No próximo domingo muitas igrejas vão comemorar o "dia das mães". Certamente tal comemoração é útil e valorosa. E mais, numa sociedade pós-moderna, que sistematicamente tirou -- e continua tirando -- as mães de casa, legando aos filhos a babá eletrônica e a terceirização da educação, cada vez mais, é a Igreja*, que exclusivamente ainda afirma a sublimidade de ser mãe.
Talvez seja mesmo apropriado, em culto, agradecermos a Deus pelo privilégio da família e no caso, pelo dia das "mães", fazer menção disso nesse domingo; talvez orar por elas; talvez um estudo ou pregação que aponte a vontade do SENHOR para as mulheres -- o ministério de mãe -- talvez um chamado aos homens que assumam suas responsabilidades (prover) para que elas possam exercer livremente esse maravilhoso dom; quem sabe essa data seja boa para instruir as jovens de como e porque devem ser boas donas de casas, focando suas vidas na realização maternal, se dedicando a aprender as virtudes de esposa e mãe -- auxiliadoras idôneas; talvez seja um bom dia para exortarmos os rapazes a se casarem com garotas que já demonstram inclinação maternal, sendo também alertados de seu papel como sacerdote do lar...
Mas por favor não TORNEM o Dia do Senhor, o domingo, em um momento para dar lembrancinhas para as mamães; não façam nesse, ou de qualquer outro Domingo, uma celebração MOTIVADA por nenhuma outra coisa que não agradecer a Deus pelo privilégio da salvação em Jesus Cristo. Não diminua a graça de sermos salvos da condenação dos nossos pecados, nem minimize o sacrifício de Jesus Cristo naquela cruz, focando o culto em aspectos circunstanciais, até bons, até agradáveis, até úteis ou valorosos, mesmo que até necessário, mas certamente menores.
Não se perca na ‘embalagem’ ao ponto de esquecer o verdadeiro presente! Mães, pais, filhos, família são dádivas divina, espelham o amor de Deus, mas Cristo é Deus, e sua morte, a nossa Salvação!
Então, bom dia das mães para você, e que esse domingo próximo seja mesmo um Dia do SENHOR!
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* infelizmente em muitas igrejas o igualitarismo, quando não o próprio feminismo, tem tirado delas esse prazer, as convencendo que ser mãe é um fardo, não é de admirar que o número médio de filhos de casais cristãos tem sistematicamente diminuído.
Exposições Bíblicas, Reflexões Cristãs, Pensamentos, Comentários, Avisos & Lembretes... enfim, tudo para expor a Verdade!
sexta-feira, 12 de maio de 2017
quinta-feira, 4 de maio de 2017
CARTA PASTORAL E TEOLÓGICA SOBRE LITURGIA NA IPB
A Comissão Executiva do Supremo Concílio da IPB, por ocasião de
sua reunião ordinária em março de 2008, entendeu que havia necessidade de um
pronunciamento da denominação a seus concílios, igrejas e membros, que
abordasse de maneira pastoral alguns aspectos do culto a Deus que recentemente
haviam sido objeto de documentos oriundos de seus concílios.
Esses documentos expressavam o
desejo dos concílios de receber uma orientação denominacional acerca da
inclusão nos cultos da chamada dança litúrgica, coreografias e palmas.
Com o objetivo de elaborar uma
carta pastoral que tratasse destes itens, a Comissão Executiva de 2008
constituiu uma comissão especial e lhe deu a seguinte missão:
Elaborar texto de caráter
pastoral e teológico quanto à liturgia, observando inclusive: danças,
coreografias, expressões fortes e palmas, seguindo os princípios já
estabelecidos pelos Símbolos de Fé e das decisões do SC e da sua CE, inclusa a
decisão CLXXXVII – CE-SC/IPB-2007, prestando relatório ao Supremo Concílio em
sua próxima reunião ordinária.
Conforme se percebe pela
decisão acima, a comissão especial para elaborar a Carta Pastoral não tem como
objetivo propor ou estabelecer novos princípios ou normas litúrgicas no âmbito
da IPB, uma vez que nossa denominação é confessional e sua Confissão,
Catecismos e Princípios de Liturgia já tratam do culto a Deus em diversas
partes. O alvo da Carta Pastoral não poderia ser outro senão, partindo dos
nossos Símbolos de Fé e das decisões que a IPB já tomou sobre culto e liturgia,
tratar de maneira pastoral e teológica daquelas áreas referentes ao culto
determinadas pela CE-SC/IPB, nas quais os Símbolos de Fé não se pronunciam, por
não terem sido motivo de preocupação na época em que foram escritos.
O objetivo da presente Carta
Pastoral, portanto, uma vez aprovada pelo Supremo Concílio da IPB, é servir de
orientação, instrução e direcionamento às igrejas federadas, aos oficiais e aos
membros arrolados quanto às expressões físicas no culto, a saber, danças,
coreografias, expressões fortes e palmas.
Um texto denominacional dessa
natureza se faz necessário pela confusão atual existente em diversas igrejas e
concílios no que tange a tais assuntos. A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma
federação de igrejas relacionadas entre si hierarquicamente por meio de
concílios e que adota os mesmos Símbolos de Fé. Embora não se busque a
uniformidade absoluta nos cultos das igrejas locais, tendo em vista que as
Escrituras nos dão princípios de culto e não uma ordem litúrgica pré-estabelecida,
é desejável, todavia, a busca e a manutenção da unidade tão necessária para
preservar a identidade bíblica e denominacional. Além do mais, existe a
necessidade de se fundamentar bíblica e teologicamente as decisões nessa
direção, bem como empregar-se um tom pastoral.
É na expectativa de contribuir
para um melhor entendimento destas questões e a busca constante de oferecer a
Deus um culto que esteja em conformidade com sua Palavra que apresentamos esta
Carta Pastoral.
A COMISSÃO
Rev. Augustus Nicodemus Gomes
Lopes
Rev. Arival Dias Casimiro
Rev. Charles Melo de Oliveira
Rev. Cleômines Anacleto
Figueiredo
Rev. Itamar Bezerra Santana
Rev. Jeremias Pereira da Silva
Rev. Roberto Brasileiro Silva
Rev. Sirgisberto Queiroga da
Costa
Presb. Daniel Sacramento Presb.
Flávio Heringer
Presb. Flávio Monteiro de Melo
Presb. Renato José Piragibe
São Paulo, 4 de janeiro de 2010
SUMÁRIO
1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Tipos de culto
Vida cristã e culto público
O templo
A igreja como comunidade social
Culto e cultura
2. O CULTO PÚBLICO
O princípio regulador do culto
Elementos de culto
As circunstâncias do culto
Mudanças históricas nos cultos
Princípios do culto aceitável a
Deus
A responsabilidade pela
condução do culto
3. EXPRESSÕES CORPORAIS NO
CULTO
Danças litúrgicas e
coreografias
Fortes expressões corporais
Palmas
Aplausos
4. ORIENTAÇÕES PASTORAIS A
SEREM SEGUIDAS PELAS IGREJAS LOCAIS
1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Em virtude da amplitude e
complexidade dos temas propostos, se faz necessário abordar nesta parte
preliminar da Carta alguns temas que provêm o fundamento para o tratamento dos
pontos centrais.
TIPOS DE CULTO
Existe uma distinção entre a
vida cristã como culto constante a Deus (Dt 6.6-7; Cl 3.17), o culto individual
(Mt 6.6), o culto familiar (Jó 1.5) e o culto público solene (Is 56.7; Hb
10.25). A Confissão de Fé menciona que Deus deve ser adorado tanto em famílias,
quanto em secreto, e mais solenemente em assembleias públicas.[i] Os Princípios de Liturgia
seguem essa distinção, mencionando o culto público, em família e individual.[ii]
Em diversos aspectos estas
modalidades de culto convergem. Em todas elas, buscamos servir a Deus de todo o
coração, na mediação de Cristo e no poder do Espírito Santo (lTm 2.5;
1CO3.16;Jo 14.26; 1Jo2.27). Todavia, as mesmas diferem quanto às
circunstâncias, local, participantes e elementos que as compõem.
