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terça-feira, 22 de abril de 2025

A Validade do Batismo Cristão

Eu acredito que o batismo, como sacramento instituído por Cristo, é um sinal visível da Graça de Deus, selando a promessa do Evangelho aos crentes e seus filhos. Na minha visão, fundamentada na teologia reformada, para que o batismo seja válido, quatro elementos são essenciais:  

  1. o rito deve ser o correto,  
  2. o ministrante precisa ser oficial,  
  3. a promessa deve ser a bíblica e  
  4. a instituição precisa ser a verdadeira.

1. O Rito Deve Ser o Correto: Eu creio que o batismo deve seguir o mandamento de Cristo em *Mateus 28:19*:_“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.”_ Para mim, o rito correto envolve o uso da água, e água somente, e a invocação da Trindade.  Entendo que a forma de aplicação — aspersão, efusão ou imersão — não é essencial, desde que a água seja usada de maneira ordenada; *sem superstição, sem misturas, sem abusos ou irreverentemente.* Como afirmado na *Confissão de Westminster (Cap. 28)*, “com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Se o rito omitir a água ou a fórmula trinitariana, *é inválido!* Pois desvia da instituição divina.


2. O Ministrante Precisa Ser Oficial: Eu defendo que o batismo deve ser administrado por um ministro ordenado, alguém devidamente chamado e autorizado pela Igreja. Veja que a *CFW (28.2)* aponta isso, pois afirma que os sacramentos devem ser “dispensados por um ministro do Evangelho, legalmente ordenado”. Para mim, essa exigência garante a obediência à Grande Comissão. Não creio que a eficácia do batismo dependa da piedade do ministrante, mas da promessa de Deus, como já ensinava Agostinho contra os donatistas. Assim, um batismo realizado por um ministro ordenado, mesmo em uma igreja com desvios doutrinários menores, é válido, desde que os outros elementos estejam presentes. No entanto, eu questiono batismos realizados por qualquer um que não seja reconhecido internamente como ministro.


3. A Promessa Precisa Ser a Bíblica:  O batismo é um sinal e selo da promessa do Evangelho, da justificação pela fé, da regeneração pelo Espírito Santo e da inclusão na aliança de Deus (*Rm 6:3-4; Gl 3:27*). Para mim, a validade do batismo depende de sua conexão com a promessa correta, que é a salvação pela Graça mediante a fé em Cristo. Se o batismo for administrado com uma promessa distorcida — como em grupos que negam a Trindade ou atribuem ao rito um poder salvífico fundamental, ou outra superstição, heresia ou erro —, eu acredito que sua validade é comprometida. Eu defendo que o batismo deve apontar para *Cristo como o único Mediador* e para a fé como o meio de receber a Graça. Por isso, eu valorizo a instrução catequética para os pais ou candidatos, assegurando que a promessa seja compreendida.  Além disso, eu acredito que a intenção do batismo deve estar alinhada com o propósito de demonstrar publicamente ser parte da aliança de Deus com seu povo.


4. A Instituição Precisa Ser a Verdadeira:  O batismo deve ser realizado no contexto da Igreja verdadeira, marcada pela pregação fiel da Palavra, a administração correta dos sacramentos e a disciplina eclesiástica, conforme a Confissão Belga (Art. 29). Para mim, a Igreja verdadeira não é uma denominação específica, mas qualquer comunidade que se submeta às Escrituras e ministre os sacramentos conforme ordenado por Cristo.  Eu reconheço outras tradições cristãs, desde que preservem o essencial, mesmo que haja outras diferenças doutrinárias. Como João Calvino argumenta nas *Institutas (4.15.16)*, eu acredito que erros secundários não anulam a irmandade em Cristo, desde que as principais doutrinas estejam presentes.


Conclusão: Enfim, eu considero válido somente o batismo que, através do rito prescrito, ministrado por um oficial, afirma o que a Bíblia prometeu, ou seja, o reconhecimento público da ligação espiritual com o Corpo de Cristo (a instituição verdadeira). Esses detalhes me asseguram que o sacramento praticado foi mesmo um Meio de Graça instituído por Deus, apontando para a obra de Cristo e selando as promessas da aliança. E, claro, considerando a própria verbalização sincera da fé pelo cristão, o rito não opera por si mesmo. E assim, *e só assim*, sou capaz de reconhecer batismos realizados em contextos imperfeitos e em outras tradições e denominações cristãs.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

40 dias, 40 anos:

Outra pergunta despretensiosa que me foi feita acabou por oportunizar esse pequeno artigo. Dessa vez foi um presbítero, bastante sábio, que apontando as muitas circunstâncias em que números específicos estão associados na Bíblia, perguntou sobre "a simbologia do número 40". Segue o artigo:

É fácil notar certos números na Bíblia. Seja o 3, 7, 12 ou 40. Embora devamos tomar cuidado com a numerologia e fugir obviamente das superstições associadas, não é possível desprezar essas “coincidências”. Numa rápida pesquisa, é possível se lembrar de:

1- Em Gênesis 7.12 lemos que a chuva caiu por 40 dias e 40 noites, causando o dilúvio que destruiu toda a vida na terra, exceto aquelas na arca com Noé.

2- Em Êxodo 24.18 até o cap. 31, Moisés passa 40 dias e 40 noites no Monte Sinai para receber a Lei de Deus.

3- Já em Números, em 13.25, os espiões enviados por Moisés exploraram a terra de Canaã por 40 dias. E também em 14.33, vemos o Povo peregrinando no deserto durante 40 anos antes de entrar na Terra Prometida.

4- Em 1 Reis 19.8, o profeta Elias viajou 40 dias e 40 noites até o Monte Horebe, onde teve um encontro significativo com Deus.

5- Em Jonas 3.4, o profeta fujão proclamou que Nínive seria subvertida em 40 dias, o que gera uma comoção nacional e arrependimento daquela geração

6- Em Mateus 4.2, lemos que Jesus jejuou por 40 dias e 40 noites no deserto, sendo tentado pelo diabo.

7- E em Atos 1.3, está registrado que após a Ressurreição, Jesus apareceu aos seus discípulos durante 40 dias antes de sua ascensão.

Essas ocorrências no mínimo demonstram alguma importância relacionada dessas passagens, o que pode apontar para algum valor metalinguístico. Mas mesmo aí, é mais importante os fatos e ensinos diretos do que a tentativa de compor uma “doutrina dos números”. É verdade que a tradição dá algum significado transcendente ao número 40; daí temos a Quaresma, E parece certo afirmar que a história valoriza esse número: 40 seria um período razoável de passagem do tempo, uma geração ativa; e também associar com a maturidade – um homem ou uma mulher de 40 anos é alguém que tem experiência, mas ainda tem capacidade de ação e decisão.

É possível entendermos o valor do número 40 como 10 × 4, ora, 4 representa uma totalidade: os “Quatro Cantos da Terra”, os quatro lados, as quatro faces, as “Quatro Essências”... os Quatro Evangelhos. E 10 obviamente seria superlativo, o aumento. Assim, teríamos o número 40 como um apontamento da perfeição e completude.

Na Bíblia vemos o número 40 frequentemente associado a períodos de prova e teste, renovação e recomeço, ou ainda de preparação: como nos 40 dias de chuva no dilúvio, ou os 40 anos de peregrinação no deserto. Após o dilúvio, Noé e sua família repovoaram a terra (Gênesis 8.15-19). E, é só depois de 40 anos, que o Povo entra na Terra Prometida (Josué 1). Não podemos nos esquecer que Moisés passou 40 dias no Monte Sinai recebendo a Lei ou ainda os 40 dias de tentação de Jesus no deserto que só depois inicia seu ministério público (Lucas 4.14-15).

Embora tudo isso seja significativo, não se deve pensar em um valor transcendental, algo espiritual, uma piedade intrínseca... Talvez a forma mais justa seja algo muito próximo da mera coincidência. O registro tem seu valor no que registra; a forma serve ao propósito de informar. A intenção não é tanto trazer uma verdade de “Gênesis a Apocalipse” sobre o número 40, mas apontar um momento crucial, seja 40 dias, seja 40 anos.

