo que arremetia inequivocamente ao Maná e a experiência de direção e sustento providente do SENHOR do povo no deserto; a segunda, a recepção desta verdade (aceitação pela fé) depende da revelação dada pelo Pai, opondo-se a naturalidade da linhagem abraãmica (vide v.63); e a terceira, que apenas através de um relacionamento direto e intenso (corpo e sangue) com ele é possível ter a vida. Na cabeça do judeu, que sabia do valor sacrifício, a fala de Jesus significa uma grande mudança nos parâmetros religiosos; não numa a-religião, mas numa outra religião: “odres novos para vinhos novos”, e vinho a partir da transformação das águas cerimoniais – orgulho dos judeus – da ‘velha aliança’.

Jesus não tem medo de ser rejeitado nem mesmo por aqueles que eram seus. Bem se poderia afirmar que Jesus fala como fala, porque ele sabia que estes 12 não se perderiam, exceto aquele que estava preparado para perdição. Sim, isso é um fato, mais que óbvio, afinal Jesus é Deus e mesmo em estado de humilhação tinha plena consciência (Ap 5;5) da força da vontade decretiva do Pai. Entretanto a certeza tácita de Jesus de que não perderia nenhum (dos eleitos, e não só dos discípulos/apóstolos) não está baseada na sua consciência divina, e sim na sua compreensão da Verdade: “se o Pai me der, quem tomará”? Ele se afirmava a videira verdadeira, que sem ele nada, os cristãos, poderiam fazer, mas aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? E mais, quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?

Mas o aviso – se preferir: a oportunidade – do Mestre aos seus discípulos, é sincero. Jesus, no mínimo, está ensinando que ele não vai mudar seu ritmo, sua disciplina, seu expediente para se adequar as expectativas das massas. Ele não está preocupado com números, nem ligado a fama. E vemos isto em mais de um episódio, por vezes Jesus instrui aos que foram curados para não divulgar o milagre recebido. Jesus denunciou que alguns o seguia porque foram saciados pelos pães. Certamente aqui antevemos outras palavras diretas e duras do mestre, verdade que ele também não adocicou para se tornar mais aceito:
Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim (Jo 15;18), ou; Eu os estou enviando como ovelhas entre lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas (Mt 10;16). Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim (Mt 10;38).
Bem como outras falas nada “gentis” do mestre:
Ele, porém, respondeu: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos; Não lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem; Raça de víboras! Como podeis vós falar coisas boas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca; Mas ele lhes respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas; Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade.
Sabemos que Jesus não debatia com as pessoas, ele não tenta vencê-las, rechaçá-las, através dos seus ensinos, ele, simplesmente, diz a verdade, ouça quem quiser (quem tem ouvidos, ouça! Jo 2;27) e quanto mais o escutavam (davam valor as palavras do Senhor), mais se dividiam em dois grupos (Salmo 1): os que o procuravam com sinceridade porque desejavam entender mais e os que o rejeitavam porque Jesus não era um tipo ‘controlável’ de pregador.

Na prática, sem meia conversa, Jesus está dizendo hoje também: Não gostou? A porta da rua é serventia da Igreja! Por isso não sejam como os muitos discípulos de Jesus, que se escandalizaram com seus ensinos, porque este lhes pesava a consciência, e cauterizados preferem rejeitar o profeta, do que admitir que é o ladrão da única ovelha do vizinho (2Sm 12;1 a 24); Não endureçam o coração como o povo no deserto; como escaparemos se negligenciar tão grande salvação?

Ao crescer na fé, saber mais das difíceis lições de Jesus Cristo, como você reagirá: Dando-se por vencido, aceitando que ele é Senhor? Ignorando aquilo que não te agrada? Contendendo com Cristo? Clame a Deus que lhe mostre o significado de seus ensinos e lhe diga como eles se aplicam a sua vida.

