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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Segundo o Mandamento

Esse texto surgiu a partir da leitura de alguns artigos e postagens em redes sociais, que propõem uma permissibilidade da feitura de imagens de Cristo, para vários fim, citando diretamente os símbolos de fé presbiteriano, e quando não negando sua proeminência, afirmando uma interpretação diversa do mesmo. A ideia não é refutar os artigos, mas contraditar o âmago deles e estabelecer o que penso ser a ortodoxia bíblica do caso. 

sábado, 15 de setembro de 2018

PENSE:

Resultado de imagem para voto em transito

Em 7 de outubro, cristão, o seu não-voto, seu voto nulo ou em branco, significará, no mínimo:

"Aceito passivamente que uma nação que já foi oficialmente cristã, e que embora atualmente laica, se torne cada vez mais hostil ao cristianismo" - quebra do 1º mandamento.

"Concordo com a sistemática implementação da retirada, obliteração, re-significação, ou mutilação de tudo que aponta para Deus em nossa sociedade e governo" - quebra do 2º mandamento.

"Permito que a história seja revisada para que tudo de bom seja chamado de mau e tudo de mau seja chamado de bom, em especial aquilo que diretamente e nominado a Deus" - quebra do 3º mandamento.

"Promoverei a continua desobediência a vontade prescrita de Deus, retirando do cenário público todo o freio moral dado por Ele aos nossos pais, quer seja nas mudanças dos códigos civis, penais e processuais, quer seja nas ações dos magistrados que são indicados pelo poder eletivo, que por inação deixarei continuar" - quebra do 4º mandamento.

"Não farei nada contra a casta de bandidos com foro privilegiado, alcunhados de políticos, que se escondem nas casas legislativas ou nos palácios executivos" - quebra do 5º mandamento.

"Não estou nem aí para a autorização do assassinato de milhares de crianças nos úteros de suas mães" - quebra do 6º mandamento.

"Não me importo que seja ensinado para nossos filhos, por força de lei, a fluidez¹ sexual" - quebra do 7º mandamento.

"Não me preocupa a corrupção endêmica, sistêmica e organizada instalada no nosso país" - quebra do 8º mandamento.

"Não vejo problemas a instalação e aprofundamento do movimento marxista cultural em nossa sociedade" - quebra do 9º mandamento.

"Não objeção a politica econômica diabólica do socialismo ou igualitarismo que tanto prejudica os mais pobre e oficializa o roubo aos mais ricos" - quebra do 10º mandamento.

"Sou indiferente a oportunidade dada por Deus a nossa sociedade de ditar certas direções para a Nação, e vou preferir me calar quando a justiça e a verdade clamam por uma manifestação" --- FALTA DE FÉ!

DEUS NÃO TOMARÁ POR INOCENTE OS QUE ASSIM PROCEDEREM!

Não seja impassivo e nem se isente de se manifesta da forma que o magistrado civil, outorgado por Deus, deliberou que você fizesse. Se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para o povo de Deus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevado a cidadão?
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¹ por fluidez sexual entenda a nova ideia de uma criança não nasce homem ou mulher, que a biologia não é determinante, e que nesse assunto pode tudo, hétero, homo, bi, a, LGBTXYZ, é a completa destruição de princípios criacionais dado ao ser humano em sua semelhança com Deus, uma afronto pavorosa a Ele.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O Dia do Cristão

Com a Ressurreição na manhã do primeiro dia da semana, Cristo não só introduziu uma mudança significativa na contagem do tempo, parece certo que o cristão prefere -- como é no mundo ocidental, mesmo que a meia noite e um seja do outro dia, sempre pensamos na madrugada associada ao dia anterior que surge na prática com o nascer do sol* -- manha e tarde, luz e trevas, o contrário do hebreu (e depois judeu) e da utilização bíblica, trevas e luz, tarde e manhã. Nosso Senhor trazer o Dia do Descanso não ao fim do jornada de trabalho, mas ao início da semana, lança óbvia luz sobre a relação com a Lei, verdadeiro prazer, e não um fardo, na vida do cristão, bem como afirma a nossa (do Eleito, o verdadeiro cristão) dependência unicamente de dEle, de Seu Trabalho, Sua Graça. Diferentemente do que se pode imaginar, não trabalhamos seis dias, e fazemos toda as nossas tarefas para então no Sétimo termos o direito de descansar; temos, imputado, nosso Descanso na Obra de Jesus Cristo, e por isso somos chamados a trabalhar.
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*o costume provavelmente venha da veneração solar comum em diversos povos, mas o ponto é que o Cristão passou a marcar o tempo assim e o mundo ocidental, a cristandade, o faz certamente por causa da influência modificadores de Cristo.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

É Dia das Mães

No próximo domingo muitas igrejas vão comemorar o "dia das mães". Certamente tal comemoração é útil e valorosa. E mais, numa sociedade pós-moderna, que sistematicamente tirou -- e continua tirando -- as mães de casa, legando aos filhos a babá eletrônica e a terceirização da educação, cada vez mais, é a Igreja*, que exclusivamente ainda afirma a sublimidade de ser mãe.


Talvez seja mesmo apropriado, em culto, agradecermos a Deus pelo privilégio da família e no caso, pelo dia das "mães", fazer menção disso nesse domingo; talvez orar por elas; talvez um estudo ou pregação que aponte a vontade do SENHOR para as mulheres -- o ministério de mãe -- talvez um chamado aos homens que assumam suas responsabilidades (prover) para que elas possam exercer livremente esse maravilhoso dom; quem sabe essa data seja boa para instruir as jovens de como e porque devem ser boas donas de casas, focando suas vidas na realização maternal, se dedicando a aprender as virtudes de esposa e mãe -- auxiliadoras idôneas; talvez seja um bom dia para exortarmos os rapazes a se casarem com garotas que já demonstram inclinação maternal, sendo também alertados de seu papel como sacerdote do lar...


Mas por favor não TORNEM o Dia do Senhor, o domingo, em um momento para dar lembrancinhas para as mamães; não façam nesse, ou de qualquer outro Domingo, uma celebração MOTIVADA por nenhuma outra coisa que não agradecer a Deus pelo privilégio da salvação em Jesus Cristo. Não diminua a graça de sermos salvos da condenação dos nossos pecados, nem minimize o sacrifício de Jesus Cristo naquela cruz, focando o culto em aspectos circunstanciais, até bons, até agradáveis, até úteis ou valorosos, mesmo que até necessário, mas certamente menores.


Não se perca na ‘embalagem’ ao ponto de esquecer o verdadeiro presente! Mães, pais, filhos, família são dádivas divina, espelham o amor de Deus, mas Cristo é Deus, e sua morte, a nossa Salvação!