O fato do número 40 na Bíblia simbolizar períodos de prova, purificação e preparação, precedendo grandes transições ou recomeços, julgamento, renovação espiritual e até revelação divina, destaca a importância de tempos definidos. A melhor interpretação teológica sobre o número 40 é que a Mão Providente de Deus atua claramente no Mundo, com perfeição e completude dentro do Decreto Divino.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Natus ex Maria Virgine

Será que o apóstolo Paulo acreditava na doutrina do Nascimento Virginal de Jesus? Em seus escritos há evidências ao menos de que ele conhecia a tese? Em Romanos 1.3 não encontramos afirmações que destoam dessa doutrina? O fato dessa carta ter sido escrita antes dos relatos canônicos do nascimento de Jesus não prova que essa doutrina só mais tarde tornou-se central na religião Cristã? Será que erros na tradução do hebraico para o grego não influenciaram parte dos autores bíblicos e por isso alguns deles distintamente afirmaram essa ideia do nascimento virginal?

No interesse de responder a essas e outras dúvidas, segue essa simples investigação bíblica circunscrita à análise textual histórico-gramatical, sem a necessidade de apelo a autoridades tradicionais ou imposição confessional. Trata-se de um silogismo básico. Um mínimo de coerência, de leitura e interpretação da Palavra, que por vezes apontará traços técnicos, sem, entretanto, recorrer ao tecnicismo ou academicismo.


TRAÇANDO O ERRO:
Argumentar que o nascimento de Jesus não foi extraordinário, não é nada. Ora, ninguém nasce ‘magicamente’, todos os humanos são frutos da fertilização de óvulos, de um jeito ou de outro, por espermatozoides. Literalmente é depois da junção dos gametas de um macho e de uma fêmea que um novo ser humano se forma. Logo, qualquer um que não crê na divindade de Cristo esposa essa ideia, mesmo que inconscientemente, afinal é o modo natural. Certamente Pilatos ao permitir a crucificação e, igualmente os líderes religiosos ou a multidão que pediu por Barrabás, jamais pensaram que Jesus não fora concebido naturalmente. Mas não é isso que a Igreja afirma.

Sobra para quem, por alguma razão, não tem coragem de romper totalmente com a Fé Cristã afirmar que a ideia do nascimento virginal de Jesus é uma invenção da Igreja Medieval, mantida ainda hoje pelos ‘fundamentalistas’. Certos, por diversas fontes, que a autenticidade histórica do texto bíblico é um fato inquestionável, o esforço é concentrado em demonstrar que o Novo Testamento não traz afirmações claras sobre a Natividade miraculosa ou, que no melhor dos casos, o Texto Sagrado abriga variações e discrepâncias entre os autores canônicos sobre o tema, tornando internamente plausível esse pensamento. E assim, a tese divergente fica de pé ou cai, a partir da demonstração ao menos de uma dessas proposições.


AFIRMANDO O ÓBVIO:
Os 4 Evangelhos, claramente reconhecidos como autoridade divina já para a Igreja primitiva, concordam quanto a procedência divina do Senhor Jesus, não havendo espaço aí para um revisionismo histórico-eclesial. Evidências internas de qualquer um dos 4 Evangelhos apontam essa reivindicação de Cristo. O próprio Jesus, mais de uma vez, fala sobre a sua preexistência e se afirma um com o Pai (João 10.30; 17.5). João, o mais longevo apóstolo original de Cristo, escreve mais poeticamente sobre essa divindade latente de Jesus (João 1.1-3,14).

Mateus e Lucas, que registram de modo efetivo e inconteste o nascimento extraordinário de Jesus (Mateus 1.18-25; Lucas 1.26-38), demonstram que a história textual do Evangelho, da Igreja e desta doutrina se confundem. O próprio Credo Apostólico, que remonta ao Didaquê (sec. I), afirma que Jesus nasceu da Virgem Maria. Ou seja, não se pode separar essa ideia sob pena de falsificar toda Religião Cristã Histórica.

É verdade que os textos dos Evangelhos datam da segunda metade do primeiro século, cerca de 30 ou 40 anos depois da morte ressurreição do Nosso Senhor. Mas antes disso implicar em uma ideia tardia, tal fato na verdade reforça a autoridade dos relatos. Especialmente considerando que a maioria dos livros do Novo Testamento foram escritos com uma diferença média entre 10 e 20 anos.

Lucas, autor do 3º Evangelho, que afirma diretamente o nascimento virginal de Jesus, diz nos primeiros versos de sua obra que muitos empreenderam uma “narração coordenada dos fatos que entre {eles} se realizaram”. Ou seja, além de se afirmar como testemunha, nos informa que esses fatos estavam sendo divulgados amplamente. Assim, não é razoável pensar que afirmações tão singulares, especialmente diante de inúmeras testemunhas oculares (1João 1.1), passariam despercebidas sem que isso causasse estranhamento na comunidade cristã primitiva. Mas não há evidências desse desassossego. Na realidade essa doutrina é mais antiga que os próprios Evangelhos.

 
TESTANDO POSSIBILIDADES:
Não somente os Evangelhos canônicos afirmam a origem divina de Jesus, essa ideia permeia outros textos do Novo Testamento. Isso fica evidente em todas as 13 cartas paulinas. Em Efésios 4, por exemplo, Paulo afirma que Jesus só subiu ao Céus, porque de lá ele desceu – um apontamento claro sobre a encarnação. Já em Filipenses 2.5-11, o apóstolo diz: “pois ele (Jesus), subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana”.

Em 1Coríntios 8.6, ele diz que “há um só Deus” para em seguida atribuir a expressão de laudação tipicamente divinal “Senhor” para Jesus Cristo, e afirmar que todas as coisas são do Pai e pelo Filho. Em 2Coríntios 5.19, o apóstolo diz que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo, e em Filipenses 3.20 e 21 reafirma que “aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao CORPO da sua glória, segundo a eficácia do PODER que ele TEM”.

Já em Colossenses 1.15 confirma que Cristo é “a imagem do Deus invisível”, e ao afirmar que Ele é o “primogênito de toda a criação”, apresenta Cristo como encarnado ou materializado. Igualmente em Colossenses 2.9 reafirma que “nele (em Jesus), habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”, e sem medo de dizer que evidentemente, grande é o mistério, declama: “Aquele que foi MANIFESTO na CARNE foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória (1Timóteo 3.16)”, aludindo a toda trajetória do Filho até a Terra e de volta aos Céus.

Perceba, a origem divina de Cristo é um pressuposto claro do apóstolo Paulo, que afirma claramente a semelhança ou manifestação humana. Se ele acreditasse que Jesus era meramente um homem, ou se não sabia do nascimento virginal, por que insistir que um (mero) homem é semelhante ao homem? Que sentido faz afirmar que um homem é manifestado na carne (natureza humana)? Por que dizer que ele foi reconhecido em figura humana?

O autor de Hebreus aponta a divindade de Cristo em várias passagens (Hebreus 1.8-9; 1.10-12; 13.8). O apóstolo Pedro afirma que Jesus é Deus e Senhor em suas cartas (2Pedro 1.1,11; 2.20; 3.18). E o Livro de Apocalipse finaliza com qualquer dúvida sobre a divindade do Mestre (Apocalipse 1.17-18; 22.13), o que implica em seu nascimento (ou encarnação) diferenciado.

Todo o Novo Testamento anuncia isso claramente. E não é para menos, "Lucas, o médico amado" (Colossenses 4.14) e (Filemom 1.24), que mais tarde escreveria o 3º Evangelho, citado pelo próprio Paulo como um cooperador do seu ministério, é também o primeiro historiador da Igreja (Atos 1.1-3). Sua mensagem ressoa o próprio texto bíblico. É virtualmente impossível que a tese dele fosse desconhecida pelos outros autores do Novo Testamento.

Além de que, segundo o próprio Paulo, quando ele encontrou-se com os 12 apóstolos, incluindo Mateus, que também escreveria em seu Evangelho sobre o nascimento virginal de Jesus, e João, que afirmaria categoricamente a divindade do Bom Mestre, nada eles lhe acrescentaram (Gálatas 2.6), ou seja, “seu” Evangelho (2 Timóteo 2.8) era exatamente a mesma mensagem desses líderes, e isso naturalmente incluía o nascimento sobrenatural de Jesus.


DERRUBANDO FALÁCIAS:
No Evangelho de Mateus, lemos que “tudo isto aconteceu” – se referindo diretamente a concepção extraordinária de Jesus – “para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta” e categoricamente citando o texto do mais importante profeta para os judeus de seu tempo, o evangelista afirma que o nascimento de Jesus da Virgem Maria era o cumprimento da profecia registrada em Isaías 7.14 “Eis que a VIRGEM conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)”.

E aqui é interessante, pois em hebraico, o profeta Isaías usou o termo עַלְמָה (ʿalmâ) e na versão em grego foi traduzido para παρθένος (parthenos). Embora, haja outras palavras em hebraico para descrever uma jovem mulher virgem, apta para gerar filhos e se casar, esse conceito de pureza é inequívoco no termo em grego utilizado, que literalmente significa virgem, uma pessoa do sexo feminino que nunca teve relações sexuais.