VIDA CRISTÃ E CULTO PÚBLICO
A vida cristã é um culto
constante a Deus, que é oferecido individualmente, em qualquer tempo e lugar e
no qual não é necessário que se exerçam os chamados elementos de culto, como
por exemplo, oração, cânticos e leitura da Bíblia.
O culto público é o ajuntamento
solene do povo de Deus, convocado para reunir-se em dia, hora e local
estabelecidos, com o objetivo de prestar serviço espiritual a Deus sob a
liderança de pessoas especialmente designadas para tal. Deste culto constam
elementos que serão abordados mais adiante nesta Carta Pastoral, alguns dos
quais não fazem parte da vida cristã como culto.
É preciso que se entenda
claramente que existe uma diferença fundamental entre nossa vida diária como
culto a Deus e o culto que a ele prestamos publicamente, juntamente com os
demais irmãos em Cristo. Determinadas atividades que seriam pertinentes à nossa
vida como culto não seriam próprias a este culto público.
O TEMPLO
O culto público a Deus pode ser
prestado em qualquer local pelo seu povo (Jo 4.21; Ml 1.11), não havendo para
isto local mais sagrado que outros, conforme ensina a Confissão:
Agora, sob o evangelho, nem a
oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a certo lugar, nem
se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se
dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo lugar, em espírito e verdade. [iii]
Apesar disso, as igrejas locais
podem reservar determinados espaços exclusivamente para o culto público, em
nome da conveniência e da propriedade.
O que caracteriza o culto
público não é sua realização num templo, mas a sua convocação, seu caráter
público, a presença dos elementos que o constituem como culto, bem como sua
condução por lí-deres para isto separados. Assim, quer seja no templo das
igrejas, quer em seus salões sociais ou acampamentos, ao ar livre ou em
instalações quaisquer, onde o povo de Deus, para isto convocado, se reunir com
o propósito específico de cultuar publicamente a Deus, ali temos um culto público
e solene, o qual deve ser realizado conforme o ensino das Escrituras.
Ao se buscar um local para o
culto público a Deus, deve-se levar em consideração a conveniência,
propriedade, facilidade, e outras circunstâncias que devem ser analisadas sempre
pelos princípios gerais da Bíblia e pelo bom senso. [iv]
A IGREJA COMO COMUNIDADE SOCIAL
As igrejas locais não são
apenas uma expressão visível da Igreja de Cristo. Elas também são comunidades
que se organizam socialmente. É admissível que atividades de cunho
sociocultural façam parte da vida das igrejas locais, como festividades
relativas às datas do calendário público, eventos de lazer e culturais,
acampamentos, retiros, formação de grupos por interesse cultural, encontros que
visam simplesmente a socialização dos membros, a discussão de temas da
atualidade, ou até mesmo atividades que visam proporcionar oportunidades de
melhora profissional, como cursos profissionalizantes e de línguas. Outro
exemplo são as tradicionais “reuniões sociais”, onde ocorrem brincadeiras,
danças de roda, encenações, etc.
Assim sendo, é preciso fazer
uma distinção muito clara entre atividades de natureza social e cultural das
igrejas locais e aquilo que se faz no culto público a Deus. Muitas atividades
que são cabíveis, pertinentes e próprias à natureza social das igrejas locais
não devem ter lugar no culto, pois nem são elementos deste e nem contribuem
para que os referidos elementos sejam mais bem utilizados pelo povo de Deus.
Consequentemente, é preciso que
os pastores e presbíteros das igrejas locais instruam as suas igrejas acerca
desta diferença, de preferência ao início das atividades sociais, evitando
denominar como culto aquelas atividades que não o são de direito.
CULTO E CULTURA
Entende-se como a cultura de um
povo o conjunto de crenças, valores, costumes, práticas, tradições, religiões e
símbolos de determinados grupos étnicos. Como tal, a cultura não deve ser
percebida como algo moralmente neutro. A queda do homem afetou profundamente
todas as dimensões de sua existência. As culturas, embora preservando valores
morais e éticos bons por causa da graça comum de Deus, refletem o atual estado
do mundo caído e sem Deus, morto em ofensas e pecados e, por natureza, debaixo
de sua santa ira e condenação. Muitos aspectos culturais são distorções da
revelação natural de Deus (Rm 1.18-31).
Por esse motivo, costumes e
hábitos de um povo não devem ser tomados como critérios e referenciais daquele
culto que Deus revelou e que lhe é agradável, como por exemplo, as danças
religiosas que alguns povos incorporaram de longa data em suas tradições e
expressões religiosas. A Palavra de Deus, e ela somente, é a única regra de fé
e prática do seu povo, e é nela que devemos buscar os princípios e elementos
que compõem o culto que Deus busca.
A luz dos preliminares acima,
voltamo-nos agora para a natureza do culto público cristão.
2. O CULTO PÚBLICO
PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO
O culto público é alvo de
diversas regulamentações, normas e princípios revelados nas Escrituras.
Lembremos que os quatro primeiros mandamentos da lei de Deus, entre outras
coisas, tratam do culto que devemos prestar a ele: o primeiro, que devemos
cultuar somente a Deus (Ex 20.3); o segundo, que devemos cultuá-lo em espírito
e verdade e não mediante imagens ou representações (Ex 20.4-6); o terceiro, que
devemos adorá-lo de todo o coração, sem tomar seu santo nome em vão (Ex 20.7);
e o quarto, que devemos separar um dia em particular para que descansemos e
cultuemos a Deus (Ex 20.8-11). O fato de que Deus reservou quatro dos dez
mandamentos para tratar, também, do culto que a ele devemos, por si só é
indicativo do zelo e cuidado que ele tem pelo mesmo. Por esse motivo, ao tratar
do culto público, a nossa Confissão de Fé declara:
A luz da natureza mostra que há
um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e
que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de
todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de
adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua
vontade revelada que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções
dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de
qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.[v]
O conceito refletido nesta
seção da Confissão de Fé tem sido chamado na tradição reformada de “princípio
regulador do culto”. Em linhas gerais, o princípio regulador nos ensina que o
culto que é aceitável a Deus é aquele oferecido de acordo com sua vontade
revelada nas Escrituras (Dt 12.32; Mt 4.9-10; Jo 4.23-24), e que ele não tem
prazer em um culto onde constam invenções humanas, por mais antigas, atraentes,
bem intencionadas, contemporâneas e razoáveis que possam parecer (Mt 15.9).
ELEMENTOS DE CULTO
Do culto público a Deus constam
os elementos, que são aquelas atividades determinadas pelas Escrituras nas
quais o povo de Deus reunido se engaja com o propósito de adorá-lo (SI 96.9;
99.9), render-lhe graças e louvor (SI 100.4; 30.4; 33.2), dar a conhecer as
suas petições (Is 56.7; Fp 4.6), edificar-se internamente (Rm 14.19; ICo 14.3;
Ef4.l6), e anunciar o evangelho ao mundo (ICo 14.24-25).
Na determinação do culto e dos
elementos que o compõem, devemos recorrer às Escrituras Sagradas, nossa única
regra de fé e prática, lembrando sempre que a essência do culto no Antigo e no
Novo Testamento é a mesma. Ainda que sejam administrações diferentes, a aliança
entre Deus e seu povo é uma só. Todavia, ao usar o culto do Antigo Testamento
como base para o culto cristão, devemos empregar especial cuidado, tendo em
vista que o mesmo contém diversas cerimonias, partes e elementos que eram
prefigurações de Cristo, sua vida e obra, e que foram abolidos no Novo
Testamento. [vi]
Todos os princípios e elementos
do culto público mencionados no Antigo Testamento e que são confirmados no
culto público revelado no Novo Testamento, quer por preceito, exemplo, ou
inferência legítima, podem e devem ser utilizados para o serviço a Deus (Hb
9.1-22; Cl 2.16-17).