Termino reafirmando as palavras de Jesus de outro modo: o verdadeiro cristianismo não diminui a norma, antes a Igreja* perder adeptos do que aceitar qualquer ideia em nome da fraternidade. O próprio Cristo diz a nossa geração mimada (que "só quer amor"), que ele – e por isso a Igreja – não está disposto a fazer concessões para manter gente por perto. A Verdade exige que não se faça acordo, acerto, ajuste. Jesus é inflexível nas suas exigências (exigências que ele mesmo cumpriu em nosso favor). Quem achar ruim, tem todo a liberdade de sair e procurar outra religião (nós não mataremos, cortando-lhes o pescoço ou queimando vivos, dependurado), mas saia sabendo que no Evangelho, falo de Cristo e este crucificado, está as únicas palavras de Vida.
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¹ Total Depravity, Unconditional Election, Limited Atonement, Irresistible Grace, Perseverance of the Saints (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível, Perseverança dos santos).
* Aqui falando também das igrejas locais, afinal são expressões da Igreja Invisível, o corpo de Cristo.

sábado, 23 de agosto de 2014

O Evangelho Amigo

A Bíblia, a Palavra de Deus, fala que alguns foram considerados amigos de Deus. Um desses é o tão conhecido Abraão. Na carta do Pastor Tiago, lemos no capítulo 2; 23: “Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus”. Para esse pastor – um dos principais líderes da igreja primitiva, a igreja cristã formada pelos apóstolos de Jesus, a partir da comunidade de discípulos que andaram com Cristo – contado como uma das colunas da igreja juntamente com os 12 apóstolos, pensava que foi a fé de Abraão que fez toda a diferença, lhe imputando justiça e lhe conferindo o incrível título de amigo de Deus.

Talvez você pense que todos sejam amigos de Deus, ou que Deus seja amigo de todo mundo, afinal, Ele é bom, certo?! É verdade, Deus é bom, e por isso mesmo é que Ele não é amigo, naturalmente, do homem. Seres humanos são naturalmente maus, e inimigos de Deus pois Ele é santo e o homem, naturalmente, um pecador. A Bíblia diz que todos, sem exceção, naturalmente estão indispostos para Deus, que não há justo, nem um sequer, que não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.

Pode parecer um diagnóstico duro e cruel, mas lembre-se que nossos pecados fazem separação entre nós e Deus, que Ele é tão Santo que não pode contemplar, permitir a presença, do pecado. E que se dissermos que não temos pecado, coisas que nos afastam de Deus, fazemos de Deus um mentiroso. É um fato, somos mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus. A verdade é que temos um grande problema: Deus está irado com cada um dos homens! Por quanto o que se pode conhecer de Deus é claramente revelado, a todo o instante, na Criação, mas nós por causa da nossa injustiça escondemos a verdade de Deus. E preferimos nos dedicar a nossas próprias causas e ignorarmos quem Deus é.

Mas, pelo que lemos, sabemos de um homem amigo de Deus – dentre outros – e também que isso foi pela fé dele. Mas que fé era essa? Que crença de Abraão foi capaz de fazer a paz entre ele e Deus?

Todo o capítulo 2 de Tiago, mostra-nos um pouco do que, em certo sentido, Abraão fez. É isso mesmo, a fé de Abraão o fez agir de determinado modo, modo esse prescrito pelo próprio Deus. É isso que a Bíblia diz no verso 17, a fé sem obra é morta! Mas antes de você se animar e achar que falamos de boas obras, assistência social, ou outra coisa feita “de coração” para o próximo. O exemplo dado pelo próprio autor da carta é bem interessante e severo.

No verso 21 diz: Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? Percebeu, Abraão amou mais a Deus que ao seu próprio filho! Ele estava disposto a matar seu filho, seu único filho, em obediência à Vontade Divina.

Jesus disse, em outras palavras, que é assim mesmo. Quando perguntado qual era o maior mandamento de Deus aos homens, aquilo que Ele exigia acima de qualquer outra coisa. Sua resposta foi direta, como conta-nos Mateus, um dos 12 discípulos de Jesus, no seu livro sobre o evangelho, cap. 12, verso 30: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”.

Se você amar a Deus de todo o seu coração, alma e entendimento, nenhum pedido dEle será ignorado por você, inclusive aquele para que nós abstenhamos dos prazeres carnais pecaminosos. Ou do agendamento semanalmente um encontro formal para prestarmos culto exclusivo a Ele, sem para isso utilizar representações visuais, ou mesmo que cuidemos da honra de seu santo nome.