O termo usado em hebraico é etimologicamente diferente do termo usado na tradução do grego. Não é necessário falsear essa questão. Mas palavras são mais que sua etimologia. Contexto e sentido subjacente devem ser considerados, em especial quando numa tradução. Isaías apontava a capacidade da jovem mulher gerar filhos, num momento de desolação. O simples fato dela ser ou não virgem não é abordado, o caso se dá porque isso não era o foco do autor. Aí não reside nenhuma dificuldade textual a passagem, o termo usado em grego reflete apenas o sentido mais alto e ideal do conceito hebraico.

Argumentar que a tradução de um dos mais importantes textos proféticos dos judeus, feita por especialistas, que realmente utilizavam as duas línguas – afinal, a Septuaginta, a versão grega do Velho Testamento, foi
 contemporânea ao uso natural dos manuscritos originais em hebraico – está simplesmente errada, é de uma mediocridade arrogante.

Para além disso, os tradutores da septuaginta usaram παρθένος (parthenos) também para “jovem mulher” ou simplesmente “moça”, sem apontar exclusivamente a virgindade. Veja o exemplo em Gn 34.3, o mesmo termo grego é usado para traduzir נַעֲרָה (na`arah) que só significa serva ou jovem. Além do mais, pelo contexto, sabemos que por uma violência, Diná, não é mais, tecnicamente, virgem. E mais, Gn 24,16, os 70 sábios que traduziram o Velho Testamento do Hebraico para o Grego, usam na mesma frase a expressão παρθένος (parthenos) para traduzir dois termos hebraicos distintos נַעֲרָה (na`arah) e בְּתוּלָה (beṯû·lā(h)).

Ou seja, παρθένος (parthenos), que aparece 65 vezes na Septuaginta, é usado para traduzir pelo menos 4 termos diferentes em hebraico, termos que se referem a mulheres jovens, muitas vezes virgens, mas também pode ser utilizado de forma mais geral para se referir a mulheres ainda em idade de gerar filhos.

Seria no mínimo um abuso imaginarmos que os leitores originais do Velho Testamentos fossem incapazes de entender o sentido do texto. Mateus, que era um judeu, portanto falante de hebraico e provavelmente também de grego e latim, um homem letrado, contador ou publicano, que tinha uma mente necessariamente arguta, ágil, seria capaz de observar esse “erro grosseiro de tradução” das palavras, com muito mais qualidade que qualquer estudioso atual. Ou seja, ele usou o texto consciente dessa diferença etimológica.

Ademais, a doutrina não tem sua validação textual no evangelho de Mateus apenas. Lucas registra a Anunciação em seu livro no cap. 1.28-38. Esse trecho narra que o anjo Gabriel informou Maria que ela conceberia e daria a luz ao messias, pelo poder do próprio Deus. Lucas faz questão de registrar que Maria questiona o anjo sobre isso, por ser ela virgem, ao passo que lhe é esclarecido, essa concepção se daria pelo Poder do Espírito e da Sombra do Altíssimo, e finalizando o anjo diz que o aquele filho seria um ente santo. Então, pela lógica, antes de atribuir erro de tradução seria preciso insistir que Maria mentiu.

Enfim, todas essas passagens confirmaram que os autores bíblicos, direta ou tacitamente, acreditavam no extraordinário nascimento de Jesus. E na soma das evidências até aqui impõe-se que o nascimento de Jesus era, na visão dos primeiros Cristãos, a visitação divina prometida. E assim fica estabelecido, acima de qualquer dúvida que o Texto Sagrado inquestionavelmente afirma a doutrina do Nascimento Virginal de Jesus.


DÚVIDAS RAZOÁVEIS?
Mas em Romanos 1.3, só é possível supor que Paulo esteja sugerindo uma concepção natural para Jesus numa leitura descuidada. Analisado, com o mínimo de atenção, verifica-se que o verso não é nada além de confirmação de tudo o que já foi dito até aqui.

Importa para o caso a última parte da afirmação original: σπέρματος Δαυὶδ κατὰ σάρκα (spermatos Dauid kata sarka), que pode ser traduzida legitimamente como “descendência de Davi segundo a carne”. A expressão σπέρματος significa semente e por derivação óbvia, descendência – no Grego clássico é usado deste modo. Das 45 vezes que aparece no Texto Sagrado, mais de 80% das ocorrências significam descendência; apenas 8 ocorrências efetivamente apontam para semente e em nenhuma dela se quer é possível sugerir a ideia de sêmen.

Ora, que Jesus é da linhagem do rei Davi, não há dúvidas, tanto Maria quanto José (legalmente pai de Jesus – lembre-se que no recenciamento romano isso foi promulgado) eram de descendência davídica. E isso faz parte de todo o profetismo messiânico, que Paulo, como bom Judeu, fariseu de fariseu, conhecia muito bem.

Entretanto, se a intenção dele fosse mesmo afirmar que o nascimento de Jesus era fruto de um relacionamento natural – uma atitude sem sentido – ele teria dito σπέρματος Ἰωσὴφ, semente de José (o marido de Maria). Além disso, essa nem é a forma comum, bastava dizer υἱὸν ἐν τῇ Ἰωσὴφ, (filho de José).

E mais, na própria epístola, cap. 8.3-4, lemos Paulo afirmar que Jesus, o Filho de Deus é enviado em SEMELHANÇA de carne. Ou seja, já estava clara a sua fé no nascimento extraordinário de Jesus. Pois seu interesse é firmar que Ele é semelhante a nós, embora fosse essencialmente diferente de nós por ser o Filho de Deus (Romanos 15.6). O que obviamente também desmonta a possibilidade de que ele tenha mudado posteriormente de ideia, depois da feitura dos relatos Evangélicos – Se bem que a divindade de Jesus já é apontada nas carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, os quais são textos mais antigos que o de Romanos, como demonstrado acima.


CONCLUSÃO:
Defender a possibilidade de alguém ser cristão sem necessariamente crer em traços distintivos da Fé Bíblica é uma profunda tolice. Faz parte de “ser cristão” sustentar certas afirmações que se negadas constituem um desvio tão gravoso que mais justo é ser considerado fora da cristandade. Não é mero dogmatismo, mas um apelo a lógica; afinal um triangulo não pode ter 4 lados ou um vegano não pode se alimentar de proteína animal. Isso é básico.

É assim com a ressurreição corporal e histórica ou antes com o nascimento virginal de Cristo. Afirmar que essas doutrinas são invenções posteriores da Igreja, e que tais crenças não existiam na mente dos primeiros cristãos, e, portanto, não fundamentais para a Fé, é literalmente negar a historicidade do cristianismo, sua lógica interna e suas afirmações mais caras.

A ideia de que Cristo foi apenas um homem e que seu nascimento tenha sido apenas mais um igual a todos os outros, não foi abraçada como uma possibilidade para o cristão já do primeiro século da era cristã. É só no sec. II que surgem os primeiros grupos cristãos propondo que Jesus era um ser humano comum, que fora adotado como Filho de Deus em seu batismo. Mas nem mesmo o herege Ário, que discutiu mais firmemente a plena divindade de Cristo, ainda no sec. III, ousou propor que o nascimento do Salvador tenha sido menos que extraordinário. Lembrando que essas heresias foram rechaçadas com o uso do Texto Bíblico – bastante emblemático – que a essa altura já era amplamente conhecido e tinha seu cânon finalizado.

Reedições modernas desses erros, não estão mais amparadas em silogismo bíblico, ou em melhor exegese que antes; nem mesmo ‘novas’ descobertas arqueológicas sustentam esses disparates. Tais posturas não devem ser tratadas como possibilidades, apenas “matizes de cristianismo”, mas sim como nada menos que apostasia, simplesmente. 

Há uma necessidade teológica clara aqui, a expiação de nossos pecados só é possível se nosso Mediador for simultaneamente Deus e Homem.

Graças a Deus temos um sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, que, tendo-se oferecido uma vez para sempre, tirar os pecados de muitos, aqueles que O aguardam para a salvação.


BIBLIOGRAFIA

1. Rick Brannan, org., Léxico Lexham do Novo Testamento Grego (Bellingham, WA: Lexham Press, 2020);
2. Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993);
3. Kurt Aland et al., Novum Testamentum Graece, 28th Edition. (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2012);

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

MEU CORPO, SUA REGRAS, SENHOR!

Primeira carta de Paulo aos Coríntios, Capítulo 6, versos 20 - pois foram comprados por alto preço. Portanto, honrem a Deus com seu corpo.