Nem todas as atividades
realizadas pelos seres humanos são próprias, adequadas ou eficazes para estes
fins elevados. Embora muitas dessas atividades não sejam intrinsecamente
erradas em si mesmas, elas não cabem no culto prescrito por Deus. Por este motivo,
o próprio Deus nos revelou em sua Palavra quais os elementos apropriados para o
seu culto, que são assim definidos por nossos símbolos de fé: [vii]
– orações
– leitura da Palavra de Deus
– pregação da Palavra de Deus
– cantar salmos, hinos e
cânticos espirituais ou sagrados
– celebração da Ceia (quando
houver)
– ministração do batismo
(quando houver)
– juramentos religiosos
– votos, jejuns solenes e ações
de graças em ocasiões especiais
– ofertas.[viii]
A Confissão de Fé declara que
esses elementos são parte do “culto ordinário” a Deus,[ix] e os Princípios de
Liturgia que o culto a Deus consta “ordinariamente” desses elementos. [x]Estas expressões não
significam que existem “cultos extraordinários” e que “extraordinariamente”
outros elementos, que não os antes mencionados, devam ser incluídos neles. As
Escrituras não reconhecem dois tipos diferentes de culto público a Deus e nem
duas categorias distintas de elementos, ordinários e extraordinários. A
linguagem dos símbolos de fé visa tão somente dizer que esses elementos
constituem o padrão do culto a Deus e que não há outro tipo de culto que
devamos prestar-lhe.
A Confissão de Fé menciona que
em “ocasiões especiais” o culto a Deus pode incluir elementos como votos,
jejuns e posteriormente ações de graças pelos livramentos. Estas “ocasiões
especiais” são guerras, calamidades públicas e outros acontecimentos
extraordinários que devem levar a igreja a buscar o favor de Deus de maneira
mais intensa. [xi]
As Escrituras nos ensinam
claramente que Deus não se agrada de um culto onde elementos estranhos são
apresentados, ainda que sob pretexto de boa intenção (Rm 10.2). Elas se
pronunciam de maneira veemente contra inovações no culto (Dt 12.1-32). Essas
inovações consistem em introduzirmos atividades que não fazem parte dos
elementos do culto público. Os símbolos de fé declaram que Deus “… não deve ser
adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de
Satanás…”. [xii]
Todavia, é possível, e mesmo
desejável, que haja uma variedade saudável quanto à sequência, frequência e
intensidade com que os elementos de culto são empregados. A razão é que as
Escrituras não nos fornecem uma ordem litúrgica fixa e estabelecida, e a
tradição reformada jamais adotou uma liturgia única para todas as suas igrejas.
AS CIRCUNSTÂNCIAS DO CULTO
Enquanto que a igreja deva se
restringir zelosamente aos elementos prescritos na Palavra de Deus, conforme
entendidos pelos símbolos de fé, existem determinadas circunstâncias referentes
ao bom andamento do culto público (ICo 11.13-14, 33-34) que foram deixadas a
critério dos pastores e conselhos das igrejas locais, conforme estabelece a
nossa Confissão:
…há algumas circunstâncias,
quanto ao culto de Deus e ao governo da igreja, comuns às ações e sociedades
humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência
cristã, segundo as regras gerais da Palavra, que sempre devem ser observadas. [xiii]
Algumas dessas circunstâncias
estão relacionadas com o ambiente de culto, e envolvem decisões quanto à
arrumação do salão, mobiliário adequado e sua disposição no local, a iluminação
e decoração do ambiente, amplificação do som, uso de mídia, a determinação dos
horários de culto, entre outros. Outras circunstâncias estão relacionadas com o
culto propriamente dito, tais como o acompanhamento do cântico congregacional
com instrumentos musicais e cântico através de coros e grupos.
O que diferencia estas
circunstâncias dos elementos do culto é que os elementos são parte essencial do
culto a Deus e foram por ele prescritos em sua Palavra, sendo meios pelos quais
recebemos a sua graça e sua Palavra e lhe prestamos adoração e louvor. As
circunstâncias, por sua vez, dizem respeito aos passos envolvidos na
implementação e aplicação dos elementos e são dependentes destes. Destarte, as
circunstâncias não são parte essencial e intrínseca do culto, podendo ou não
estar presentes, de acordo com o julgamento dos pastores e conselhos das
igrejas locais. A presença ou ausência de determinadas circunstâncias não torna
um culto mais ou menos espiritual ou aceitável a Deus.
Algumas atividades exercidas
historicamente durante o culto da IPB têm sido alvo de controvérsia mais
recente dentro da denominação, como a participação de corais, o uso de
instrumentos musicais, o entoar hinos e cânticos contemporâneos em vez de
exclusivamente os salmos, e a participação de mulheres cristãs no culto
público, orando ou lendo as Escrituras. A Comissão Executiva da IPB, respondendo
consulta sobre o assunto, declarou que a proibição destas coisas não encontra
amparo nos símbolos de fé da Igreja e nem nos Princípios de Liturgia que regem
seu culto, e que, portanto, o cântico coral, o acompanhamento instrumental, os
hinos e cânticos, bem como a participação das mulheres cristãs nas orações e
leitura da Palavra podem fazer parte da liturgia presbiteriana. [xiv]
MUDANÇAS HISTÓRICAS NOS CULTOS
Ao longo da história das
igrejas reformadas determinadas mudanças foram aceitas no culto público. Entre
elas mencionamos a inclusão de instrumentos musicais como o piano, o violão e,
mais recentemente, a guitarra e a bateria. Também se incluíram o cântico coral
e as orquestras. Outras coisas caíram no desuso, como o uso da peruca por parte
dos pregadores. Também o uso do cálice comum foi abolido e substituído pelos
cálices individuais, por motivos de saúde pública. O uso de saias pelas
mulheres deu lugar às calças compridas e, em alguns lugares, deixou-se de usar
o véu. Introduziram-se cânticos ao lado dos hinos tradicionais.
Todas estas mudanças, todavia,
dizem respeito às circunstâncias do culto. Nenhuma delas tem a ver com
acréscimo ou diminuição dos elementos do culto público. Assim, o fato de que
mudanças têm ocorrido no culto ao longo da história da IPB não justifica a inclusão
de novos elementos hoje, seja a título de modernidade, adaptação,
contextualização e renovação.
Por causa de sua natureza
circunstancial e secundária, as providências que atendem o culto não devem
tornar-se um fim em si mesmas, nem assumir caráter religioso, tomar o lugar dos
elementos ou impedir que os mesmos sejam utilizados de forma própria, eficaz e
correta pelo povo de Deus. Apesar disto, elas são importantes e seu objetivo é
permitir que o culto a Deus aconteça de maneira adequada, apropriada,
facilitando a sua realização e maximizando o potencial dos elementos (ICo
14.40).
PRINCÍPIOS DO CULTO ACEITÁVEL A
DEUS
É preciso ressaltar que o culto
aceitável a Deus, além da observância dos princípios e normas quanto aos seus
elementos, inclui determinadas atitudes e características também preceituadas
nas Escrituras e que não devem ser negligenciadas. O Senhor Jesus nos ensina
que devemos adorar a Deus “em espírito e verdade” (Jo 4.23-24). No contexto em
que o Senhor Jesus proferiu estas palavras, que é o encontro com a mulher
samaritana e a discussão sobre o local da adoração a Deus (Jo 4.19-23),
adorá-lo em espírito significa não adorá-lo em um único local sagrado e exclusivo,
como era o templo de Jerusalém, mas em qualquer lugar, desde que a atitude
esteja certa. O que importa não é “onde”, mas “como”. Por ser Espírito, Deus
não estava contido naquele templo ou no monte Gerizim, sagrado para os
samaritanos, e onde antes havia um templo (Jo 4.20). Os adoradores que ele
busca são aqueles que o adoram com a atitude interior aceitável e de acordo com
a verdade por ele revelada aos judeus, em contraste com o culto falso dos
samaritanos (Jo 4.22). Portanto, a declaração “adorar a Deus em espírito” não
pode ser usada para se justificar um culto “livre” e ao sabor dos sentimentos e
imaginações do condutor no momento. Esta interpretação é uma distorção do
sentido das palavras do Senhor Jesus.
Além da adoração em espírito e
verdade, as Escrituras destacam a sinceridade de coração, a humildade, o
espírito quebrantado, uma santa alegria e gozo na presença do Senhor, a busca
da edificação e o reconhecimento que o Deus Trino é o centro do culto. A
solenidade diante do Senhor que caracteriza o culto público não é o oposto da
alegria e da exultação em estarmos na presença do Pai. As duas coisas devem
andar juntas, enriquecendo a nossa experiência de culto (Hb 12.28-29; SI 100.1;
84.3).