Então, bom dia das mães para você, e que esse domingo próximo seja mesmo um Dia do SENHOR!
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* infelizmente em muitas igrejas o igualitarismo, quando não o próprio feminismo, tem tirado delas esse prazer, as convencendo que ser mãe é um fardo, não é de admirar que o número médio de filhos de casais cristãos tem sistematicamente diminuído.

sábado, 9 de julho de 2016

4 observações sobre o 4º mandamento

(Ex 20; 8. a 11):

1) O mandamento é para ser lembrado, trazido e mantido na memória, deve ser algo buscado, perseguido, incentivado... por isso mesmo esse mandamento está positivado na Palavra, diferentemente de outros oito dos dez mandamentos (que são negativos, “não farás...”). Nossa tendência natural é então rechaçada, somos egoístas, cremos que nossa capacidade nos dará tudo, confiamos na força dos nossos braços, o trabalho e a determinação nos farão avançar; esse mandamento nos esmaga, humilha, mortifica! Nos faz lembrar que nada somos, que Deus é o Senhor do Tempo, exalta uns e abate outros, e determina a sorte das nações. E mais, Ele que criou o mundo, descansou! Fica óbvio que há um tempo determinado para tudo e até para o descanso, não seja impertinente.

Lembre disto!

2) O mandamento fala do dia de descanso físico, da suspensão do trabalho; é para nosso deleite, nosso prazer! Não é (e nem deve ser) um fardo, uma tortura e nem uma obrigação mecânica, mas sim um privilégio, uma dádiva, um presente imerecido! Não uma arma ou arapuca, para nos fazer tropeçar... ele é nosso, e não nós, dele! Afirma-se aí benevolência do Senhor que concede um descanso aos seus servos, e nos estimula a agir assim com todos os que estão a nossa volta, seja com nosso filhos, colegas e funcionários, ou com outros, sobre nossa supervisão e autoridade, e até mesmo sobre os nossos animais.

Descanse assim!

3) O mandamento aponta que o descanso (físico) é santo (correto, bom, justo, divinamente inspirado – e, já por isso, obrigatório: os filhos de Deus buscam obedecê-lo), mas não é meramente isso, não fala só do corpo, do mundo físico, do animal. O mandamento é também espiritual; deve ser consagrado, ou seja, separado do comum e dedicado a Deus, tem-se então a face cúltica evidente – sua observância será agradável ao Senhor, mas deve ser sem mentiras e hipocrisia, sem legalismo destituído de entendimento e amor; não cultuemos a Deus presos a perscrutações sem fins e regrinhas, queixumes e questiúnculas, que antes ofendem e matam, nada misericordiosamente necessário. Cristo é nosso Descanso, é o dia dele, dia futuro, semanalmente anunciado.

Santifique isso!

4) O mandamento foi mudado: o sétimo dia passou para o primeiro – isso é biblicamente comprovado*! Essa mudança afirma um novo começo, uma nova dispensação, um novo Sacerdócio, e certamente uma nova forma de observá-lo. Não mais na caducidade da letra, mas apoiado na Palavra Viva, o Senhor Jesus. O que mostra também o verdadeiro cumprimento que está em Cristo, pelo que temos livre acesso ao nosso deleite real, Àquele que é a razão existencial, nosso propósito principal! Entraremos, por pura e maravilhosa Graça no Descanso do Senhor, que desde do princípio está reservado para aqueles que lavaram as suas vestiduras com o sangue do cordeiro.

Guarde isso!

Concluindo:
Seu coração, deseja Ele? Então deve desejar o dia dEle, mesmo o já previamente vislumbrado no encontro semanal da Igreja. Não faça disso um "cavalo de batalhas", mas não esqueça que é prescrição divina, o santo descanso. Lembre-se, o dia do Senhor será o dia da consumação da nossa salvação, dia este, já realizado na eternidade, confirmado na historia pela cruz e pela ressurreição, e semanalmente anunciado. É o dia da vitória de Jesus, vitoria por nós; não minimize e nem menospreze essa realidade. Mas não torne essa data um suplício nem para ti, nem para os outros! Organize-se para aproveitar o máximo possível esse dia, em especial a Palavra Viva que deve ser anunciada (e ouvida) na Igreja.

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* Veja em: http://acruzonline.blogspot.com.br/2016/06/7-vozes-sobre-o-7-dia.html

quinta-feira, 23 de junho de 2016

7 Vozes sobre o 7º dia


Esse artigo tratar objetivamente do 4º Mandamento (Êxodo 20;8) na celebração cristã em sua óbvia transição do 7º para o 1º dia da semana. A ideia é afirmar o valor piedoso do culto no domingo. Não haverá uma defesa do modo especifico de se observar esse mandamento para além desse quesito; isso ficará para outro momento, afinal esse tema é muito bem estruturado nas diversas tradições cristãs. Segue então 7 apontamentos, escalonados – penso eu – em ordem crescente em importância ou peso argumentativo, sobre a mudança do 7º dia.

1- A voz do calendário:
Em 320 d.C. na reforma do calendário romano, oficializam o primeiro dia da semana como “Dia do Senhor” especificamente por ser o dia conhecido e aceito costumeiramente como sendo próprio da celebração cristã. Conjuntamente, se mantém o sabbath (sábado) em referência ao antigo compromisso judeu (lembre-se que haviam muitos judeus em todo o mundo romano). Eles não são juntados ou ignorados, indicando que eram dias para diferentes religiões, realidade já clara ainda nos primeiros séculos da era comum. E mais, o concílio de Niceia (ano de 325 d.c), faz alusão ao Dia do Senhor, primeiro dia da semana, em uma de suas decisões. O Dominica Dies (literalmente Dia do Senhor), mais para frente “domingo” – no nosso bom e velho português – passa a reger o início das semanas. Ou seja, a influência cristã na sociedade romana, religião que inicialmente foi mortalmente perseguida, depois tolerada, aceita e oficializada é que força a mudança do calendário e não o contrário, como afirmam alguns.

2- A voz da Tradição:
Em meados do século II, Justino, o Mártir, identifica “o viver cristão com o sábado perpétuo que consiste de abster-se do pecado, e não do trabalho” – uma clara oposição ao costume judeu. lrineu encarava o sábado como um símbolo do futuro reino de Deus, no qual aqueles que serviram a Deus “num estado de descanso, participariam da mesa de Deus”, espiritualizando o entendimento do mandamento. Tertuliano declarou: “Nós não temos nada a ver com as festividades judaicas”, obviamente incluindo o sabbath. Orígenes disse do cristão perfeito: “Todos os seus dias são do Senhor e ele está sempre observando o dia do Senhor”, contra o exclusivismo sabatista. Mas no Didaquê, o mais antigo manual de preparação de batismo e discipulado da Igreja Cristã (80-90 d.C.), diz no Capítulo XIV: Reuni-vos no dia do Senhor (o primeiro dia da semana) para a Fração do Pão e agradecei (celebrai a Eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.