A cada dia, cuidar do corpo, da saúde física e até da aparência através de uma boa alimentação, exercícios, hidratação, etc., tem-se tornado uma obsessão hodierna. Academias, cirurgias, suplementos, isotônicos, remédios e procedimentos se avolumam prometendo não só longevidade, mas principalmente qualidade de vida.

Mas o que tem movido você a cuidar do seu corpo? É o medo de envelhecer? A melhoria na qualidade de vida? Aumentar o condicionamento para enfrentar o 'batidão'? A busca pela beleza? Perder peso? Ganhar força? Caber naquela roupa nova? Passar na prova de aptidão física do emprego dos seus sonhos?

Nada disso é errado. Guardadas as devidas proporções, fico feliz por você, mas preciso te informar que isso não é tudo. Não basta cuidar do corpo para diminuir os efeitos do tempo e maximizar o vigor ao ápice, alcançar objetivos nobre e bons. Não é suficiente garantir qualidade de vida, especialmente quando por vida nos referimos apenas aos aspectos material, social e psicológico.

Há uma dimensão espiritual que permeia e transcende o que nós compreendemos por vida, e obviamente põe termo ao conceito de qualidade dela. A rigor, é onde se manifesta a Vida, da qual nossa natureza (corpo, mente, emoção, sentimento) pega emprestada sua essência. E aí está o x da questão: como está a qualidade espiritual da sua vida? Ou, mais comumente, como está a sua vida espiritual?

Pode parecer estranho falar de espiritualidade diante de um verso bíblico que aponta a obrigação de honrar a Deus com o corpo, mas é que nossos corpos estão ligados ao nosso espírito, de forma que um não é nada sem o outro. Ora, a boca fala o que está cheio o coração, os pés são ligeiros para caminhar no mal e os olhos miram aquilo que é o nosso desejo. É a parte imaterial do nosso ser que, de uma forma ou outra, dirige as ações feitas no e com o corpo. Então a fonte de tudo vai se resumir ao que está no interior do homem.

A verdade é que só honraremos ao SENHOR com nossos corpos, se e somente se, tivermos sido comprados pelo Sangue de Jesus. Ou seja, só é possível agradar a Deus se todo o nosso ser tiver sido resgatado para e por Ele. Isso é, nossos corpos foram resgatados, nossas mentes foram resgatadas, nossos corações, desejos e razões foram resgatados. Mas esse resgate, obviamente, significa mais que meras palavras. É por causa disso que nossas atitudes, que se manifestam através do nosso corpo, devem se alinhar com o Sacrifício de Cristo, a morte de Jesus na Cruz, o alto valor com que Ele nos resgatou.

Uma vida realmente transformada é aquela que no interior tem como base a vontade divina e, então, exteriormente, um proceder que honra a Deus, efetiva e materialmente diferente do mundano. É viver aqui em uma disposição com a de Cristo, isso é, servindo, primeiro ao Pai e, por isso mesmo, ao próximo. Com palavras, fatos e atos do verdadeiro amor. E então, verdadeiramente, você estará honrando a Deus...

...também com o seu corpo.


Sem mais, Graça e Paz.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

SEU TRABALHO É INÚTIL?

Salmo 127, verso 2 -  Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.

A Palavra de Deus começa dizendo que Ele criou o homem, Adão, com o propósito de governar o mundo criado. No entanto, ela nos diz também que o SENHOR designou um trabalho para ele: proteger e cultivar o Jardim do Éden. Ou seja, sendo a primeira 'profissão' a de jardineiro, criada pelo próprio Deus, não se deve jamais concluir que o trabalho seja uma maldição.

Entretanto, é certo afirmar que depender do trabalho, especialmente de algum tipo difícil e extenuante, é sim um castigo divino; parte da maldição trazida pelo Pecado Original. Afinal, antes da Queda, o homem podia comer livremente de toda árvore frutífera plantada por Deus, mas depois do Pecado, seria do suor do rosto que ele teria o que comer, e com dificuldade, inclusive vinda da fraqueza da terra, que, além de tudo, produziria conjuntamente as "ervas daninhas".

Mas não é por isso que devemos inferir que é na força do nosso trabalho que estaremos seguros. Afinal, a Bíblia também aponta que, mesmo sendo extremamente diligentes em nossas tarefas, o resultado não é garantido. Muitas vezes, o trabalho correto e bom, até o mais extenuante, é verdadeiramente inútil. De fato, a Palavra afirma que situações, imprevisíveis, corriqueiramente, afetam tudo e todos, e por fim, o que era esperado não vem.

Não que a Palavra de Deus valorize o ócio ou dignifique a malandragem. Deus não valida a irresponsabilidade; não devemos tentar a Deus, quer seja pulando de um pináculo acreditando que Ele não permitirá que nos machuquemos, ou acreditando que os gastos excessivos do cartão serão "magicamente" pagos com orações feitas e versículos citados fora do contexto. Mas a verdade é que as Escrituras Sagradas são prodigiosas em harmonizar duas ideias aparentemente antagônicas: devemos trabalhar como se tudo dependesse de nós, mas ter a certeza de que tudo depende exclusivamente dEle.

Quando no verso 2, o salmista afirma que o trabalho intenso, imparável e desgastante é inútil, a razão desse diagnóstico não está na forma, quantidade ou dificuldade do trabalho, e nem mesmo no propósito ou razão dele. O problema todo gira em torno do valor do resultado. Especialmente, o valor eterno. Na verdade, todo o Salmo 127 está dizendo que o SENHOR é quem valida o trabalho que realizamos. Qualquer que seja.

Em outras palavras, Ele avalia e atribui resultado às nossas ações. Deus é quem certifica com crescimento a boa semente plantada. NOTE, isso não dispensa o semeador de semear, o construtor de edificar, ou o sentinela de vigiar. Ao contrário, a certificação divina é quem estabelece as atividades e o resultar delas.

É importante que se saiba, o SENHOR não está preso a um sistema mecanicista de causa e efeito. Ao estabelecer os fins, Ele determina os meios, como Lhe apraz. Ele levanta um e abate outro. Permite o justo sofrer aqui e farta o ímpio de bens. As coisas, simplesmente, não são como achamos que devem ser. Elas seguem o plano infalível de Deus, que em geral, nos escapa completamente.

Assim, nossa responsabilidade é trabalhar com determinação, não para suprir nossas necessidades básicas, pois desse modo agem os ímpios, mas principalmente por ser uma ordem do Criador, nosso Deus. Sem nos esquecermos, por mais virtuosos que pensemos ser, somos realmente incapazes sequer de nos prover o básico. E por isso, é necessário confiar no Pai Celeste (se é que você O tem) eternamente santo, todo-poderoso que é extremamente amoroso e graciosamente bom, que supre o que precisamos, de acordo com Sua vontade, que para os seus é sempre boa, perfeita e agradável...

...até mesmo quando dormimos.



Sem mais, Graça e Paz.


terça-feira, 9 de janeiro de 2024

VOCÊ DORME EM PAZ?

Salmo 4, verso 8 - "Em paz deito-me e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro."

Nunca se ouviu tanto sobre a necessidade de uma boa noite de sono como atualmente. Diversos especialistas afirmam que dormir bem é essencial para nossa saúde física e mental. Há um sem-número de remédios, receitas, produtos e procedimentos que prometem garantir o sono perfeito. Mas será que é assim mesmo que devemos buscar o "merecido" e necessário descanso?

A Palavra de Deus não se furta a direcionar todos os aspectos da vida humana. Certamente, ela também tem muito a dizer sobre a necessidade e o merecimento de descanso e até sobre o sono. Mas a perspectiva não é tanto de que eles promovem algum bem físico e mental, mas que sono e descanso são resultados graciosos (presente divino) a um coração que não se entrega às ansiedades da vida, mas antes confia no SENHOR. Não que a Bíblia proponha algo como um anestésico, ensinando uma técnica psicológica de fazer as coisas do agora não nos tocar, comover, nos importar, mas antes ela aponta verdades que fortaleçam o coração no SENHOR, o que permite descansar tranquilo.

Então, não é tanto qual remédio você tem tomado para dormir, ou que exercícios, trabalho ou tarefa extenuante precisa praticar para poder enfim 'apagar', ou ainda qual preparação deve ser feita antes de deitar-se para facilitar a chegada do sono; a pergunta certa é se realmente você tem confiado em Deus. Se você se sente tranquilo e seguro, pois sua vida está nas mãos dEle.