As Escrituras também nos falam
do culto que Deus não aceita. Este é marcado não somente pelos acréscimos e
invenções humanos, mas pela hipocrisia (Is 1), pela inimizade nos corações dos
adoradores (Mt 5.23-24), pelas divisões internas nas igrejas locais (ICo 1-4 e
11; Gl 5.14-15), pela falta de ordem e de inteligibilidade (ICo 14), pela
entrega de ofertas que simbolizam a falta de amor e de consagração a Deus (Ml
1), pela vida imoral do povo e dos seus líderes (Ml 2) e servir ao Senhor de
maneira displicente (Is 58.1-10; Mq 6.6-8; Gl 6.7).
Assim, ao mesmo tempo em que
tratamos de questões relacionadas aos elementos e circunstâncias do culto
público, não podemos esquecer que a vida, a conduta e a atitude do povo e de
seus líderes são igualmente importantes para o culto que Deus aprova.
RESPONSABILIDADE PELA CONDUÇÃO
DO CULTO
Embora todos os adoradores
sejam responsáveis para que o culto a Deus seja oferecido de acordo com seus
preceitos, a responsabilidade da condução do mesmo recai sobre o pastor da
igreja local, de quem a liturgia do culto é função privativa, conforme a
Constituição da nossa Igreja. [xv] Assim, devem os pastores
zelar para que o culto a Deus oferecido nas igrejas onde pastoreiam transcorra
não somente de acordo com os padrões bíblicos no que se refere aos seus
elementos e circunstâncias, mas também quanto à vida e atitude dos adoradores.
O ministro não é livre para
inventar elementos ou conduzir o culto público em princípios contrários às
Escrituras interpretadas pelos símbolos de fé. Existem várias resoluções
emitidas pelo Supremo Concílio e sua Comissão Executiva que colocam os limites
apropriados à função litúrgica do pastor. De acordo com elas, a liturgia é
prerrogativa do pastor da igreja local, podendo o presbitério ao qual a igreja
é jurisdicionada supervisionar os cultos com vistas à conformidade com os
padrões de fé da denominação. Isto significa que os presbitérios podem
interferir quando a prática cúltica das igrejas jurisdicionadas fugir aos
padrões e preceitos denominacionais. Da mesma forma, os conselhos das igrejas
locais devem zelar juntamente com o pastor para que o culto seja realizado de
acordo com estes padrões e preceitos. [xvi]
Diante da seriedade do culto
público, a sua natureza e a responsabilidade dos pastores em sua condução, o
Supremo Concílio orienta seus ministros a que não abram mão de sua prerrogativa
constitucional quanto à liturgia, entregando a elaboração e a condução do culto
a outras pessoas, que por mais piedosas e sinceras que sejam, não foram preparadas
nem ordenadas para tal. E que, sendo necessária esta delegação, que o pastor
elabore e acompanhe a condução do culto, permanecendo o responsável final pelo
mesmo.
3. EXPRESSÕES CORPORAIS NO
CULTO
Algumas expressões corporais
encontram lugar no culto público, conforme nos ensinam as Escrituras, como uma
maneira de expressão dos sentimentos que perpassam o coração da comunidade
enquanto adora. Assim, encontramos referências no Antigo Testamento ao elevar
as mãos a Deus e olhar para os céus durante a oração como expressão de enlevo e
dependência de Deus (lRs 8.54), o ajoelhar-se diante dele, como sinal de
contrição e quebrantamento (2Cr 6.13).
No culto do Novo Testamento
encontramos referências ao levantar as mãos (lTm 2.8) e ao ajoe-lhar-se (At
20.36) como expressões simbólicas dos sentimentos religiosos durante o culto.
As Escrituras também mencionam
outras expressões de natureza religiosa através do corpo, como danças, embora
não no contexto do culto público de Israel a Deus ou do culto cristão. As
danças são mencionadas mais de 25 vezes nas Escrituras, em contextos de festa
popular (Jz 21.21, 23; Ct 6.13; Mt 11.17; Lc7.32; 15.25), vitórias militares
(Êx 15.20; Jz 11.34; ISm 18.6; 21.11; 29.5; 2Sm 6.14, 16; lCr 15.29; Jr 31.4,
13; Lm 5.15), expressão de exultacão religiosa (SI 150.4) e de festividades
pagãs (Êx 32.19; Mc 6.22). Note-se que tais ocorrências não se referem a danças
no contexto do culto público oferecido a Deus, quer no Antigo Testamento ou no
Novo Testamento. Além disto, a quase totalidade destas menções é encontrada em
passagens histórico-descritivas, o que dificulta usá-las como norma para o
culto do Novo Testamento. Considere-se a dificuldade de se fazer normas ou
estabelecer princípios gerais para a vida da igreja simplesmente a partir de
atos, ações, eventos e incidentes envolvendo as personagens da Bíblia.
DANÇAS LITÚRGICAS E
COREOGRAFIAS
A expressão “danças litúrgicas”
é geralmente aplicada às seguintes atividades: (1) às danças da congregação ao
som de música durante o cântico; (2) às danças realizadas por indivíduos ou
grupos à frente da igreja, em determinado momento da liturgia, e que pretendem
transmitir a Palavra de Deus ao povo, ilustrando ou dramatizando uma mensagem
musical durante o culto público. Estas últimas são também chamadas de
coreografias, e denominadas pela IPB de “expressões corporais acentuadas”. [xvii]
Antes de tratarmos delas, é
preciso esclarecer que o dançar em si não é necessária e intrinsecamente errado
e pecaminoso, a começar do fato que encontramos diversas ocasiões no Antigo
Testamento em que membros individuais do povo de Deus dançaram. É nesse sentido
que encontramos exemplos no Antigo Testamento de danças como expressão popular
de alegria por vitórias militares dadas por Deus (Ex 15.20; Jz 11.34; ISm 18.6)
ou expressão individual desta mesma alegria (2Sm 6.14). Mesmo que não
encontremos no Novo Testamento qualquer referência a danças por parte de
cristãos, entendemos que o ato de dançar em si não é intrinsecamente contrário
ao cristianismo, a não ser quando dançar envolva e promova a impureza sexual e
comprometa o testemunho cristão diante do mundo.
No que tange às danças
litúrgicas, não é possível demonstrar pelas Escrituras que elas faziam parte do
culto público a Deus, quer no período do Antigo Testamento ou do Novo
Testamento e nem que elas são elementos do culto por ele ordenado. As passagens
bíblicas geralmente mencionadas para defendê-las – como a dança de Miriã e das
demais mulheres, a dança de Davi diante da arca, a dança da filha de Jefté –
poderiam, no máximo, provar que cristãos individuais podem eventualmente se
alegrar com os atos salvadores de Deus e espontaneamente dançar de alegria fora
do ambiente de culto.
A exortação do salmo 150,
“Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento, obra do seu poder…
louvai-o com adufes e danças” (v. 1 e 4) tem sido entendida pelos irmãos
defensores das danças litúrgicas como prova de que as danças faziam parte do
culto oferecido no santuário de Jerusalém. Todavia, um exame mais acurado da
passagem revelará que o “santuário” referido pelo salmista é o firmamento, de
acordo com o paralelismo hebraico usado aqui, e não o templo de Jerusalém:
Louvai a Deus no seu santuário;
Louvai-o no firmamento, obra de seu poder.
Percebe-se que o santuário
mencionado na primeira linha do versículo é o firmamento, mencionado na segunda
linha. Encontramos o mesmo paralelismo no salmo 11.4:
O Senhor está no seu santo templo,
Nos céus tem o Senhor o seu trono.
Fica evidente que o santo
templo de que fala o salmista são os céus onde Deus tem o seu trono. Outra
passagem é o salmo 102.20:
O Senhor observa do alto do seu santuário,
Lá do céu ele olha para a terra.
Aqui encontramos mais uma vez o
paralelismo que estabelece que o santuário de onde Deus olha para a terra é o
céu onde ele habita. Ou seja, estas passagens dos salmos não provam que havia
danças no templo de Jerusalém durante os cultos a Deus. Elas simplesmente
conclamam toda a criação a adorar o Deus que habita nos céus.