Por tudo isso peço, insistentemente, a cada um, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Foi para nos dar a capacidade de amarmos a Deus desse modo, contra nosso próprio egoísmo, que Jesus, o próprio Deus, se encarnou, e habitou entre nós, dando sua vida como oferta pelo nossos pecados, fazendo assim a paz entre nós e nosso Deus. Isso é o Evangelho!

sábado, 24 de maio de 2014

A Igreja II: A missão!

Enfim a continuação de A Igreja.

Sete perguntas sobre “Missões”[1]:[i]

Introdução:
Em 1996, eu estava do outro lado. Eu tinha apenas 16 anos e era o ouvinte, lá em Brasília, num acampamento para jovens, em que o preletor, rev. João Batista (então reitor do SETECEB - Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil), falou claramente sobre o engajamento no projeto de Deus para o mundo, um chamado ao serviço. Naquela ocasião eu entendi que meu lugar era no sagrado ministério. Hoje, quase 20 anos depois estou aqui em Ariquemes-RO, e pela primeira vez vou palestrar aos jovens sobre Missões. Como eu estou me formando em administração gostaria de tratar desse tema, a partir da aplicação da ferramenta de gestão de projetos 5W2H (What, why, who, when, where, how, how much? – O que, por que, quem, quando, onde, como e quanto?). Utilizando esse modelo, responderei estas sete perguntas sobre Missões, no fim, espero que você esteja mais consciente desse assunto e disposto a participar desse projeto. 

Primeira: o que é “Missões”?
De acordo com o dicionário “Missão”, do latim missio(onis), envio: Ato de enviar ou de ser enviado; encargo, incumbência, desempenho de um dever; ou seja “Missões” é realizar uma tarefa. É assim no caso das Missões Cristãs. É realizar uma tarefa, um trabalho. Entretanto, é aí que o conceito em si apresenta um problema: o termo não aparece no Texto Sagrado[2]. O Conselho Mundial de Igrejas, reunido em 1967, definiu “Missões” como “promover a proclamação do evangelho de Jesus para o mundo todo, a fim de que todos os homens creiam nele e sejam salvos”. Outro conceito circunstante é que a Missão da Igreja é um derivativo da Mission Dei, onde Deus, o Pai, enviou o Seu Filho, (Jo 1;1-5 e 1;14) e ambos enviaram o Espírito Santo para a Igreja (Jo 14;16). Assim também a Igreja é enviada pelo Deus Trino para cumprir – ou repetir; guardada as devidas proporções[3] – o intendo divino de salvar a humanidade.
No senso comum cristão, “Missões” são iniciativas religiosas que difundem os princípios do Cristianismo entre povos não-cristãos; têm a ver com a  organização dos trabalhos que compõem e auxiliam o evangelismo; é a imitação do ministério de Jesus Cristo, ou seja, literalmente falar do Reino dos Céus; cumprir a Grande Comissão, o “ide” de Mt 28;19, pregar o Evangelho pelo mundo.

Segunda: por que fazer “Missões”?
Em Mt 28;18, um verso antes do famoso “Ide!”, Jesus afirma ter toda autoridade possível, tanto celestial como terrena; o poder é dele, ele é o Senhor. E é só depois de dizer isso que vem o sonoro “ide”.
Há, neste texto, muito mais do que uma simples sequência de informações. Há um “portanto” no meio dos termos “ide” e “fazei”, ligando-os de modo inquestionável a autoridade declarada anteriormente. Em outras palavras, devemos fazer “Missões” porque Jesus, a Autoridade, mandou. É na obediência a Cristo, que a Igreja avança! Não tem tanto a ver com amar almas perdidas; ou com encher igrejas! Antes, é uma questão de submissão ao Senhor Jesus. Mas lembre-se: Aquele que tem os seus mandamentos e os guarda, esse é o que o ama; e aquele que o ama será amado pelo Pai, e ele, Jesus, também o amará e se manifestará a ele (Jo 14;21),  ou seja, fazer "Missões" é uma questão de amor a Deus!