No fim, o que o salmista aponta nem é mesmo o processo natural de dormir. Embora perder o sono seja um bom indicativo de ansiedade, o autor sagrado afirma que uma fé verdadeira em Deus promove uma vida equilibrada e que, por isso, ele pode realmente dormir despreocupado.

Ou seja, o processo, a receita, o remédio para termos uma boa noite de sono, segundo a Bíblia, é confiar verdadeiramente em Deus. E isso quer dizer não outra coisa senão OBEDECER à sua Santa Palavra. Doutra forma, você realmente quer dormir tranquilo?! Pois bem, confie sua vida nas mãos do SENHOR, entregue a Ele o seu caminho, busque-O de todo coração, viva segundo a Vontade Prescrita de Deus e você terá realmente um coração inabalável.

Espero que você, esta noite, possa fechar seus olhos, sabendo que se esforçou para viver de acordo com a Bíblia, e que essa expectativa não está baseada na sua capacidade de atender a esse alto padrão, mas na vida de Cristo que, pela fé genuinamente bíblica, flui em você, levando-o a reconhecer sua indignidade em merecer o descanso e até mesmo o sono reparador e, por isso mesmo, se lance nas Mãos dEle, onde há misericórdia, e assim, logo pegue no sono... 

...você tem o dia todo para isso. 


Sem mais, graças e paz.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

UM DEUS QUE SE REVELA

A Primeira Carta de João 1.5 - Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.

Deus nunca fica sem testemunho. Ele sempre se revelou à humanidade. Desde a criação do primeiro homem, o SENHOR sempre claramente se comunicou com ele; lá, certamente com uma naturalidade que nós, por causa do Pecado, não podemos usufruir, ainda.

Deus se faz conhecido. Até mesmo Seu eterno poder é claramente anunciado. Seja na própria Criação, que espelha a Sua grandeza; seja nas assombrosas e distintas capacidades humanas herdadas dEle. Aquilo que nos torna mais que meros animais: a arte, a força do nosso caráter, a capacidade de tomar decisões morais diferentes do apontado pelos estímulos e instintos.

Toda inquietação intelectual da raça humana, que nos move, como a progredir, estranhamente em busca de um paraíso perdido, do qual temos saudades, sem que de fato o tenhamos antes o conhecido, que está cravada em nosso “inconsciente coletivo”, grita para cada um de nós sobre a existência de um Deus que é todo amor.

Mas tudo isso, por nossos pecados, somos capazes de ignorar e, por isso, alguns se voltam para adorar a criatura (ou Criação) em vez do Criador, ou mesmo constroem, com as próprias mãos, um deus para se curvar e servir, na esperança que isso aplaque essa fome e sede do perfeito.

Assim, Deus foi servido em revelar-se de modo ainda mais especial. Através de reis, sábios, profetas e dos apóstolos, a quem, para o nosso bem, comissionou registrar tais mensagens, a Bíblia, visando o aperfeiçoamento também dos santos que ainda iriam nascer.

Essa mensagem, que da parte dEle recebemos, é o Evangelho, anunciado desde Gênesis até Apocalipse. Uma grande, única e extraordinária história de amor. Um amor tão grande que não é fácil expressar em palavras; por isso mesmo, aquele que é a Palavra, se encarnou e habitou entre nós, Deus mesmo, a Luz dos Homens.

Esse é o Deus testemunhado na Bíblia, o Deus que se revela, Aquele que busca a humanidade perdida e desce às regiões inferiores para resgatar os seus, ao ponto de chegar a morte e morte de Cruz. Esse Deus é todo Amor, todo Justiça, todo Poder, todo Verdade. Nada nEle se contradiz e nem muda; o que Ele quer, simplesmente é, e o que Ele diz acontece.

Ele não tem variação de humor, de ânimo, de personalidade, ou de decisão. Ele mesmo é o prumo para tudo, o Padrão de todas as virtudes. Subsiste nEle a referência real e universal para qualquer coisa. Ele é o ser imutável, a fonte segura do saber, e a medida exata para qualquer definição do Bem; o contraste perfeito para o Mal...

...Quem nEle se apoia jamais será confundido.

sábado, 18 de maio de 2019

Arminianismo nem é teologia!

É só um erro vulgar (no sentido de comum) sobre um ponto da doutrina Cristã (a rigor, é só uma falha boba na soteriologia). É verdade que esse erro, tem se tornado o cavalo-de-batalha de grandes movimentos evangelicais e tem patrocinado um sem número de trabalhos que pervertem a fé cristã. Obviamente nem todos os erros do Evangelicalismo pode mesmo ser creditado aos arminianos e muito menos ainda a Armínio.

Tanto por isso, já não há sentido fazer, da luta contra essa heresia, a marca de um ministério (calvinismo x arminianismo). Mas também porque essa concepção errática, por mais velha que seja (num rastreio bem feito, é nada mais que uma reedição do pelagianismo do séc. V), nem tem sua definição acertada, e varia de interprete e de sucesso de aplicação.

Sugiro enfaticamente para a turma mais nova, que agora conheceu as Doutrina da Graça: não percam tempo 'refutando' os ideias deles, não se gaste tentando provar o quanto o Arminianismo é sem sentido e antibíblico. Apenas apresentem a verdade bíblica, sem fazer da heresia tão querida por João Wesley um espelho que balize vossas ações.

Entenda, não é armistício, na verdade, o mero dar atenção a essa bobagem, acaba por dar algum crédito a ela. Apenas pregue o Evangelho, o poder de Deus para salvar todo aquele que crê, e não a mera possibilidade de salvação para todo aquele que quiser. Simples assim!

Entretanto ao avaliar o Arminianismo como apenas um aspecto errado da doutrina cristã e não como um outro grupo completo (hermenêutica) de teorias, não estou dizendo que não há o que ser rechaçado, mas apenas pondo o erro no seu devido lugar.

Arminianismo é apenas um erro na soteriologia reformada. Vários outros erros doutrinários se somaram, se reforçaram e se cristalizaram, no que se pode chamar de evangelicalismo; (que é essencialmente anticonfessional), uma heterodoxia bem esquizofrênica, hora mais, hora menos romana, as vezes anabatista e entusiasta, por vezes mística medieval.

Enfim, não há uma teologia arminiana, há uma soteriologia arminiana, que diversa, depois de ter sido rechaçada da Igreja reformada e não achando abrigo no luteranismo (esse sim uma teologia paralela com certas convergência e discrepâncias do calvinismo), reside quase sempre nos heréticos grupos livre, se retroalimentando, veio mudando e sendo mudado, hoje é apenas popular, mas nem é organizado. Transita e se adapta. O que o tem mantido com certa evidência.

De qualquer forma, não há motivo para fazer um ministério de combate ao arminianismo, basta apenas demonstrar a teologia bíblica e tudo será clarificado, o erro será exposto, a verdade triunfará. Arminianismo não é um teologia ou uma escola de interpretação bíblica, muito menos uma cosmovisão, é só um dos muitos erros, em um dos muitos temas da Fé Cristã, surgidos por fragilidade na doutrina da Palavra, por isso mesmo é tão fácil de estar associado a outras heresias. Um estudo apriorístico simples das Escrituras é suficiente para vencê-lo.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Segundo o Mandamento

Esse texto surgiu a partir da leitura de alguns artigos e postagens em redes sociais, que propõem uma permissibilidade da feitura de imagens de Cristo, para vários fim, citando diretamente os símbolos de fé presbiteriano, e quando não negando sua proeminência, afirmando uma interpretação diversa do mesmo. A ideia não é refutar os artigos, mas contraditar o âmago deles e estabelecer o que penso ser a ortodoxia bíblica do caso. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Revisões e Inovações

Há um episódio dos X-men para a TV, creio que dos anos 90, em que o Logan ora, se arrepende, confessas seus pecados e agradece a Deus (numa igreja), a paz que Ele o deu, acabando assim com sua raiva, (e se você já assistiu o filme) agora lembre-se do que ele fez no novo filme. Em Star Trek (a série clássica), há um episódio que eles encontram, num determinado planeta, adoradores do Sol, mas no fim se percebe que eles não falavam do sol, o astro que iluminava o dia, mas do Criador do Sol que havia feito tudo e trazia luz aos corações (claras alusão ao texto do VT são feitas nesse e em outros episódios) -- viu alguma menção bíblica nos últimos 3 filme?