Assim, tais passagens e as
outras antes mencionadas e analisadas, não podem servir de base para justificar
práticas tais como danças durante o louvor por parte da congregação, a
existência de um grupo de dança litúrgica para realizar coreografias durante o
culto, a “criação” do dom da dança santa e a organização de ministérios de
dança litúrgica nas igrejas locais. No caso das expressões corporais realizadas
com as crianças nos departamentos infantis, nós as consideramos apropriadas
para a instrução dos infantes, não devendo, todavia, ser incluídas como parte
do culto público oferecido pela igreja.
As danças litúrgicas e as
coreografias não estão incluídas na relação dos elementos de culto citados nos
nossos símbolos de fé. Também não se pode incluí-las nos cultos públicos a
pretexto de serem meras circunstâncias. As danças não são circunstâncias
ligadas à Palavra, pregada ou cantada, como se fossem uma encenação ou
dramatização da mensagem de Deus, visto que não contribuem para que a Palavra
seja mais bem compreendida pelo povo de Deus e têm a tendência, ao contrário,
de obscurecer o seu significado e sua mensagem, desviando o foco e a atenção da
comunidade.[xviii]
E, além disto, não encontramos nas Escrituras qualquer orientação para que
transmitamos a mensagem de Deus ao seu povo mediante o ato de dançar, como se o
mesmo fosse um meio eficaz para tal.
Na realidade, os reformadores
aboliram do culto público as dramatizações dos mistérios que eram populares
durante a Idade Média, considerando que não existe um meio mais eficaz para se
transmitir a Palavra do que a entrega da mesma mediante a pregação e o ensino. [xix]
Por estes motivos, o Supremo
Concílio e sua Comissão Executiva vêm consistentemente orientando as igrejas
federadas a que não incluam danças litúrgicas e coreografias no culto a Deus,
conforme vemos nas decisões abaixo:
…são inconvenientes todas as
formas que possam distanciar os adoradores desses princípios, sendo que dentre
essas formas inconvenientes, conforme já declarado pelo SCI1998, encontram-se
as expressões corporais acentuadas, podendo ser incluídas entre as quais
práticas tais como danças litúrgicas e coreografias… (CE-SC/IPB-2007 – Doc.
CLXXXVII)….reafirmar a resolução CLXXXVII – CE-SC/IPB-2007, que considera
inconveniente nos cultos presbiterianos a prática de danças litúrgicas e
coreografias. (CE-SC/IPB – 2008 – Doc. CXXXII).
Todavia, existem diversos
exemplos de expressões lúdicas dos sentimentos religiosos feitos diante de Deus
em outras ocasiões. Dessa forma, enquanto não se podem admitir as danças no
culto público, quer nos templos das igrejas ou em quaisquer outros locais onde
o culto público é realizado, por outro lado é possível reconhecer que as danças
são atividades legítimas quando realizadas fora do ambiente litúrgico, como
atividades culturais das igrejas locais e, nestes casos, sempre a critério de
seus conselhos e desde que não provoquem a sensualidade ou escândalos.
FORTES EXPRESSÕES CORPORAIS
Determinados ritmos musicais
tendem a provocar movimentos do corpo, tais como balanços, meneios e gingas,
enquadrando-se naquilo que o Supremo Concílio classifica como expressões
corporais acentuadas, as quais são inconvenientes por distanciarem os
adoradores dos princípios que regem o culto bíblico.[xx] Cabe aos pastores das
igrejas locais instruírem, ensinarem e orientarem a congregação quanto à natureza
do culto a Deus, do louvor que a ele é devido, e do potencial que estes
movimentos corpóreos têm para provocar a sensualidade e afastar a mente e o
coração do propósito central do culto, que é adorar a Deus, sempre seguindo os
princípios que revestem o culto a Deus de sobriedade, temor e bom senso.
PALMAS
A expressão “bater palmas”
ocorre apenas no Antigo Testamento. Para os judeus, bater palmas podia
expressar ira (Nm 24.10; Ez 21.17; 22.13) e desprezo (Jó 34.37; Lm 2.15; Na
3.19). No Antigo Oriente, as palmas eram usadas para manifestar aprovação pela
queda dos inimigos (Jó 27.23; Ez 6.11; 25.6), pela prosperidade do justo (Is
55.12) e como aplauso em cerimonias de aclamação dos reis (2Rs 11.12). Nenhuma
das ocorrências sobre palmas no Antigo Testamento se refere à marcação rítmica
de cânticos religiosos, quer no templo ou em outro lugar.
Este fato de imediato nos leva
à conclusão que bater palmas durante os cânticos, ou deixar de fazê-lo, não
torna tais cânticos mais ou menos aceitáveis diante de Deus. Também, que as
palmas não devem ser usadas para aferir a espiritualidade e o fervor dos cultos
de uma igreja e de seus participantes e que jamais devem ser vistas como
expressão de espiritualidade.
Apesar de o assunto ter sido
enviado várias vezes ao Supremo Concílio e sua Comissão Executiva, a IPB não
tomou até o presente uma decisão de proibir ou admitir as palmas nos cultos
públicos das igrejas federadas. A única resolução sobre o assunto foi a de
reconhecer como legítima a decisão de um presbitério que proibiu palmas nos
cultos das igrejas sob sua jurisdição. [xxi] Esta resolução não
entrou no mérito da atitude do presbitério.
APLAUSOS
Há duas passagens nos salmos em
que se convida a aplaudir a Deus por seus atos majestosos e poderosos, como
expressão de exultação, gratidão, honra e louvor (Sl 47.1; cf. Sl 98.4). No
Antigo Oriente, era costume aplaudir os reis como forma de demonstração da
sujeição, gratidão e respeito de seus súditos, em reconhecimento de suas
vitórias e conquistas, ou durante a sua coroação (2Rs 11.12). A linguagem
destes salmos é tirada da cerimônia de coroação dos reis de Israel e usada para
se referir a Deus como o supremo Rei sobre toda a terra. Estas passagens não
provam que aplaudir a Deus era uma das partes do culto público a ele prestado
em Israel. Além disto, não há qualquer referência a isto no Novo Testamento.
Desta forma, carece de fundamentação a prática de “palmas para Jesus!”
equivocadamente introduzida em muitas igrejas evangélicas hoje.
O aplauso a homens durante o
culto se constitui numa violação de um dos princípios centrais do culto a Deus,
que é a sua teocentricidade. “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá
glória” (Sl 115.1). Aplaudir corais, coros e grupos após terem participado da
liturgia torna tais participações em espetáculo, show e apresentações, tornando
estas circunstâncias em fins em si mesmas, desvirtuando o seu caráter secundário
e tornando o culto a Deus em culto centrado no homem.
4. ORIENTAÇÕES PASTORAIS A
SEREM SEGUIDAS PELAS IGREJAS LOCAIS
O Supremo Concílio, diante das
evidências bíblicas e confessionais relativas à importância do culto público,
determina aos seus pastores, oficiais, igrejas e membros a que procurem
congregar-se com frequência para prestar serviço espiritual a Deus, não
substituindo o culto público pelo culto individual ou familiar (Hb 10.25). E
que valorizem a sua presença no culto público, para ele se preparando em
conformidade com o que determina os catecismos da IPB.[xxii]
O Supremo Concílio entende que
as danças não fazem parte do culto público revelado por Deus, e assim,
determina a seus pastores, concílios e igrejas federadas a que não incluam no
culto a Deus, independentemente do local onde este culto está sendo oferecido,
as chamadas danças litúrgicas, coreografias, ministérios de danças, danças
proféticas ou quaisquer outras variações afins, inclusive a pretexto de que são
circunstâncias do culto.
O Supremo Concílio reconhece
que as danças são uma expressão cultural e que podem ser realizadas nas
atividades culturais das igrejas locais, desde que não em ambiente de culto, e
desde que não provoquem a lascívia, a sensualidade e escândalos.