3- A voz da História:
Parece certo dizer que foi só no início do século XVII que essa ideia ganha algum interesse. Na Inglaterra, em 1617, um grupo dissidente de batistas organizou a primeira Igreja Batista do Sétimo Dia. Literalmente se separando da cristandade da época. Embora o contexto histórico conturbado fundamente, também, essa separação, simplesmente eram o único grupo a insistir com isso. E segundo eles mesmos, foi por isso que eles se separam. O distintivo era observar o sábado (sétimo dia) como dia de descanso e adoração, “uma exigência imprescindível do cristianismo bíblico”. Foi-se mais de duzentos anos até que por influência de Raquel Oaks, viúva, membro da igreja Batista do Sétimo Dia, o pastor Frederick Wheeler passa a observar o sétimo dia, iniciando assim o que mais tarde se torna a Igreja Adventista do Sétimo Dia, os mais “famosos” cristãos sabatistas. Isso não é desimportante, é como afirmar que levou 1500 anos para o Espírito Santo convencer a igreja a ser pura!

4- A voz da Reforma:
Calvino em sua mais notável obra, diz que o apóstolo Paulo ensinava que os cristãos não devem ser julgados por sua observância (a guarda do sábado ou de outro dia especial) pois era apenas sombra da realidade futura. E, mais, afirma também que o autor da Carta aos Romanos acusa de ser “supersticioso quem distingue um dia de outro dia”. E completa, “visto que era proveitoso afastar a superstição, foi abolido o dia religioso dos judeus (sábado ou sétimo dia), e como era necessário manter na Igreja o decoro, a ordem e a paz, outro dia foi destinado para esse fim”. Prosseguindo, para concluir seus argumentos, diz: “Não foi aleatoriamente que... antigos colocaram o dia do domingo no lugar do sábado. Dado que a verdadeira quietude que o antigo sábado representava teve na ressurreição do Senhor um fim e complemento, pelo mesmo dia, que pôs fim à sombra, os cristãos são admoestados a não aderir a uma cerimônia de sombras”.

5- A voz da Pureza:
Já os puritanos – parte da sociedade inglesa do sec. XVII e XVIII – sinceros e profundos conhecedores da fé cristã, bíblicos, interdenominacional, anti-romanistas, indiscutivelmente fieis e abnegados, dispostos até morrer pelo que acreditavam ser a correta interpretação da Palavra de Deus, são unanimes em compreender a obediência ao 4º mandamento (lembrar-te do dia de sabbath, para o santificar) como a observação piedosa do primeiro dia da semana (domingo). É fácil provar a disposição deles em romper com tudo que era meramente tradicional ou apenas romanismos, e caminhar na certante das Escrituras Sagradas. Eles avançaram sobre temas como o governo eclesiástico, as relações da Igreja e o Estado, negaram o cerimonialismo, o poder papal, partilhavam um ativismo sócio-político tocante e eficaz, mas simplesmente insistiram – e até de forma radical; vejam os padrões de Westminster – "o Dia do Senhor é o primeiro dia da semana"! Notem que esses eram contemporâneos dos primeiros sabatistas, não há dúvidas da posição deles – o que diz muito! 

6- A voz da Teologia:
Cristo ao se afirmar o Senhor do sabbath, coloca esse mandamento na perspectiva certa: o descanso foi feito para o homem e não o contrário (Marcos 2;27 e 28), vence a superstição associada ao dia – as 24 horas semanais tem algum valor em si mesmas –  sacramentando, de modo inquestionável, o valor piedoso – obediência e submissão, afinal até Deus descansou! – já do cuidado do corpo garantido pela simples observação do descanso físico semanal. Em outro ponto, João 4;23, num dia comum, o Mestre afirma que a hora já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois estava trazendo essa hora cativa a si mesmo (João 15;1-11). Somando-se às leis do Antigo Testamento que regem a observância do sábado, devem-se compreender o princípio do “novo sábado”, relembrando o passado bendito, no Éden e seu fruir livre, prazer de Deus – e Árvore da vida quase sempre esquecida! –  contrastando com parte da pena imposta a humanidade (o sustento através do penoso trabalho), quanto para o dadivoso futuro, numa expectativa da vitória definitiva de Jesus Cristo, da qual sua ressurreição, que aconteceu no primeiro dia da semana, é um prenúncio, o Último Dia, o Dia do Senhor que é verdadeiramente o Descanso prometido por Deus (Hebreus 4;1,3, 7-11), e em especial como apontamento já no presente, do Descanso na visão cristã, antes de tudo, A Paz com Deus, um cumprimento espiritual da alegoria no Salmo 23. Em outras palavras, o leve fardo e o suave jugo do Senhor (Mateus 11;30). Ou seja, por causa do Cristo glorificado, que santificou todos os tempos, rasgando o véu da separação, dando livre acesso ao trono da Graça (Efésios 2; 11 a 18), o domingo não é como o sábado dos judeus (atrasado 24 horas) – pois se for, incorre-se no mesmo erro dos judaizantes – mas um anúncio de vitória completa de Cristo, passado, presente, futuro; o próprio dia é em si Pregação!

7- A Voz da Palavra:
Fica claro em todo o livro de Atos que tanto Paulo, quanto os outros apóstolos iam as sinagogas, aos sábados (sétimo dia), pois era o dia comum de funcionamento, para ali pregar o Evangelho aos judeus! Mas em Colossenses 2;16 e 17, Paulo, o apóstolo dos gentios, afirma não ser necessário fixar-se em datas e dias dos judeus e nem em outro costume da religião judaica. Em Gálatas 4;10 e 11 ele lamenta, questionando o resultado do seu trabalho, exatamente porque, entre outras coisas, os crentes daquela cidade estavam querendo guardar “dias, e meses, e tempos, e anos”. Interessantemente no concílio de Jerusalém (Atos 15), os apóstolos reunidos não impuseram aos não-judeus, nenhuma outra coisa além de que se guardassem da idolatria, da imoralidade sexual, da carne dos animais sufocados (talvez torturados) e do sangue (provavelmente uma alusão à rituais pagãos de abatimento animal). Eles não ratificaram a observância do sétimo dia, preceito importantíssimo no judaísmo. Entretanto é inegável o fato: a Ceia do Senhor era realizada no primeiro dia da semana (domingo)! Numa tradução mais literal de At 20:7, “no primeiro dos sete dias da semana, tendo os discípulos sido ajuntados para partir o pão, Paulo, estando para viajar no dia seguinte, de forma completa argumentava com eles; e prolongava a pregação até à meia-noite...”. Segundo uma nota de tradução, os termos “των σαββατων”, que foram traduzidas na maioria das versões – inclusive na mais usada pelos sabatistas – como relativo semana, estão no caso genitivo e no gênero plural, forçando a compreensão num sentido de “primeiro dia da semana” (domingo), foi esse entendido usado para outras oito passagens: Mateus 28:1; Marcos 16:2,9; Lucas 18:12; 24:1; João 20:1,19; ICoríntios 16:2.  – Pense bem, o reanúncio do Sacrifício materializado, um sacramento, ordenança de Cristo, meio de Graça, não só ao coração (doutrina) mas também para os cinco sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar) era naturalmente feito no domingo. Isso é muito significativo!