Quem acompanha HQ ou outras historias (franquias) no cinema ou em livros, sabe que vez por outra, um recomeço, um nova versão da "narrativa de origem" é contada. Basta lembrar do Homem Aranha, originalmente Peter Parker fora picado por uma aranha radioativa... na versão cinematográfica do anos 2000 era uma aranha geneticamente alterada; Ironman usava energia eletro-atômica para fazer seu traje de metal maleável (transistorizado) funcionar -- bem diferente da armadura e do Reator Arc, atualmente -- vez por outra a 'bateria acabava' no meio da contenda e o herói era obrigado a se livrar de outra forma; A DC Comics viveu um grande problema, "resolvido" pela criação do multiverso e das eras, por causa das muitas versões (incompatíveis) de seus personagens;


Jason Bourne (famosa atuação de Matt Damon) já fora interpretado no anos 1980 por Richard Chamberlai, como um agente secreto mais franzino que tinha a inteligência sutil como sua maior defesa; James Bond, sempre foi um 007 mais sofisticado, menos físico, quase invisível, até a chegada da excelente versão com Daniel Craig; O Hobbit, Senhor do Anéis e até o garoto de Hogwarts tiveram suas narrativas alteradas substancialmente para se encaixar na telona; até a história clássica dos titãs (não a banda, e sim os deuses gregos) teve sua versão cinematográfica de 1981 -- que passa longe da narrativa milenar -- atualizada para um blockbuster de sucesso... assim vai com todas as fábulas modernas ou clássicas.


Sempre me chama atenção esse fato, essas mudanças acabam por nos ensinar que alterações nas narrativas são comuns, normal. Essa CERTEZA moderna de que toda história pode ser mudada ao "gosto de freguês" -- lembrando que a mente esquerdista é profícua em revisionismo histórico para "vender seu peixe", a despeito da verdade -- tem gerado um descrédito tácito às narrativas históricas, 'desconstruindo' verdades há muito estabelecidos e anestesiando-nos para a nova moral.


Aplique isso sobre à Velha História, o Evangelho, a Bíblia (inclusive que é muitas vezes -- pessimamente -- retratada no cinema e na TV) e você perceberá porque, naturalmente, temos enfrentado um desconfiança generalizada do Texto Sagrado, e isso, obviamente, afeta também a credibilidade exposição das histórias bíblicas, muitas delas sendo abertamente 'desmentidas' por pregadores, em busca de ouvidos mais generosos, favoráveis, fugindo assim do compromisso da convicção da Fé.


No fim, admito que temos, no geral, bons entretenimentos, no mais das vezes em suas partes (há momentos realmente ruins e profanos) são coisas boas, e obviamente não proponho um boicote as salas de cinema, ou passeatas contra determinados detalhes mudados e mundanos. Mas lembre-se de Daniel, Hananias, Misael e Azaria; foram alterados aspectos comuns de suas vidas: seus nomes, seus costumes alimentares, com o interesse de que seus conceitos e valores mudassem.


A maioria das artimanhas satânicas são sutis! Se aparecesse um cramunhão, de pé fendido, e com rabo pontiagudo pouca efetividade ele teria em seduzir as nações! Cuidado, pode não parecer, mas estamos em guerra, guerra pela Verdade, e cada passo é sim um movimento de ataque!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Rápidas considerações sobre personagens fieis a Deus e seu envolvimento com a política nas suas respectivas gerações:

Quase sempre só nos lembramos de Daniel e seus 3 amigos pelo belo resultado do firme propósito de não se contaminaram com as finas iguarias do rei. Nos esquecemos que por décadas, eles não só serviram a Babilônia, como aconselharam os reis daquela terra desoladora, que estavam diretamente envolvidos nas entranhas políticas e sociais dos impérios que se seguiram e que abençoaram pessoalmente a vida daqueles governantes.

É interessante notar que no livro não há nenhuma menção a estratagemas de Daniel para ter sua pátria restaurada e nem alguma boicote ao governo opressor --- que nunca foi tratado como algum poder ilegítimo! Mais adiante, no mesmo cenário histórico, temos tanto Esdras e Neemias usando de sua posição junto ao rei (no mínimo equiparado a algum servidor público de alto escalão) para reedificar Jerusalém, quanto a história de Ester, que no livro é pintada com cores suaves de romantismo, mas que age politicamente, do alto de seu "posto", em benefício do povo de Deus, e mais, é digno de nota que Mordecai usou a lei dos medo-persas (leis pagãs), e de sua função legislativa (dada por um déspota, sanguinário e vil), propondo um edito para salvar os judeus, Volte no tempo e você verá a mesmo coisa com José no Egito. Paulo não apelou a Cesar e ao direito romano em mais de uma ocasião?

Não há uma só linha na Bíblia que sugira o abandono da sociedade em que vivemos, nas mãos dos ímpios. Parece certo insistir que Jesus nunca arvorou a reconstrução isolacionista de um reino teocrático terreno (ele foi enfático no exato oposto), e nem exigiu que seus discípulos se tornassem os regentes políticos do mundo, seja por articulação ou tomada de poder, mas é absolutamente claro, há ordem para que eles lutem, até sob o risco de perde a vida, pela preservação daquilo que ainda aponta para Deus no mundo, e do mesmo modo expor os erros dos governantes, ao que, penso, Paulo interpreta em duas faces: orar pelos governantes para que tenha vida pacífica (note, não para que se convertam e nem para que caiam e sejam substituído por cristãos), inclusive sendo na prática um bom cidadão, dando louvor a quem merece, e aproveitando as oportunidades de melhorar, acender socialmente e fazer o bem pessoalmente, que certamente são bençãos de Deus.

sábado, 15 de setembro de 2018

PENSE:

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Em 7 de outubro, cristão, o seu não-voto, seu voto nulo ou em branco, significará, no mínimo:

"Aceito passivamente que uma nação que já foi oficialmente cristã, e que embora atualmente laica, se torne cada vez mais hostil ao cristianismo" - quebra do 1º mandamento.

"Concordo com a sistemática implementação da retirada, obliteração, re-significação, ou mutilação de tudo que aponta para Deus em nossa sociedade e governo" - quebra do 2º mandamento.

"Permito que a história seja revisada para que tudo de bom seja chamado de mau e tudo de mau seja chamado de bom, em especial aquilo que diretamente e nominado a Deus" - quebra do 3º mandamento.

"Promoverei a continua desobediência a vontade prescrita de Deus, retirando do cenário público todo o freio moral dado por Ele aos nossos pais, quer seja nas mudanças dos códigos civis, penais e processuais, quer seja nas ações dos magistrados que são indicados pelo poder eletivo, que por inação deixarei continuar" - quebra do 4º mandamento.

"Não farei nada contra a casta de bandidos com foro privilegiado, alcunhados de políticos, que se escondem nas casas legislativas ou nos palácios executivos" - quebra do 5º mandamento.

"Não estou nem aí para a autorização do assassinato de milhares de crianças nos úteros de suas mães" - quebra do 6º mandamento.

"Não me importo que seja ensinado para nossos filhos, por força de lei, a fluidez¹ sexual" - quebra do 7º mandamento.

"Não me preocupa a corrupção endêmica, sistêmica e organizada instalada no nosso país" - quebra do 8º mandamento.

"Não vejo problemas a instalação e aprofundamento do movimento marxista cultural em nossa sociedade" - quebra do 9º mandamento.

"Não objeção a politica econômica diabólica do socialismo ou igualitarismo que tanto prejudica os mais pobre e oficializa o roubo aos mais ricos" - quebra do 10º mandamento.

"Sou indiferente a oportunidade dada por Deus a nossa sociedade de ditar certas direções para a Nação, e vou preferir me calar quando a justiça e a verdade clamam por uma manifestação" --- FALTA DE FÉ!

DEUS NÃO TOMARÁ POR INOCENTE OS QUE ASSIM PROCEDEREM!

Não seja impassivo e nem se isente de se manifesta da forma que o magistrado civil, outorgado por Deus, deliberou que você fizesse. Se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para o povo de Deus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevado a cidadão?
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¹ por fluidez sexual entenda a nova ideia de uma criança não nasce homem ou mulher, que a biologia não é determinante, e que nesse assunto pode tudo, hétero, homo, bi, a, LGBTXYZ, é a completa destruição de princípios criacionais dado ao ser humano em sua semelhança com Deus, uma afronto pavorosa a Ele.

sexta-feira, 16 de março de 2018

TODA MORTE NOS DIMINUI!

Não importa se é a do físico famoso, da esquerdista transloucada, do seu Zé da esquina ou do bebê que ainda não nasceu. O valor da vida humana é tão mais alto, tão maior, que a mera exposição ao risco desnecessário já deve ser retalhada, fortemente!