Terceira: Quem faz “Missões”?
Amar a Deus, é especialmente importante para responder esta pergunta, também! Você ama a Jesus Cristo? Ele é o seu Senhor? Você o obedece? “Missões” são para todos os que amam a Jesus, reconhecendo o seu senhorio e por isso buscam obedecer aos seus mandamentos. Mas há um outro detalhe: no verso 20 desse mesmo capítulo do Evangelho segundo Mateus, Jesus disse que estaria conosco nessa jornada. Assim Jesus é tanto o motivador (quem manda) das Missões, quanto o realizador desta tarefa em nós. Em outras palavras, faz “Missões” quem tem intimidade com Deus. Jesus em nós, isso é, o Espírito Santo, nos fará ir e fazer discípulos, naturalmente. Se é que, de fato, o Espírito Santo habita em nós.

Quarta: quando fazer “Missões”?
Você percebeu que Jesus disse que estaria conosco até a consumação dos séculos? Em Jo 4;35 ele falou da iminente hora da colheita! Em Hebreus, o autor alerta para a conversão no tempo presente e para o arrependimento proposto agora. E não se esqueça, pesa sobre cada um de nós o alerta: como escaparemos nós se negligenciarmos tão grande salvação? Então, podemos concluir que o tempo para "Missões" é o "agora" e até chegar o fim, a consumação dos séculos.

Quinta, onde fazer “Missões”?
Em At 1;8 Jesus também comissionando os discípulos diz que eles receberiam poder do Espírito Santo para serem testemunhas dele, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. Fazer "Missões" aqui no Brasil é estar nos confins da terra[4], e se nós estamos nos confins da terra, ficar por aqui, é cumprir o "Ide", e pronto!? Não! O texto não diz: primeiro deve-se fazer Missões em Jerusalém e depois na Judéia e então nos outros lugares. Jesus ordena que "Missões" sejam feitas lá no oriente médio tanto quanto em outros lugares da terra. Onde você está, ou noutro lugar que você possa (ou deva) ir, é o lugar onde você precisa anunciar o Evangelho, fazer “Missões”. Sem esquecer, claro, que Missões devem ser feitas em diversos lugares, ao mesmo tempo. Assim, ore e contribua, também, sempre!

Sexta: como fazer “Missões”?
Existe uma máxima bastante significativa sobre como qualquer pessoa pode fazer "Missões". Diz assim: você pode fazer "Missões" indo, orando ou contribuindo, e é bem verdade. Entretanto, não há a necessidade de ir para fora do Brasil para fazer missões; nem mesmo de deixar seu emprego, ou largar a faculdade. "Missões" são também transculturais, mas não são só transculturais! Assuma sua responsabilidade como um missionário, assuma sua missão. Eu desafio você a orar por "Missões", mas não simplesmente pelos missionários na Janela 10/40, ore para que Deus te direcione e te dê oportunidades de ser um missionário! Contribuir é a forma mais fácil de fazer “Missões”, o simples fato de você contribuir com o dízimo e ofertas na igreja em que você congrega, já faz de você um contribuinte de "Missões". Mas, além disso, o texto de Mt 28;18 a 20 esclarece que as "Missões" são fazer discípulos, ensinando-os a obedecer tudo o que Jesus ensinou – ele ensinou, literalmente, toda a Bíblia. Ser um discipulador ou dar aula na EBD da sua igreja, mesmo falar sobre assuntos bíblicos em rodas de amigos ou pregar formalmente em um culto, é, em algum sentido, fazer “Missões”. Até a disciplina na Igreja é ser "missional", afinal, Deus ama e corrige seus filhos.
Junto à isto, e em especial, está a ordem do Batismo, presente, inexoravelmente, na Grande Comissão, deixando claro que “Missões” não pode ser um trabalho destacado  de uma igreja local. Como cumprir essa parte da missão se não há uma comunidade local para inserir esses novos discípulos? Se não houver um lugar onde eles possam continuar a crescer e exercitar a sua fé, fazendo outros discípulos também crescerem, como cumprirão, cada um, a sua própria missão? Portanto, abrir  igrejas, onde ainda não existem, é fazer “Missões”, sem dúvida.