A Voz da Razão:
O cristão deve fugir de qualquer superstição quanto o tema. O 4º mandamento se mantém em seus princípios, assim como todas as leis cerimoniais do Velho Testamento. Embora se possa argumentar de modos diversos como deve ser essa observância específica, é sábio insistir que o dia da semana foi mudado. Coisa que não se prova apenas por um mero verso, mas por toda a sabedoria divina presente em toda a Escritura Sagrada.

A voz de outros:

Para saber mais sobre a tradição (patrística), sugiro:
http://www.paulus.com.br/loja/patristica_c_100_175.html

Sobre o pensamento de Calvino, sugiro:
http://loja.clire.org/produto/a-instituicao-da-religiao-crista-tomo-1-e-2/
http://www.cristaoreformado.com/2016/06/o-que-calvino-realmente-disse-sobre-o.html

Para saber mais sobre os puritanos, sugiro:
http://www.livrariacultura.com.br/p/paixao-pela-pureza-42891540
http://www.editorafiel.com.br/produto/5504435/Santos-no-Mundo

Sobre o 4º mandamento sugiro:
http://www.monergismo.com/textos/dez_mandamentos/quarto_solano.htm
http://editoramonergismo.com.br/?product=os-dez-mandamentos

Observações:

A citações dos pais da igreja foram retiradas de livros digitais usados na minha monografia para ordenação;
O Didaquê pode ser consultado aqui: http://www.ofielcatolico.com.br/2001/05/o-didaque-instrucao-dos-apostolos.html
A citações de Calvino, são do capítulo VIII, parágrafos 32, 33, 34, livro 1, tomo 2, da UMESP.
Originalmente postado em: http://acruzonline.blogspot.com.br/2016/06/7-vozes-sobre-o-7-dia.html

terça-feira, 15 de setembro de 2015

A grande pergunta de minh'alma

A pergunta que me faço sempre não é sobre a origem das coisas, do universo ou da vida, para isso tenho a Resposta: No princípio criou Deus o Céus e a Terra -- estou tranquilo! Nem é o que me perturba, questões sobre a Queda, do tipo: como o homem sendo bom, pecou e comeu do fruto proibido? Ou, por que sendo Deus todo-poderoso, não o impediu de cair? -- pra isso tenho 3 ou 4 respostas. Nem mesmo me consome, as razões da Eleição de uns e Reprovação de outros -- Deus é soberano, Ele faz o que quiser! O fato que me inquieta, é a decisão divina de não ter acabado com tudo; por que simplesmente não decretou o fim de todas as coisas? Que insanidade atingiu a Razão? Que amor louco é esse?

sábado, 23 de agosto de 2014

A CONCEITUAÇÃO TEOLOGICA DA ADORAÇÃO BÍBLICA

Deus estabelece, do nada, tudo o que há (Gn 1;1). Esse Deus, supremo criador, passa a por ordem no caos (Gn 1, Sl 74) em proporções universais. Os relatos da Criação nos dois primeiros capítulos de Gênesis mostram uma organização, um controle diretivo e não somente potencial.  Deus levou seis dias para criar o mundo. Toda a Criação, todas as coisas que existem, existiram ou existirão, foram planejadas e projetadas por Deus ali naquele instante[1] chamado eternidade. Todas as implicações, conseqüências, desdobramentos, foram antevistos, perscrutados, analisados, compreendido e solucionados.  Deus, antes do start do κσμου, conheceu, predestinou, providenciou e uniu em Si mesmo, todas as coisas, acontecimentos e possibilidades, começo, meio e fim (cap. III, A Bíblia e o Futuro, Antony Hoekma, Cap. I, cânones de Dort, I Co 2;7). Há um método, uma ordem, um motivo, há um propósito
.
Tudo que foi escrito deve ser entendido na perspectiva humana, como um relato, a intenção é de contar a história para alguém, e com isso formar algumas ideias. Gênesis é o início da revelação de Deus e não o início do relatório científico[1] da criação. Ao ouvir por que as coisas foram criadas, e por quem (יְהֹוָה  Yehovah - IHWH - Jeová, Javé, Iavé ou Yahweh), é presumível, não só a admiração, mas que um forte senso[2] de cuidado seja instalado no coração do homem.


É exatamente por isso que ao questionar a afirmação de Deus ter criado tudo, vemos expressões como “A Morte de Deus” ou “O Homem que matou Deus” – afinal, sem um criador, somos órfãos, filhos de chocadeira, “não há ninguém lá em cima que olhe por nós”.
Deus ao colocar no cânon, o Início (Gênesis), quer com isso se revelar, não só como o Deus Único, criador de tudo e todos, mas também, apresentar-se como o poderoso Deus que escolhe, institui e preserva o povo de Israel. Gênesis tem o propósito de gerar naqueles que saíram da terra de escravidão uma identidade nacional, transformando um bando de parentes em uma nação.
Uma nação só existe com o estabelecimento de um poder – a Constituição, por exemplo, é o poder máximo do estado de direito – nos tempos de Moises esse poder poderia ser um deus, um patriarca, um poder militar, etc. algo que servisse de elo. Deus, através de Moises, progressivamente estabelece esse Estado, reivindicando para si a autoridade magma. Deus é em última instância o poder máximo da nação Israel, por isso é nEle o valor de Israel como um povo (Is 41;8,14), o valor da nação reside em Deus, o criador.
Embora Deus, o criador, é quem prometa a Abraão fazer de sua descendência uma grande nação, e que o Pentateuco conte a saga dele e de seus descendentes. Os 5 livros não foram escritos com o propósito final de serem para o povo somente relatos históricos ou documentos do poder público (códigos civis, penal, religioso, etc.). Os livros registram o estabelecimento de um pacto, entre o Deus e o homem, IHWH e Adão. Por isso no V.T. não aparece a ideia de Deus-Pai e sim de Deus-Criador. A relação é contratual, tem-se a descrição das cláusulas do contrato (obediência, construção da arca, circuncisão, etc.) e suas observações na vida. Aparentemente cumprindo todas as legalidades, alguém poderia afirmar ser adorador de IHWH (Jo 8;31 a 47), com essa compreensão, que é ainda limitada, veríamos os termos adoração, culto, liturgia, serviço religioso, reverência e religião exatamente como os fariseus, somente como normas, leis, regras, circunstâncias, festas e datas (Is 29;13). Nessa visão estabelecer linhas diretas e negar qualquer desvio fica realmente muito fácil.