O Supremo Concílio entende que
fortes expressões corporais no culto, como meneios do corpo e gingas, mesmo não
se constituindo em danças, tendem a distrair a atenção dos adoradores e em
algum casos, a provocar a sensualidade. Destarte, o Supremo Concílio determina
aos seus pastores, concílios e igrejas federadas que tais expressões sejam
evitadas e que os pastores e presbíteros exerçam, pastoralmente, a supervisão
deste assunto, procurando, de maneira suasória, orientar e conduzir o rebanho
sob sua jurisdição.
O Supremo Concílio entende que
compete aos conselhos e presbitérios orientarem e determinarem às igrejas sob
sua jurisdição quanto ao bater palmas, ou não, durante os cultos. O Supremo
Concílio determina aos seus pastores e concílios a que instruam essas igrejas
que as palmas não indicam maior liberdade espiritual no culto, resumindo-se a
mero acompanhamento rítmico, onde couber. E que em todas as coisas, usem de
sabedoria, bom senso e prudência para evitar conflitos, divisões e contendas no
meio do povo de Deus.
O Supremo Concílio suplica a
Deus que a presente Carta Pastoral seja usada por ele para que o culto que lhe
prestamos esteja mais e mais de acordo com sua Palavra e para que nossa
denominação goze de paz e harmonia em todos os recantos desta nação.
[i] CFW, XXI.6.
[ii] PL, artigos 7-10.
[iii] CFW, XXI.6. Muito embora
nossos PRINCÍPIOS DE LITURGIA se refiram ao templo das igrejas como a casa de
Deus (PL, artigo 5), entende-se que não estão com isto emprestando à edificação
física onde se reúnem as igrejas locais qualquer conotação sagrada, à
semelhança do templo de Jerusalém no Antigo Testamento, local específico da
revelação divina e do oferecimento dos sacrifícios.
[iv] CFW, I.6.
[v] CFW, XXI.1.
[vi] CFW, XIX.3.
[vii] CFW, XXI.5 e PL, artigo 8Q,
parágrafo único. Ver ainda: Fp 4.6; lTm 2.1; Ef 5.19; SI 100.2; Cl 3.16; 2Co
8.1-9.15; 2Tm 4.2; Lc 4.16; At 15.21; 20.7; Dt 6.13; Ne 10.29; Ec 5.4-5; Jl
2.12; Mt 9.15; ICo 11.23-29; At 20.7.
[viii] A bênção apostólica não consta
da relação de elementos de culto, quer na CFW quer no PL. Ela é prevista na
CI/IPB, artigo 31, que diz apenas que sua impetração é prerrogativa exclusiva
dos pastores. Sua não inclusão nas listas de elementos, portanto, não a torna
obrigatória ao final dos cultos. A questão das línguas e profecias durante o
culto já foi tratada pelo Supremo Concílio da IPB em sua CARTA PASTORAL SOBRE O
ESPÍRITO SANTO, aprovada no SC-IPB/1998, doe. CXIX.
[ix] CFW, XXI.5.
[x] PL, artigo 8°
[xi] CFW, XX1.5.
[xii] CFW, XXI.1. Veja ainda as
seguintes partes dos Símbolos de Fé que nos orientam a não inventar maneiras de
se adorar a Deus, e que nos conclamam a nos opor aos cultos falsos: Catecismo
Maior perguntas 108 e 109; Breve Catecismo perguntas 50 a 52.
[xiii] CFW, 1.6
[xiv] CE/IPB – 2008-Doc. 193.
[xv] CI/IPB, artigo 31, “d”.
[xvi] CE/IPB-95-124 – Doc. CVIII;
SC/IPB-98 – Doc. CXIII; CE/IPB-1982 – Doc. 84; CE/IPB-2005 – Doc. XVIII.
[xvii] CE/IPB-2007 – Doe. CLXXXVII.
[xviii] SC-IPB/98 – Doe. CXIII,
considerando 6.
[xix] CFW, XXI, 5; CATECISMO
MAIOR, pergunta 155.
[xx] CE-SC/IPB-2007 – Doc.
CLXXXVII.
[xxi] CE-SC/IPB-2005 – Doc. 18.
[xxii] CATECISMO MAIOR, pergunta
117.
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
CARTA ABERTA
Sobre a saída da equipe pastoral da 1ª IPPVH
Sim, estamos deixando a Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho. As diferenças existentes com parte do Conselho, quer de opiniões, quer de alvos e métodos para a condução da igreja inviabilizaram a caminhada conjunta, pelo que, com tristeza – mas resolutos – a partir de 1 de dezembro de 2016, nós, rev. Ewerton Tokashiki, rev. Rogério Bernini Jr. e rev. Esli Soares entregamos a direção pastoral dessa amada igreja.
Ao longo dos últimos 4 anos a distância entre as cosmosvisões foi traduzindo-se em distanciamento pessoal. Inúmeras foram as tentativas de clarificar que nossa postura é, nada mais que o pensamento cristão, reflexo bíblico. Bem assim, a forma de apresentar este pensamento para a igreja, a saber a exposição bíblica, a única maneira instruída na Palavra – a qual estamos inegociavelmente presos – não surtiram o efeito desejado na mente e no coração de alguns, pelo contrário, acirraram os ânimos, o que dificultou a tomada de decisões nos mais diversos assuntos. Assim, aquilo que eram rixas ideológicas tornaram-se ataques pessoais, impossibilitando, por fim, o convívio harmonioso do Corpo de Cristo.
Mesmo diante das inequívocas demonstrações de nosso apego a Palavra, aos símbolos de Fé, à doutrina reformada, aos ideais de nossos pais puritanos, às decisões conciliares – muitas vezes contra as nossas próprias paixões – lamentavelmente, muitos optaram por apenas manter amizades, estruturas, praxe e ideias – não poucas vezes – irrefletidamente obtusas e contrárias as Santas Escrituras. De tal forma que, certamente, nossos esforços para dirigir a Primeira Igreja rumo a suprema vocação se dirimiram, não nos restando outra opção além da saída.
Sabemos que tal decisão abala emocionalmente a todos, e gera ansiedade, pela erradamente presumida insegurança, seja em nossos familiares, seja na comunidade eclesiástica com a ausência desses pastores. Entretanto, cremos que Deus, o SENHOR, está na direção de cada passo, e Ele tem o melhor para cada um de nós, pois Ele mesmo é o Senhor da Igreja. Não obstante, é importante ressaltar – seja para acalmar alguns, seja para calar outros – temos nossos planos diante do Senhor: Não estamos deixando nem o ministério pastoral e nem a Igreja Presbiteriana do Brasil. Ewerton pediu a antecipação do fim de seu vínculo pastoral com a igreja local e em 2017 estará em ano sabático, finalizando alguns projetos pessoais, e se preparando para o mestrado, provavelmente fora do país; Rogério Bernini Jr. está à disposição do presbitério e em tratativas para um novo campo já em 2017; Esli Soares foi eleito para os 3 próximos anos como pastor na Igreja Presbiteriana Filadélfia em Boa Vista - RR.
Diante de nossa não permanência, parte da membresia resolveu também buscar outros ares, e fez pedido formal de demissão do rol de membros da Primeira Igreja de Porto Velho, seu futuro só é incerto para nós que temos a visão limitada. Conquanto fieis ao SENHOR e a Sua Santa Palavra, certamente estão sob cuidados do Bom Pastor direcionados à Cidade Santa, caminho excelente, e por eles rogamos a Deus as mais ricas bênçãos.
Solicitamos a todos que evitem a disseminação de boatos, mentiras ou meias-verdades, que os piedosos orem por todos os envolvidos, e que reservem o julgamento ao Supremo Juiz que tudo vê e sem corrupção decide soberana e bondosamente em favor dos seus.
Que a paz de Cristo seja o vínculo que nos une.
Ewerton B. Tokashiki
Rogerio Bernini Junior
Esli Soares
Sim, estamos deixando a Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho. As diferenças existentes com parte do Conselho, quer de opiniões, quer de alvos e métodos para a condução da igreja inviabilizaram a caminhada conjunta, pelo que, com tristeza – mas resolutos – a partir de 1 de dezembro de 2016, nós, rev. Ewerton Tokashiki, rev. Rogério Bernini Jr. e rev. Esli Soares entregamos a direção pastoral dessa amada igreja.