Sétima: qual o custo de “Missões”?
Em Hb 11;35 a 40, diz: ...alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Jesus disse também que aquele que não tomar a sua cruz e não segui-lo ou não abandonar (se necessário) seus familiares[5] e ou não gerar inimizades[6], não é digno de ser discípulo dele, assim não podendo (e não querendo) fazer “Missões”.
Sabemos que o mundo perseguirá aqueles que andam com Cristo e os odiará do mesmo modo que odiaram a Jesus! Afinal, os discípulos do Mestre são como ovelhas enviadas para o meio de lobos! Duro esse discurso?! Mas o oposto, não fazer “Missões”, é pior! Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á (Mt 16;25), não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo (Mt 10;28).

Para terminar:
"Missões" nasce no coração de Deus, literalmente, significa divulgar o Evangelho; compartilhar a Fé, ensinando sobre Deus, a Bíblia e a salvação somente através de Cristo. É falar da Cruz de Jesus, contar suas histórias e divulgar seus ensinos. Para tanto temos que abrir mais igrejas por todo o mundo e incluir nelas novos convertidos. E com oração e súplicas, por amor a Cristo, investir nosso tempo, trabalho e dinheiro nesse projeto que descende do alto.
 A Igreja sempre entendeu a sua missão, “o ide e fazei” de Mt 28;19. Foram esses os Atos dos Apóstolos, toda a história eclesiástica demonstra isso, e, até muito recentemente, foi exatamente assim que a Igreja agiu, o que é confirmado até pelas missões feitas, inclusive aqui no Brasil[7], poucos anos depois da Reforma Protestante do séc. XVI.



[1] O termo missão está no plural, missões, mas é tratado como a ação fazer missões, assim, no texto assumirei o singular, para tanto usarei as aspas.
[2] As 4 ocorrências do termo ‘missão’ na Bíblia ARA, a Jo 2;14 e 20, At 12;25, 1Tm 2;15, não estão relacionados a ideia do artigo.
[3] Cristo com o único sacrifício expiatório necessário e a Igreja como agente proclamador dessa verdade.
[4] Atos 1; 8 foi dito no oriente médio, Jerusalém, daí quanto mais distante de lá, mais no fim do mundo estamos.
[5] A ideia é abdicar da estabilidade, conforto e segurança da casa dos pais, e não abandonar ou se isentar de responsabilidades.
[6] Por causa de Cristo e de sua Palavra.
[7] Em 7 de Março de 1557, chegam ao Brasil, na então colônia francesa, na Baía de Guanabara, os primeiros missionários calvinistas (huguenotes-franceses da Igreja Reformada Francesa) enviados por João Calvino. O projeto fracassou e parte desses protestantes foi morta pelos colonos portugueses. A partir 1630, a Igreja Reformada Holandesa fundou cerca 20 congregações no Nordeste, mais de 50 pastores além de pregadores auxiliares e outros oficiais trabalharam nesse projeto que batizou índios e pretendia traduzir a Bíblia para o tupi e para o português, além de ordenar pastores indígenas e lusitanos. 20 anos depois a coroa portuguesa organizou um projeto militar de expulsão dos holandeses e retomou o nordeste brasileiro.



[i] Baseado no esboço e nas transcrições da palestra ministrada na Primeira Igreja Presbiteriana de Ariquemes – RO, dia 18 de maio de 2014.

Agradeço a Luciana Braga, minha irmã que sempre me ajuda com as (inúmeras) correções dos textos que publico no blog, ou nos trabalhos escolares desde o jardim de infância até os das faculdades. Ao Neto (Francisco) que deu grande contribuição na formatação (curta, direta e sem perdas) desse artigo. Ao David Portela que me enviou material-fonte para a composição do esboço da palestra. E para todos que de um modo ou outro colaboraram me indicando livros, artigos e etc. para a preparação e finalização do estudo. Finalmente a turma da UMP que gentilmente me convidou para assumir o púlpito no intercâmbio, entre as UMPs do PPVH e do PCRO, me dando assim um empurrão para tratar dessa matéria tão cara para mim.