No pacto:

É imposto, então, clarificar no V.T. e no N.T., na antiga aliança e na nova, a adoração, e na acepção pactual elaborar uma compreensão ainda mais completa da Adoração Verdadeira, para então, de posse dessa conceituação bíblica, progredir na proposta temática.
Dentro das doutrinas reformadas a relação entre Criador e criatura é entendida como um contrato, um pacto. Com Adão no paraíso foi assim. Deus criou o homem segundo a sua imagem e semelhança. Deus, o Senhor, colocou Adão, o servo, no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo e o orientou sobre como deveria ser o seu procedimento ali (Gn 2, 4 a 25) expondo as consequências de violar essas condições.
A cláusula desse contrato que trata das punições (consequências) do descumprimento de algum de suas partes (v.17), é exatamente o que obriga o ser humano a uma vida distante de Deus, longe do paraíso, expulso da presença divina, ou seja, o Pacto vigora! Com Noé (tipo de Cristo), como agente do pacto, foi diferente[3], a sua obediência o tornou uma benção para toda a criação. Com Abraão (outro tipo de Cristo) também, ele creu e isso lhe foi imputado como justiça, e nele todas as nações da Terra seriam abençoadas, a sequência dos patriarcas confirma essa continuidade do Pacto com Adão (o homem).
Êxodo, então, passa a contar a libertação da escravidão imposta pelos egípcios aos descendentes de Abraão – que é descendente de Sen, filho de Noé, descendente de Seth, o filho de Adão, o homem. O povo de Israel, por sua vez, é introduzido como agente desse pacto, reafirmado por Deus, que passa sistematicamente a criar um Estado que vivesse sob a égide dessa revelação. Todo o V.T. é baseado no cumprimento das cláusulas que foram anunciadas por Deus no monte Sinai.
Ao considerar as revelações do N.T. (Novo Testamento) sobre o Pacto no V.T. temos uma visão ainda mais clara de sua continuidade proposital. Daí o sacrifício de Cristo, não só é a continuação pactual – como foram Adão, Noé, Abrão, Moises, Davi, Salomão, Daniel, Esdras e etc. – como de fato é o cumprimento pleno desse Pacto. É o sacrifício de Jesus que validou a adoração sob a Lei (sacrifícios e correlatos) e o que valida a adoração da Igreja (adoração atual). Nisso exclui-se a possibilidade de duas realidades ou dispensações: Lei versus Graça. Há uma única verdade: por meio de Cristo, todos, quer judeus, gregos, troianos ou goianos, são unidos a Deus, em Cristo, e somente em Cristo pode-se adorar ao SENHOR (cap. XXI, CFW).
Adoração a Deus é um relacionamento proposto, providenciado, mantido e possibilitado por Deus, e em última análise, consumado por Cristo.  O sacrifício de Jesus é o que validou a adoração sob a Lei (sacrifícios e correlatos) é o que valida a adoração da Igreja (adoração atual). Assim, exclui-se a possibilidade de duas realidades ou dispensações. Há uma única verdade: por meio de Cristo, todos, quer judeus, gregos, troianos ou goianos, são unidos a Deus, em Cristo, e somente em Cristo pode-se adorar ao SENHOR (cap. XXI, CFW).
 Analisando a resposta de Jesus ao questionamento sobre a validade do culto tradicional dos samaritanos (Jo 4;21), tem-se uma ampla visão de como para ele a adoração a Deus era central em seu ministério. A mulher, que por ‘acaso’ se encontra com Jesus no poço de Jacó, quer saber aonde era o local certo para adorar (prestar culto) a Deus, no monte Gerezim, o local perto de Sicar onde durante séculos os samaritanos adoravam e ofereciam seus sacrifí­cios ou no Templo de Jerusalém.
Jesus desconsidera essas duas possibilidades declarando que somente “em espírito e verdade” os verda­deiros adoradores adorarão (se submeterão) o Pai (Jo 4;23). É interessante perceber a introdução dessas restrições[4] na adoração. Cristo afirma que somente os verdadeiros adoradores adoram realmente ao Pai, pois só eles O adoram em espírito e em verdade. É claro, que nesse contexto, Cristo fala da inauguração do Reino da Graça, o tempo chegado aonde esse tipo de adoração acontecerá, isso nos faz entender que a adoração verdadeira só é possível através de Cristo (Cap.XVI, CFW).
É razoável pensar que se existe a adoração em espírito e em verdade, existe, também, uma adoração carnal e falsa. Cristo ao qualificar como espiritual e verdadeira a atividade dos adoradores procurados por Deus (Jo 4;23) faz clara distinção destes com os dois outros grupos em discussão.
Analisando esses dois grupos, judeus e samaritanos, percebem-se alguns princípios que se seguidos não faz automaticamente de alguém um adorador verdadeiro: historicidade. Ambos, judeus e samaritanos, faziam o culto assim há tempos, era, não só, costume, mas também cultura – claro que com pesos diferentes para cada grupo; prescrição. Para os judeus, o sacrifício no Templo era a clara e inquestionável observação a Lei de Deus, embora, tanto essa “observação” como essa “lei de Deus” tenha sido questionada pelo próprio Deus; localidade. Havia razões pelas quais se adorava a Deus nesses locais: O monte Gerazim foi palco de acontecimentos importantes da revelação Divina, e o Templo, embora tenha sido até essa ocasião, refeito duas vezes, segue de alguma forma – “de alguma forma” ideia melhor explicada mais a frente – a prescrição para ser o Tabernáculo ou morada de Deus entre os homens; sinceridade. Seria imprudência nossa pensar que os samaritanos iam ao monte adorar a outro deus, ou que o faziam sem algum grau de devoção, da mesma maneira para com os judeus no Templo, embora houvesse ali às portas do Templo, charlatães, especuladores e ladrões a grande maioria realmente tinha um sentimento de religiosidade.
E importante, ainda, recordar que Jesus não afirma que os samaritanos não adoravam a Deus, ao contrário, eles O adoravam, só não conheciam! O rev. Russel Shedd (1987) afirma que “Mais do que inútil é o culto que desconhece Aquele a quem de­vemos submissão e lealdade. Por isso, o grau de beleza de um culto, o número de adeptos, ou a sua antiguidade, não tem importância se o adorador não estiver em contato vital como Deus único”. Por fim a afirmação de Jesus “a salvação vem dos ju­deus”, provavelmente fazendo referência as numerosas profecias do A.T. ao próprio respeito, trata do fato de Deus revelar a salvação primeiramente a Israel (Rm 9;4) e não de qualificar adoração dos Judeus como melhor ou mais aceita do que a dos samaritanos.
A adoração aceitável não está baseada em nenhuma observância legalista. Homens como Abel, Enoque, Noé, Abraão, Moisés obtiveram bom testemunho pela fé (Hb 11). Eles adoraram segundo os padrões de Deus, isto é, de acordo com os mandamentos de Deus, esperaram contra a esperança e contemplaram de longe o objeto da sua fé, pois eles entenderam que a promessa – remissão em Cristo – era de uma pátria superior (v.16). Para eles não tinham sido entregues os 10 mandamentos e nem as leis cerimoniais, eles não observavam datas e épocas do ano e não havia um edifício consagrado ao Senhor. Eles obtiveram bom testemunho pela obediência a uma lei maior, uma lei que deve ser, como foi para este, o parâmetro para adoração da Igreja Cristã.