Ao longo dos últimos 4 anos a distância entre as cosmosvisões foi traduzindo-se em distanciamento pessoal. Inúmeras foram as tentativas de clarificar que nossa postura é, nada mais que o pensamento cristão, reflexo bíblico. Bem assim, a forma de apresentar este pensamento para a igreja, a saber a exposição bíblica, a única maneira instruída na Palavra – a qual estamos inegociavelmente presos – não surtiram o efeito desejado na mente e no coração de alguns, pelo contrário, acirraram os ânimos, o que dificultou a tomada de decisões nos mais diversos assuntos. Assim, aquilo que eram rixas ideológicas tornaram-se ataques pessoais, impossibilitando, por fim, o convívio harmonioso do Corpo de Cristo.
Mesmo diante das inequívocas demonstrações de nosso apego a Palavra, aos símbolos de Fé, à doutrina reformada, aos ideais de nossos pais puritanos, às decisões conciliares – muitas vezes contra as nossas próprias paixões – lamentavelmente, muitos optaram por apenas manter amizades, estruturas, praxe e ideias – não poucas vezes – irrefletidamente obtusas e contrárias as Santas Escrituras. De tal forma que, certamente, nossos esforços para dirigir a Primeira Igreja rumo a suprema vocação se dirimiram, não nos restando outra opção além da saída.
Sabemos que tal decisão abala emocionalmente a todos, e gera ansiedade, pela erradamente presumida insegurança, seja em nossos familiares, seja na comunidade eclesiástica com a ausência desses pastores. Entretanto, cremos que Deus, o SENHOR, está na direção de cada passo, e Ele tem o melhor para cada um de nós, pois Ele mesmo é o Senhor da Igreja. Não obstante, é importante ressaltar – seja para acalmar alguns, seja para calar outros – temos nossos planos diante do Senhor: Não estamos deixando nem o ministério pastoral e nem a Igreja Presbiteriana do Brasil. Ewerton pediu a antecipação do fim de seu vínculo pastoral com a igreja local e em 2017 estará em ano sabático, finalizando alguns projetos pessoais, e se preparando para o mestrado, provavelmente fora do país; Rogério Bernini Jr. está à disposição do presbitério e em tratativas para um novo campo já em 2017; Esli Soares foi eleito para os 3 próximos anos como pastor na Igreja Presbiteriana Filadélfia em Boa Vista - RR.
Diante de nossa não permanência, parte da membresia resolveu também buscar outros ares, e fez pedido formal de demissão do rol de membros da Primeira Igreja de Porto Velho, seu futuro só é incerto para nós que temos a visão limitada. Conquanto fieis ao SENHOR e a Sua Santa Palavra, certamente estão sob cuidados do Bom Pastor direcionados à Cidade Santa, caminho excelente, e por eles rogamos a Deus as mais ricas bênçãos.
Solicitamos a todos que evitem a disseminação de boatos, mentiras ou meias-verdades, que os piedosos orem por todos os envolvidos, e que reservem o julgamento ao Supremo Juiz que tudo vê e sem corrupção decide soberana e bondosamente em favor dos seus.
Que a paz de Cristo seja o vínculo que nos une.
Ewerton B. Tokashiki
Rogerio Bernini Junior
Esli Soares
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sábado, 5 de novembro de 2016
Eu, a Família e a Igreja
Em 1998 em um acampamento, o então reitor do SETECEB*, rev. João Batista, disse em uma das suas pregações algo sobre os desafios da vocação pastoral. Creio -- faz muito tempo -- que baseado em Hebreus 12, ele levantou três grandes "inimigos" que SEMPRE nos atrapalham, seja os aspirantes ao sagrado ministério (eu na época), seja no próprio ministério pastoral: o Eu, a Família e a Igreja; na ocasião EU tinha certeza da minha vocação; minha FAMÍLIA (meus pais e irmãs eram -- e ainda são -- pessoas piedosas) e a minha IGREJA (na época ICE BETEL) compreendia bem o meu chamado.
Pois bem, dois anos depois eu comecei a me preparar formalmente para esse projeto de vida -- projeto que ainda desenvolvo, não sem lutas, mas sem dúvidas – e de início descobri que EU não sou capaz, que EU sou inadequado, seja pelas minhas idiossincrasias, pelas minhas incapacidades, ou pelos meus pecados. EU não sou a melhor escolha para esse ministério; havia homens e mulheres¹ muito melhores que eu em tudo o que fazíamos, e olha que o meu curso de teologia não era nada muito avançado! Minha FAMÍLIA, meio (bem pra mais do que pra menos) a contragosto, me apoiou, mas não sem antes tentar me dissuadir -- por isso os dois anos para começar os estudos; a IGREJA, bem essa é a mais interessante (como sempre); é verdade que a ICE Betel me apoiou; pagou parte dos meus custos. A maioria de seus membros sempre me tratou como seminarista e etc. (pelo que sou muito grato), mas por uma série de detalhes teológicos que já não veem ao caso, terminei o curso, e nunca foi conduzido ao estágio** (parte final da preparação ao ministério). Acabei tendo que deixar a denominação e ir para a IPB -- eu já era muito calvinista, não dava mais...
O interessante é que ainda vejo que esses três "inimigos" da minha vocação presentes e atuantes! Ainda luto com as fraquezas do meu EU (Rm 7), minha FAMÍLIA² (agora, esposa e dois filhos) é um peso (1Co 7, 26 a 28) e pesa muito! As demandas e responsabilidades da vida conjugal e da paternidade me comprimem e acabam por determinar algumas ações. Por fim tem a IGREJA, essa que é a noiva de Outro que eu tenho de cuidar como se fosse minha, mas sem esperar nenhum tipo de compensação (eu não me casarei com ela)! E mais, embora essa Noiva (da qual ironicamente eu, pastor, também faço parte) seja sem manchas, sem máculas, sem rugas, é também uma escola para reeducar filhos adotivos que estão mal (e mau) acostumados com as lições do orfanato do Diabo de onde foram resgatado, por isso mesmo alguns desses filhos de Deus ainda são tão diabólicos e se parecem tanto com o falso trigo, o joio semeado, sorrateiramente, pelo INIMIGO, nos campos do SENHOR.
Nunca me enganaram, o ministério pastoral é para homens, não meninos. Eu luto diariamente e esmurro meu corpo para que não seja reprovado naquilo que sempre condeno, por isso termino dizendo, quem almeja o episcopado bom trabalho deseja, mas àquele a quem mais é dado, mais será cobrado, não queiram muitos de vós serem líderes.
---------
* SETECEB - Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil;
** Na verdade o pastor titular de então convidou outro seminarista (com mais afinidades teológicas) que nem era da igreja para o estágio, o que teoricamente atrasou minha formação em 6 meses, e depois em um ano e teria posto fim nesse etapa se eu não tivesse ido embora da ICEB;
¹ O fato de mulheres serem melhor exegeta do que eu, ou ter compreensão teológica apuradíssimas e traquejo pastoral (uma delas era além de mãe de três, pastora leiga em um igreja metodista já alguns anos) não serve de prova para a vocação pastoral feminina.
² Interessante como Deus faz as coisas, a FAMÍLIA que é um fardo dado a mim pelo próprio Deus, é a parte que mais me motiva, como sou grato a minha esposa que enfrenta corajosamente os desafios dessa vocação sempre ao meu lado. Ela jamais reclamou das mudanças, da baixa renda, das muitas horas em reunião, dos dias seguidos de ausências, das noites em claro por preocupação ou preparação
* SETECEB - Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil;
** Na verdade o pastor titular de então convidou outro seminarista (com mais afinidades teológicas) que nem era da igreja para o estágio, o que teoricamente atrasou minha formação em 6 meses, e depois em um ano e teria posto fim nesse etapa se eu não tivesse ido embora da ICEB;
¹ O fato de mulheres serem melhor exegeta do que eu, ou ter compreensão teológica apuradíssimas e traquejo pastoral (uma delas era além de mãe de três, pastora leiga em um igreja metodista já alguns anos) não serve de prova para a vocação pastoral feminina.