Isso é uma das coisas que os esquerdistas, os modernos humanistas, os progressistas e toda turma simpatizante de bandido que se arrola como defensor dos direitos humanos não entende (ou não quer entender): A repressão ao crime precisa ser formal e diretiva, eficiente e constante, poderosa e marcante, por causa do valor da vida.

Todo crime, não importa seu tamanho, o nível de ofensa, e o transtorno causado, é sempre, em última instância, contra a vida --- falando obviamente da esfera natural-material, não abordo a ofensa a Deus e nem a moralidade social da coisas. A única lógica do roubo é que se trata de um crime e como tal deve ser punido.

Já o mero trauma psicológico de por furto ou roubo ter sido privado de algo particular (mesmo que sem importância ou valor econômico), ou de ter sido invadida a sua privacidade --- quem já teve sua casa arrombado, sabe bem o que é isso --- é mais que suficiente para a rechaçarmos tais atentados com todo o peso da lei.

Ademais quando um criminoso de delitos pequenos percebe que suas atividades não trazem consequências imediatas, ele se sente seguro a avançar e há então um salto na violência perpetrada. O assassinato, na maioria dos casos, é só um meio para se concretizar o roubo. Quase sempre a morte é para facilitar o roubo, ou porque a vítima reagiu, as vezes apenas tentando fugir, ou mesmo no susto!

Mas essa indignação seletiva, esse clamor só pelos do grupelho é diabólica. Se invadem um terreno de um empresário, fazem até show lá para comemorar a expropriação (nome chique para roubo) em nome do "valor social da terra", mas quando é o equipamento de som que é 'socializado' aí ficam com raiva; quando é a vereadora morta, rapidamente gritam que é porque é negra (nem é, era uma morena bem clarinha), mulher e militante, mas quando se chorou pelas militares negras mesmo, mortas, com requintes de crueldade?

Enfim, toda morte nos diminuí, cada assassinato praticado é um tapa na cara de toda a sociedade, uma atentado contra todos; uma vida que se perdeu é um crime praticado em afronta cada um de nós, e nem importa se a vítima por fim até defendia outros crimes ou criminosos. Pensar, mesmo que as idiotices que ele pensava, não é crime --- ainda! --- e embora, apologia ao crime, que ela praticava como esquerdista, precisava ser punida, e na instância determinada que isso deve ser feito e não na aleatoriedade do roubo.

Não me alegro com a morte da PSOLista, aquilo não foi justiça, foi assassinato. E embora haja certa ironia em tudo isso, jamais vou comemorar, mesmo que indiretamente o crime, e nem valorar a ação cruel e funesta. Lamento a morte dela, assim como do motorista junto dela, e das outras milhares de vidas perdidas por causa de políticas públicas implementadas e defendidas por ela.

quinta-feira, 15 de março de 2018

TOPA TUDO POR DINHEIRO

Não se engane, uma das principais razões do Esquerdismo apoiar o aborto e a liberação das (chamadas) drogas recreativas é grana! Não tem a ver com direito das mulheres ou liberdade individual... Não precisa ser muito inteligente, basta apenas para para pensar um pouco.

Essas duas questões, são na verdade dois serviços que o Estado Todo-poderoso aqui simplesmente não tem captado nenhum centavo; na verdade aborto e drogas "recreativas" até gastam boa quantidade de recursos estatais --- mesmo que o serviço ou o combate seja de péssima qualidade. Tudo que ser quer e aumentar a base de "contribuição".

O aborto legal movimenta bilhões de dólares no mundo afora, e as mulheres seduzidas por essa prática criminosa, estão realmente dispostas apagar o preço que for para obter tal "produto" --- se pra isso, uma fatia dos atendimentos devam ser de "cunho social", talvez por dispensa de impostos, melhor ainda.

"Drogas recreativas" é outra fábrica de dinheiro. Além de ter, literalmente, clientes cativos, há sempre a possibilidade de novos produtos, os lucros são altíssimo e os efeitos colaterais são inerentes ao consumo. Praticamente toda a pesquisa e desenvolvimento já foi feita séculos atrás e já existe toda uma infraestrutura pronta e em pleno funcionamento, basta agora decidir, é o ISS ou será o ICMS? Quanto de Confins? regulamentar a profissão, aprovar um plano de cargos e salários, autorizar o sindicato e fiscalizar o cumprimento das leis trabalhistas, mas não antes da descriminalização do comércio ilegal, claro, tudo precisa ser moral (i.e. legal).

Não ignoro que o problema com esses dois temas seja mesmo mais complexo. Também não sei dar uma solução definitiva. Muito menos estou defendendo que por causa das intenções funestas dos maior incentivadores a coisa AUTOMATICAMENTE se torne errada --- embora seja um bom indicativo de algo realmente errado, afinal, o Diabo não faz favor e nem dorme no trabalho.

O ponto além que posso comentar é: tanto um quanto o outro, intrinsecamente envolve a legalização (sempre será mais que descriminalizar uma prática, mas literalmente aprovar outra) da destruição do ser humano --- tema que deveria ser estendido para muitos outros contextos. Não há consumo seguro de drogas "recreativas" assim como não há aborto sem risco, afinal alguém sempre termina morto nesse procedimento; com sorte a mãe escapa.

Normalmente JAMAIS posso aprovar a descriminalização --- que já realidade, infelizmente --- desses duas situações (dentre outras muitas, que não vêem ao caso), em especial porque a vida humana, seja ela qual for, tem um valor incomparável, não há direito --- nem mesmo os próprios; nem a liberdade pode ser trazida a baila --- que supere isso.

No fim é uma escolha moral, que me parece inexorável para um cristão: os recursos do Estado (um mal necessário? Que seja, ele já está aí) devem promover a segurança e a justiça, e isso não ocorrerá sem uma plena consciência do valor da vida humana, na prática, das maiores as menores coisas.

NÃO AS DROGAS, NÃO AO ABORTO!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

PROIBIDO VIRAR A ESQUERDA!


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Tenho a Socialdemocracia em alta conta, mas sei de suas limitações, e por isso me vejo obrigado a defender um sistema economicamente liberal como a única alternativa que se aproxima do ideal bíblico. A Socialdemocracia tem por premissa fazer o bem ao povo e para isso ela depende dos recursos do povo. A rigor, a tese é: juntar os recursos extras e distribuir àqueles que nada possuem, acabando com a miséria, fácil, fácil. E até aí eu concordo plenamente! O problema é que nem todo que tem algum extra, vai querer cooperar, daí, passa-se a impor a contribuição (impostos sociais)... isso é perigoso!

Creio que a igreja em Atos 2 demonstra perfeitamente como isso deve ser feito. A medida que havia necessidade, eles vendiam o tinham para dividir igualmente entre os que precisavam (v.45). O Texto e o contexto deixam transparecer que não era impositivo. Havia a alegria e singeleza de coração (v.46), e isso era motivado por uma mudança interior pela pregação da Palavra (v.42). O apóstolo Pedro, no episódio de Ananias e Safira, afirma categoricamente que não havia qualquer obrigação de fazer isso (At 5:4).

É certo afirmar biblicamente que não há autoridade humana que possa expropriar algum bem do outro, a não ser por penalidade prevista em lei, e nesse caso lei justa – um rei não pode simplesmente decretar a tomada a força das terras de alguém (1 Rs 21). Os impostos devem ser comedidos – no caso é justo o Governo cobrar para se manter, sabendo que sua única razão de ser é a luta ativa pela justiça (poder de espada, Rm 13 – podemos até discutir até onde isso vai, mas é só isso que é sua função), e a contribuição social deve, sobre tudo no Novo-testamento, ser voluntária.

sábado, 7 de outubro de 2017

PRESBITERIANO E MARXISTA, PODE?!



O cristianismo bíblico é uma Verdade que afeta toda as coisas da vida humana. Fora as decisões do Supremo Concílio da IPB, claramente contrárias aos ideais marxistas, não podendo ter, de forma coerente, um presbiterianos comunista, socialista ou marxista (ou ainda na sua vertente falsamente democrática, o esquerdista), coisa fácil de verificar nas Sagradas Escrituras são as inúmeras falas divinas que legislam sobre cada aspecto social, cultural e filosófico. Em todas elas, é absolutamente claro a contrariedade com os pensamentos de Karl Marx ou de Friedrich Engels, os "papas" do esquerdismo.

A Bíblia não é ideológica ou politicamente neutra, por isso mesmo nem a fé Reformada e nem a IPB, o são... logo, por simples obviedade nenhum pastor presbiteriano pode ser, que dirá esquerdista (marxista, comunista, socialista)!