Cláusula primeira:

Jesus esclarece qual era essa lei maior. Quando perguntado sobre qual era o maior mandamento, ele, afirma que a grande lei que os homens devem seguir é amar a Deus de todo o coração. Ele não citou um dos 10 mandamentos, ele não considerou o decálogo como fonte do maior mandamento. Cristo sita uma passagem de Deuteronômio 6;5. Para Jesus, a ordem maior que Deus impõe ao homem é amá-lo e por isso servi-lo de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento.
Esse amor a Deus deve ser entendido como a acepção verdadeira da adoração exigida e – claro – possibilitada por Deus (Ex 20;6). Duas razões podem ser levantadas para sustentar essa afirmação: Cristo afirma que essa é a Lei de Deus, o mandamento máximo divino, a razão pela qual os seres humanos existem, o propósito da criação. Amar a Deus é o objetivo que o Criador estabeleceu para o ser humano, é um decreto imutável do Senhor (item V, cap. III CFW, livro I, cap. I, IRC). A segunda razão é teológica. A expressão do ‘caput’ da lei prescrita é similar ao entendimento do encadeamento etimológico[5] abstraído no N.T. e na LXX.
O termo traduzido por amar é γαπσεις que foi utilizado na LXX para traduzir o verbo  אָהֵב אָהַב  ('āhēḇ 'āhaḇ); do hebraico (cerca de 200 ocorrências). Esse termo em hebraico foi utilizado para descrever o sentimento de Abraão pelo seu filho Isaque (Gn 22;2), o amor de Jacó por Raquel, pelo qual trabalhou sete anos (Gn 29;18), e a amizade profunda de Jonatas e Davi (I Sm 20;17). O verbo traz a ideia do amor incondicional, altruísmo. A maior lei de Deus manda que ao homem O ame mais do que a si mesmo, que considere o Senhor mais importante e digno de atenção e reverência, o principal, o primeiro, a quem todas as coisas devem ser oferecidas primeiramente, em detrimento de si mesmo, a despeito inclusive de faltar para si.
Mas Jesus acrescenta que esse mandamento se traduz, também, numa atitude de amor para com o próximo. Ele cita Lv 19;18, afirmando que amar ao próximo como a si mesmo é o segundo mandamento, semelhante (aquilo que se parece ou é próximo de...) ao primeiro. Os mesmos termos são usados no segundo mandamento de Jesus. A segunda maior lei de Deus é tratar o outro como a si, da mesma maneira que alguém si ama deve amar ao outro, buscar o bem do próximo com o mesmo cuidado e determinação dispensados na busca do bem para si mesmo. A ideia não é “meu direito acaba aonde começa o do outro”, forma passiva, mas “meu dever é o direito do outro”, forma ativa. E mais, essa lei tem uma importância maior. Amar (γαπν) ao próximo é mais importante que todos os outros mandamentos, ficando diretamente abaixo de amar (γαπν) a Deus. Não se pode – não aqui – entender essa passagem de forma simplista. Jesus não está simplesmente resumindo os 10 mandamentos em 2, como sugerida pela explicação clássica – boa e correta, porém curta – de que “amar a Deus...” é o resumo dos 4 primeiros mandamentos e “amar ao próximo...” dos 6 seguintes.
Cristo afirma, peremptoriamente, que estes dois mandamentos são os que dão base a tudo que a Lei (Torah) regulamenta, e por causa deles os Profetas trouxeram julgamento e condenação às nações (Is 1;2).  Provavelmente os fariseus que perguntaram a Jesus qual o maior mandamento, queriam usar a resposta dele como arma para questioná-lo e por fim acusá-lo de falta para com alguma lei ou interpretação da lei (Mc 14;55, Jo 8;6). Eles não estavam interessados em ouvir uma hierarquização da Lei. Mas Cristo frustra seus intentos ao responde-lhe com um conhecimento intrínseco da Lei (Lc 2;47), um conceito pétreo, fundante. O amor (γαπν) a Deus é o princípio da obediência (Jo 14;23). Entretanto, para Cristo, amar (γαπν) ao próximo é tão diretamente entrelaçado com amar (γαπν) a Deus que ele vê a necessidade de responder ao questionamento com afirmações sobre um segundo mandamento semelhante ao primeiro.
O entendimento dessa realidade está espalhado nas cartas paulinas, bem como nas cartas gerais. João coloca essa relação de amar ao próximo como sinal do amor a Deus (I Jo 2;10, 3;10, 4;7,8,20,21), Tiago afirma que uma fé em Deus sem obras é morta, para ele amar a Deus implicava diretamente em amar aos semelhantes. Paulo passa a mostrar o mais excelente dos dons, o amor (γπην), e é evidente que esse amor, poeticamente apresentado, não é para com Deus. O amor ali apresentado é como deve ser a expressão do nosso amor (γπην) para com o próximo.
O amor com que Deus nos amou é o padrão para amarmos uns aos outros. O apóstolo ainda acrescenta que todos os atos feitos sem amor (γπην) são inválidos. Ele não afirma que os atos foram ruins, ou que deveriam ser evitados. Ele afirma que essa liturgia ou religiosidade destituída de amor (γπην) não tem valor nenhum por que está destituída da essência de Deus. Se os atos mais profundos de devoção não contemplarem, em amor, ao próximo, serão como um barulho, um som destituído de sentido e de beleza, que rapidamente torna-se insuportável (Ap 3;16).

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[1] Claro que em algum nível há uma precisão no relato, a questão é que o propósito do texto de Gênesis não reside no esclarecimento da mente humana e sim na revelação do Senhor.
[2] Na aterrorizante experiência do encontro de Deus com Jó, a multidão de inquietantes razões que ele tinha, foram silenciada e transformada em uma assombrosa e calma confissão de fé, “ainda que ele me mate, nEle confiarei”; quando Jesus acalma a tempestade os discípulos percebem admirados quem realmente era Jesus; a acusação apresentada por Deus contra o povo escolhido, registrada no primeiro capítulo de Isaías, trata exatamente disto: o boi conhece o seu dono e o jumento sabe quem o alimenta, mas o povo dele não tem entendimento.
[3] A diferente reside na fé demonstrada pela obediência de Noé ao construir a arca. Esse episódio é tipológico da obediência de Cristo o novo Adão, mas a potência da salvação propiciada pela obediência de Noé não é perfeita em comparação ao sacrifício de Jesus.
[4] As restrições são a espiritualidade e veracidade da adoração prestada a Deus. Independente de qual for a interpretação dos termos, fica claro que para Jesus só esse grupo em particular, que adora em espírito e verdade, são adoradores de Deus (ver Jo 4;24).
[5] Uma referência ao primeiro capítulo. 
[6] Uma referência ao artigo A Etimologia Bíblica do Termo Adoração

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Música, canto e a Igreja

Havendo compromissos conciliares e/ou confessional específico sobre o uso da música no culto, os responsáveis (pastores, líderes ou liturgo, ou liturgista) devem descansar neles, seguindo-os sem maiores contestações, ou questiúnculas. Isso esboçará certa humildade (não fingida) bastante condizente com o que penso ser o ideal do líder cristão. Mas, em não havendo acerto conciliar ou confessional, ou ainda mesmo por causa de certa inquietação – justa, provavelmente – sobre a temática, convém que cada um avalie-se e então pratique aquilo que não condena. Entretanto, devemos nos lembrar, os que estão filiados em concílios, convenções ou associações (que possuem resoluções sobre o tema) devem ser submissos (inicialmente, e sinceramente) a eles, ou claramente darem seus motivos para não serem, aguardando resolução, nas instâncias devidas, sobre essa dissidência. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A ETIMOLOGIA BÍBLICA DO TERMO ADORAÇÃO

(O que tem a Bíblia a nos dizer sobre culto)



A acepção encontrada nos dicionários traz por certo que adora e cultuar são, de alguma forma, sinônimos. O Novo Dicionário Aurélio – Século XXI, Edição Eletrônica, 1999, traz as seguintes definições: Adorar v.t. 1. render culto a (divindade). 2. Amar extremosamente. No mesmo dicionário, a definição de culto, é: Culto sm. 1. Adorar ou homenagear a divindade em qualquer de suas formas e em qualquer religião. 2. Modo de exteriorizar o culto, ritual. 3. Veneração, preito. É claro que essas definições apenas mostram que os termos se misturam e que se igualam a ideia do senso comum, “adorar a Deus é prestar-lhe culto”. Entretanto os termos são mais complexos e exigem maior reflexão.

No Novo Testamento uma das palavras que foi traduzida por adorar significa render-se. O termo προσκυνεν e suas cognatas aparecem quase 60 vezes, sempre com o sentido de submissão. O termo, em sua etimologia, tem o sentido de “beijar os pés” ou prostrar-se diante de alguém superior, submeter-se, colocar-se a disposição de outro. Na LXX (versão grega do A.T.), o termo προσκυνεν e suas variantes aparecem em quase 300 passagens, sempre na tradução de vocábulos hebraico que também transmitiam o mesmo conceito de submissão ou rendição.

Existem na Bíblia mais de 5 mil termos associados a algum serviço religioso, culto ou celebração, com certeza sinalizando, dentre outras coisas, a importância bíblica dada à temática culto/adoração. Isso mostra que os autores entendiam a adoração em associações a outros termos que são válidos e imprescindíveis para uma compreensão bíblica verdadeira. Em uma dessas associações terminológicas, adorar está ligado ao servir ou serviço, (λατρεαν), que quando juntada ao vocábulo culto (vide definições aurelianas acima) que vem do latim, cultus, dá sentido a comentar primeiramente o termo λειτουργας, de que origina o vocábulo liturgia, antes de tratar propriamente da λατρεαν (serviço).

Composta de duas palavras gregas, “povo” (λαν) e “trabalho” (ργον), λειτουργας, que significava originalmente pagar sozinho as despesas de um trabalho público, cerimônia ou benfeitoria, voluntariamente ou por obrigação. Passou do uso secular para o religioso, de modo que os eruditos da LXX usaram cerca de 50 vezes o termo ou suas variantes para traduzir os vocábulos hebraicos como עֲבוֹדָה (avodah) פָּלְחָן (polchan)  ligados ao ministério sagrado dos sacerdotes (Ex 38,19, Nm 4;24, I Cr 6;48) de aspergir sangue na tenda e nos utensílios do Templo e o oferecimento diário de sacrifícios, “exercer o serviço” (λειτουργν) sacerdotal.

Entretanto a palavra liturgia, no contexto atual, traz apenas a ideia de cerimônia ou organização cúltica, um cronograma religioso. Na verdade o termo está destituído de seu verdadeiro sentido. No N.T. o apóstolo Paulo usa naturalmente o termo λειτουργν para descrever-se com ministro de Cristo, missionário aos gentios (Rm 15.16). Os líderes da igreja de Antioquia adoravam (λειτουργοντων) ao Senhor (At 13.2) por intermédio de oração, jejum e no ensino à igreja. A ajuda aos carentes da igreja de Jerusalém é chamada de λειτουργας (II Co 9.12). O sacro ofício de Jesus Cristo é um ministério superior (λειτουργας) (Hb 8.6). É correto afirmar que os cristãos cumprem uma “liturgia” quando trabalham pelo bem de seus irmãos, a exemplo de Cristo (Jo 3;4 a 14). O N.T. mostra, em diversos textos, que adoração genuína é “trabalhar” para Deus (At 13), consequentemente trabalhar para a Igreja.

Já o termo λατρεαν surge de λατρων (ordenado) no grego secular foi usado para indicar um trabalho pago e, mais tarde, um trabalho não pago, ou escravo (em hebraico עָבַד – avad  ou δολος em grego). Acrescentando ao conceito de adoração a ideia de uma relação serviçal entre o homem e divindade. Esse termo, reconhecido facilmente no vocábulo “idolatria” (serviço, devoção ou culto a um ídolo), em Atos 7;42, foi utilizado para descrever a atitude de certos israelitas rebeldes que cultuaram (λατρεειν) anjos e (presumidos) seres celestiais. Uma outra utilização é do apostolo Paulo que afirma ser os demônios que dão realidade ao culto (λατρεειν) a ídolos (I Co 10.20), e que Deus re­vela Sua ira contra todos os que idolatram a criatura (Rm 1.25).