As mentiras sociais propostas pela turma de esquerda não só fracassam diante de uma análise bíblica porque não são verificáveis -- em qual pais mesmo houve a divisão igualitária das riquezas? -- mas porque os próprios fundamentos dessa ideologia são anticristãos. Desde tentar erguer aqui um reino e paraíso (o ideal) sem Deus, até a forma que isso é buscado, o sacrifício das massas, a morte dos dissidentes, a luta de classes e a manipulação da verdade, são coisas abomináveis não só para o homem cristão, que conhece a Palavra, mas para qualquer ser humano que tenha o mínimo de senso crítico e lisura de caráter.

Pregar o Evangelho será também descrever todo os mandatos divinos, e ensinar sobre tudo que Deus mesmo ensinou. Orar pelos governantes, será também fazer como João Batista fez, denunciar sua pecaminosidade. Ficar neutro diante das imundices que essa mente diabólica tem ostensivamente chamado de bom e certo, as vezes até com a alcunha de cristianismo ou amor, é tanto pecado de omissão, como chamar o mal de bem e o bem de mal.

Não confunda amar o próximo como a ti mesmo com os ideias socialistas; Cristo não foi o primeiro comunista; cristianismo e marxismos não podem estar na mesma frase a não ser para nominar grupos rivais.

Decida-ss: Cristo ou Marx, os dois não dá!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Um vislumbre extraordinário nas coisas ordinárias


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As vezes eu fico impressionado como o ímpio (pra ser justo, talvez só o não-regenerado) as vezes esbarra com a Verdade e a compreende de um modo realmente interessante, muitas vezes com mais acuidade que o filho de Deus.

Assistindo a séria Agents of SHIELD em uma determinada situação, cada um dos principais personagens é levado a mudanças gigantescas, apenas pela manipulação de um único detalhe em suas vidas. Um mísero acontecimento ruim diferente, e eles estão em uma realidade alternativa (não só por isso, há outros detalhes que em não vou comentar).

Muitos cristão não conseguem compreender isso. Não conseguem olhar a própria história e perceber que cada minúsculo detalhe nos trouxe inexoravelmente onde estamos, nos fizeram exatamente quem somos -- e se filhos de Deus, então alvo do amor divino. Ora, pela boa lógica já, com apenas essa demonstração (visível para um roteirista de série de televisão) qualquer um que creia num Deus conforme nos aponta a Bíblia deveria ser capaz de calmamente confiar, e dizer confiadamente: "Deus está no controle", e que cada situação, por mais insignificante, trágica ou comum que seja, foi por Ele pensada, pesada, programada, DECRETADA!

Mas em havendo diversos textos bíblicos que apontam para essa VERDADE (A soberania exaustiva de Deus), é de entristecer saber que a grande maioria dos (que se dizem) cristãos, argumentam no máximo -- e mesmo assim com muita dificuldade -- que as coisas ruins, ou infortúnios, são apenas permissões (um quase "sem querer querendo...") de Deus. Imaginam que assim estão poupando o Divino de se "sujar com" algumas de nossas vicissitudes.

Quão fraco é esse deus imaginado, quão sem sentido é adorar um senhor assim, que no máximo, na mais 'piedosas' de suas versões, fica passivo à vontade humana, e na pior e mais maligna sugestão, se surpreende e chora entristecido com as mazelas naturais do universo.

DEUS ESTÁ NO CONTROLE! Nosso Senhor foi claro em dizer que Deus cuida das aves do céus e das flores do campo, como não haverá de cuidar de nós (os eleitos, e só estes!) que velemos muito mais que aves ou flores? Ora, cada fio de cabelo em nossas cabeças está contado, e mesmo valendo tão pouco nem um passarinho cai sem que Deus esteja diretamente envolvido nesse acontecimento.


As situações da nossa vida não são sucessões de acontecimentos aleatórios e sem sentido definido. Numa casa há muitos utensílios, e cada um deles tem sua função, uns para honra outros para a desonra... até o ímpio foi criado para o dia da calamidade, e contra eles será lançado até a Verdade divina que ficou estampada em filmes, livros, músicas e não quiseram ver. Não seja por demais impertinente. Não ignore tão grande salvação!

domingo, 6 de agosto de 2017

O Credo Apostólico




Por Charles Grimm (com alterações)

O chamado "Credo Apostólico" é uma das mais antigas declarações da fé cristã (c. de 1700 anos). O Credo resume, em 12 frases, o que os antigos cristãos professavam - e, claro, professam ainda. Conta uma lenda que cada apóstolo teria dito uma frase. Contudo, sem dúvidas o Credo é, de fato, Apostólico, uma vez que foi baseado na doutrina dos Apóstolos revelada por inspiração divina e registrada nas Escrituras.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O Divórcio Bíblico



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Crente pode se divorciar? Como a Bíblia trata a questão do casamento, divórcio e novo casamento? Será que um cristão autêntico pode, depois de um divórcio, se casar novamente? A Bíblia permite um novo casamento para quem se separou? 
Esse artigo surge da necessidade de explicar minha posição, e responder de modo definitivo o que creio ser a prescrição bíblica sobre o tema. Obviamente não tratarei de todos argumentos e detalhes propostos pelas partes. E nem vou abordar exatamente aquilo que já foi exposto por outros. Apenas esboçarei a minha posição no assunto, i.e. como eu resolvo essa questão, como respondo essas perguntas; apresentarei a ‘minha’ síntese defendida. No fim citarei uma pequena lista de artigos que ao meu ver tratam do assunto de forma certo e útil, corroborando e ampliando o que defenderei aqui.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Nome Sobre Todo Nome

Adão falhou em cumprir a Lei de Deus, e nos legou a morte; Jesus, o novo Adão, cumpriu toda a vontade de Deus, inclusive até a morte, e morte de Cruz, nisso deu vida aos seus.

Abel por oferecer sacrifício mais agradável a Deus que o seu irmão Cain, foi assassinado por ele; Cristo morto foi o melhor e mais agradável sacrifício feito ao morrer pelos seus irmãos.

Noé aparelhando madeiras construiu a Arca que salvou oito pessoas e alguns animais do grande dilúvio, sentença divina contra o mundo infame; Cristo, pregado no madeiro, sofrendo a justa sentença divina contra infames pecadores, salvou uma multidão que ninguém pode contar e resgatou toda a Criação da ignomínia que, pela Queda, foi levada.

Abraão ofereceu seu filho, tão amado, em sacrifício de obediência a Deus, e pela fé lhe foi imputado justiça; Cristo é o Filho Amado que se ofereceu por sacrifício, em obediência ao Pai, e isso NOS foi imputado por justiça.

Moisés, na morte de um cordeiro, como que substituto dos seus primogênitos, pela fé libertou o povo da escravidão do Egito; trouxe a Lei de Deus para o Povo e construiu o Tabernáculo; conduziu essa nação a Terra Prometida; Cristo, o Filho Unigênito, cordeiro de Deus, morreu em nosso lugar, para que fôssemos livres da escravidão do pecado; implanta, por seu Espírito, a Lei divina em nossos corações, é o Tabernáculo de Deus entre os homens, e nos conduz, como bom pastor, para a Nova Jerusalém.
Davi, o grande rei, tem seu trono estabelecido para sempre, mas morreu em ditosa velhice; Cristo, o Descendente de Davi, Reina agora e Eternamente, amem!

Salomão, o mais sábio dos homens construiu o Templo para Deus; Cristo destruiu e em três dias reconstruiu o Templo, seu Corpo, a Igreja, agora verdadeiro e eterno, onde Deus habita perpetuamente com seu povo.

Daniel e seus três amigos, capturados na Babilônia, em firme propósito de não se contaminar com as iguarias do rei, foram melhores conselheiros e abençoaram os exilados no cativeiro babilônico; Cristo assumindo a forma de servo, se humilhando e sofrendo todas as agruras das tentações humanas, é o Maravilhoso Conselheiro que nos abençoa aqui, já, agora nesse cativeiro.

Esdras e Neemias reconstruíram os muros de Jerusalém e reedificaram a cidade Santa; Cristo é nossa segurança, habitação eterna e em bonança.

João Batista, segundo ele mesmo, não era digno de desatar a sandálias de Cristo, no então segundo o próprio Cristo ele foi o maior dos profetas porque viu a Cristo, o objeto de suas previsões.

Ora se Cristo é o cumprimento perfeito de cada promessa feita no passado, de cada alusão e figura, o fio escarlate que une todas as história da Bíblia, a quem Deus-Pai fez convergir todas as coisas; deixe as coisas que para trás ficam e corra a carreira que lhe está proposta.

Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão, abandonemos todas as fábulas e genealogias sem fins, e nos fixemos firmemente no Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.