O termo também é empregado em contextos positivos. Paulo utiliza-se de λατρεαν, “culto”, para a ideia de serviço santo e agradável (Rm 12;1), vemos o termo ser usado na passagem onde a profetisa Ana servia (λατρεουσα) ao Se­nhor no Templo, numa adoração de jejuns e orações (Lc 2.37), bem como em Hebreus 8;5, 9;9, 10;2, 13;10, se referindo ao culto judaico no Templo. No evangelho segundo Mateus, Jesus, também usa o termo λατρεαν pa­ra responder ao diabo (4;10) afirmando que somente Deus era digno desse serviço. Em Apocalipse, o apóstolo João descreve uma multidão que serve ou adora a Deus (λατρεουσιν) incessantemente (Ap 7;15). A λειτουργας [1], em que Je­sus se ofereceu foi para que os adoradores tivessem consciências limpas para poder servir (λατρεειν) ao Deus vivo (Hb 9;14).

No V.T. especialmente em Êxodo, Deuteronômio, Josué e Juízes o termo foi empregado com fre­qüência (90 vezes) na LXX sempre com a ideia de cultuar e de adorar a Deus (Ex 4;23, 8;1,20, 9;1, Ez 20;32, etc).

Outro conceito utilizado no grego bíblico, vinculado ao assunto é o σεβεας (reverenciar). O vocábulo consta em 25 passagens e no original transmite a ideia de um homem religioso devotado a seus deuses que faz tudo para evita o azar, identificado com desfavorecimento ou castigo da parte de um deus (At 17). É a obediência a divindade pelo temor, respeito pela sua autoridade.

Mateus e Marcos citam a versão grega (LXX) de Isaías 29;13: “Em vão me ado­ram (σβοντα), ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt 15;9; Mc 7;7). Em Romanos 1;25, aparecem paralelamente os termos σεβσθησαν e λτρευσαν para apontar a religiosidade dos pagãos, “adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador”.  No evangelho segundo João, lê-se; Deus não atende a pecadores, mas pelo contrário se alguém teme a Deus (θεοσεβς) e pratica sua vontade, a este atende (Jo 9;31).

No VT, o termo aparece mais 4 vezes, todas na LXX. Em Ex 18;21, Jetro sugere a escolha de lideres, tementes a Deus (no texto a ideia é associada a homens que, também, não sejam corruptos), para julgar as causas mais simples do povo e ajudar Moisés na direção da nação. O termo também é utilizado para descrever a fidelidade de Jó (Jó 1;1,8 e 2;3).

A negação ou a falta de reverência, σβειαν aparece cerca de 70 vezes para traduzir termos com פֶּשַׁע  (pesha) ou רֶשַׁע  (resha) ou תֹּעֵבָה תּוֹעֵבָה  (toevah) – impiedade, irreverência, maldade ou culpa por desobediência . O termo é posto lado a lado com injustiça (Rm 1;18).  Já em II Tm 3;12, outra variante é usada, nesse caso para descreve um grupo disposto a viver reverentemente ou piedosamente (εσεβς) em Cristo Jesus, mesmo sendo perseguidos.

Ainda teríamos o termo θρησκεας, que só aparece seis vezes no N.T. (At 26;5, CI 2;18,23, Tg 1;26,27) e pode sempre ser entendido como religião ou religiosidade, embora tenha sido usado o termo adoração, na tradução de Colossenses 2;18, para descrever o ato religioso de reverenciar a anjos. Não há grande diferença entre o sentido deste vocábulo e o de λατρεαν, sendo que ambos tratam do culto oferecido a divindade na sua expressão externa. O termo (θρησκεας) nesses textos trata da observação da adoração na vida prática, no dia-a-dia: controlar a língua, cuidar dos órfãos e das viúvas em suas tribulações, etc.

De fato, as ideias associadas aos termos adoração e culto, estão mais ligadas ao estado em que adorador se apresenta a Deus do que onde e quando ele apresenta ao Senhor. Embora no vernáculo os termos adoração, culto, liturgia, serviço religioso, reverência e religião, acabaram se misturando e no senso comum eles são considerados sinônimos, é correto afirmar que a cerne da ideia religiosa de reverência cúltica biblicamente estabelecida (lê-se adoração bíblica) é apropriadamente ligada a uma relação de escravo e senhor, essa relação é bastante significativa para definir a adoração que devemos prestar a Deus. Submissão e serventia são as definições mais acertadas para a adoração.




[1] O termo não aparece no texto de Hb 9;14, entretanto está ligado ao ofício de Cristo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Meu desespero?

Toda palavra é estúpida se não for da Palavra
Toda verdade é mentira se não vem da Verdade
Toda liberdade é falsa se não da mão do Libertador
Toda justiça é imunda se não feita pelo Justo

Tudo que sou é efêmero, se não sou dEle
Tudo que faço é nada se não for para Ele
Eu sei o que sou, e sei quem me enviou
Aquele que me formou, me escolheu

É nos trilhos de Sua vontade que encontro sentido
Na Sua direção eu tenho abrigo
No Seu esconderijo eu tenho vida
Em Sua vida eu tenho paz

domingo, 26 de dezembro de 2010

Soli Deo Gloria!

Adoração independe de nós
  
          Adorar ao Senhor independe de nossas condições físicas, morais ou sociais. Fomos criados à semelhança do Senhor para sermos seus adoradores. Nosso fim é louvá-lo. Nosso sofrimento, alegria ou desânimo não deveriam afetar nosso louvor. É fundamental compreendermos as Palavras de Jesus à mulher samaritana “... os verdadeiros adoradores adorarão em Espírito e em verdade.” Assim como não depende de lugar (o templo de Jerusalém ou o poço de Jacó), também não depende de nossos sentimentos.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Quero Cantar

por Nádia Braga


Um dos aspectos da minha personalidade é que gosto muito de música. Desde muito nova já participava do coralzinho da Igreja. Com o passar do tempo, participei do coral adulto, entrei na equipe de louvor e sempre estive envolvida com música. E é assim que tenho trabalhado para o Reino, cantando e cantando. É notória a influencia que a música exerce sobre as pessoas. É uma força muito grande. Existem vários estudos realizados por cientistas, que demonstram que a música beneficia as pessoas, pois traz refrigério, traz alegria, traz conforto, traz diversão e tudo isso nos coloca em um estado melhor física e espiritualmente falando. Acredita-se que essa força é capaz de acabar com dores, reduzir o estresse e aumentar a capacidade cerebral das pessoas.

Como sou uma pessoa que leva a sério a música, e principalmente e acima de tudo, o Evangelho, me preocupa o rumo que as coisas estão tomando. O meu gosto é bem apurado, diga-se de passagem. Por que? Não sou do tipo que gosta de qualquer coisa, o chamado ‘gosto eclético’. E não é porque eu goste só de música gospel não, porque também gosto de música secular. Mas é porque hoje em dia a música gospel (evangélica), não é considerada sinônimo de qualidade (em termos literais mesmo).