² Interessante como Deus faz as coisas, a FAMÍLIA que é um fardo dado a mim pelo próprio Deus, é a parte que mais me motiva, como sou grato a minha esposa que enfrenta corajosamente os desafios dessa vocação sempre ao meu lado. Ela jamais reclamou das mudanças, da baixa renda, das muitas horas em reunião, dos dias seguidos de ausências, das noites em claro por preocupação ou preparação
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sábado, 15 de outubro de 2016
Sobre as Marcas da Verdadeira Igreja
Sobre as Marcas da Verdadeira Igreja
Há 3 marcas da verdadeira Igreja: A fiel exposição da Palavra; A correta administração dos Sacramentos; A Disciplina Eclesiástica!
É relativamente fácil ser um expositor das Escrituras. Por um processo meramente mental, pela aplicação da boa lógica no texto, se retira verdades, é quase mecânico -- não me tenha mal, é claro que o Espírito Santo é quem de fato faz a obra, mas a exposição das Escrituras pode, com certa facilidade, ser falsa; é sobre o que eu falo e não sobre o que eu faço; eu posso ser um hipócrita, e praticar o exato oposto do que afirmo nos sermões! Sim, fui ao absurdo para demostrar o ponto. É simples, o Texto é do Autor, e tem por intenção a comunicação, Ele é pai da Lógica, da compreensão, do entendimento, o que Ele diz é Reto, Certo, Justo e Bom. Meu trabalho como pregador é mais de desentulhar as mentes para que a Água Viva corra do que de alguma maneira purificar as torrentes das Águas.
A correta administração dos Sacramentos, começa pela compreensão de quantos e quais são esses sacramentos (diminui-los para ordenanças¹ num sentido menos glorioso, e ignorar que são também meio de graça, pois comunicam tanto aos participantes diretos, quanto aos que estão meramente presentes o Evangelho, é um erro terrível cometido frequentemente, que certamente desabona as igrejas hodiernas), e vai até a correta entrega ou prática -- o suporte teológico de cada detalhe da celebração -- bem como a recepção e lembrança piedosa deles, e no continuo e frequente ensino sobre o tema.
Esta correta administração, em certo sentido, também é fácil de fazer, tanto porque é pregação (exposição da Palavra também de outra forma), quanto é um ato público, celebrativo, belo e bom -- longe de ignorar a veracidade da pregação do martírio do Senhor, volto a dizer, não estou minimizando tais marcas. Afirmo apenas que também é algo, digamos, mais extrínseco; conseguiria faze-la sem o zelo correto, sem a devoção necessária, sem a piedade óbvia e talvez ninguém perceba nada; há aí também QUASE um "ex opere operato"².
Já a Disciplina Eclesiástica parece mesmo o inverso. Confesso, é certo que em muitas comunidades locais tal marca da verdadeira Igreja é abusivamente usada, ao ponto que essa marca se torne cicatriz, ferida aberta! Em vez de trazer ao arrependimento, torna ainda mais duro e odiosos o coração do faltosos – muitas vezes injustamente denunciado. Não por isso, entretanto, há que se ir pelo exato oposto; não aplicar disciplina é tanto desobedecer a Deus como negar sua Maravilhosa Graça a povo santo, porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe (Hb 12:6).
Então diferentemente das outras duas marcas que confessadamente afirmei certa facilidade em ‘demonstrar’, pois estas QUASE se operam sozinhas, a Disciplina Eclesiastica é necessariamente administrada pela Igreja. E isso não é algo fácil, não se formos verdadeira Igreja ao manifestar tal marca. Seja pelo caráter do Pai que estimula a santidade pelo açoite, seja pela perpetração da pena em nós por nós. E parece mesmo que é isso que Ele quer. Pois antes de imaginarmos que a justeza do ato trás a Justiça de fato, há aí tipificado um dom do Alto:
Poderia ilustrar o ponto defendido (não é meu expediente comum, mas serve bem ao caso) com um pitoresco e bom exemplo próprio:
Certa vez meu pai ao me corrigir mandou que eu mesmo fosse buscar uma vara na árvore de amoras na casa do vizinho, suas orientações específicas foram para que eu escolhesse a melhor vara, para que com ela ele me disciplinasse, sob pena da castigo ainda maior... de fato o ensino, a admoestação, a reflexão, o arrependimento e o conforto (lógico, posterior!) ocorreram enquanto ia buscar o instrumento da minha (justa) tortura, martírio físico – que nem mesmo ocorreu!
A verdade é que cada golpe que a Igreja é chamada a administrar sobre os fieis, corta também o lombo daqueles que são instrumento dessa apenação (penalização). E como aquele menino que caminhava para escolher a vara que seria usada para corrigi-lo, que a cada passo em direção da árvore (que também produz frutos que sangram – que ilustração da Graça!) vai se tornando um homem, volta feliz para o castigo físico, já curado e fortalecido pela repreenda, assim também a Igreja, a noiva de Cristo, e tornada santa, perfeita e sem mácula, não pela dor da corrigenda de um de seus membros, nem mesmo pelo golpe dado em si mesma, mas por se lembrar, no ato da disciplina, disciplina aplicada em si por si mesma, que Alguém suportou o Castigo que nos trás a Paz, e ele fez isso voluntariamente.
Não não é fácil disciplinar alguém, não é bom golpear o outro, pois cada vergão que sobe, sobe em meus lombos, e mais que isso, tal sinal é espelhamento do Martírio de Cristo.
¹ Não falo de semântica, sacramentos são obviamente ordenanças do Senhor, mas não são só mandamentos como também são os 10 de Ex 20, os sacramentos além de terem sido dados pelo próprio Cristo e serem a mudança de regime (o que aponta perfeitamente para a Graça em Cristo), Lei e Evangelho, Sacrifícios sangrentos para Sacrifícios vivos, são comunicação aos 5 sentidos de quem é e o que fez o Salvador pelo seu povo.
² "Opera pela operação", diz-se, na teologia, daquilo que tem poder em si mesmo, opera (eficiência) pela mera operação (prática, realização) independente da fé do ministro e/ou ministrado; no sentido afirmado nesse artigo, digo que tanto a pregação quanto a ceia e o batismo tem em si certo poder (eficiência), pois são a Palavra exposta em cada um desses Sacramentos, ela sempre faz (opera) aquilo que por Ele foi determinado (Is 55;11), nem sempre entretanto, os Sacramentos serão meios de graça, pois àqueles que participam sem entendimento segue-se juízo (Mt 7, 24 a 27 e I Co 11;27 a 30).
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Quem é neo-puritano aqui?
Esse texto começou como uma simples resposta a uma “acusação” recente de neo-puritanismo. Ocorre, como sempre, que as letras voaram e a curta resposta se tornou esse artigo. Segue então, na flutuação das ideias apresentadas, o que penso de ser chamado puritano ou neo-puritano.
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O prefixo “neo”, do grego “νεος, νεα, νεον”, é um elemento de composição, significa novo. Aparece em termos como neologismo: palavras novas ou novas acepções e usos de uma palavra consagrada; artifício importantíssimo na língua portuguesa, com ela adaptamos (aportuguesamos) e assimilamos termos estrangeiros e de áreas diversas propondo novos usos. Outros exemplos comuns, são o neoclássico[1], neoliberal[2], neodarwinismo[3].
Usualmente se adiciona "neo" para afirmar certas continuidades e algumas inovações a um conceito, sem que seja essencialmente outro conceito. Na teologia temos esse uso, por exemplo:
O prefixo “neo”, do grego “νεος, νεα, νεον”, é um elemento de composição, significa novo. Aparece em termos como neologismo: palavras novas ou novas acepções e usos de uma palavra consagrada; artifício importantíssimo na língua portuguesa, com ela adaptamos (aportuguesamos) e assimilamos termos estrangeiros e de áreas diversas propondo novos usos. Outros exemplos comuns, são o neoclássico[1], neoliberal[2], neodarwinismo[3].
Usualmente se adiciona "neo" para afirmar certas continuidades e algumas inovações a um conceito, sem que seja essencialmente outro conceito. Na teologia temos esse uso, por exemplo:
Pentecostal e neopentecostal: há distinções e progressos de um para outro, mas há muitas similaridades entre os dois conceitos, as vezes é até difícil classificar uma igreja (ou doutrina) como pentecostal ou neopentecostal;
Calvinismo e neocalvinismo: não confundir com novocalvinismo (newcalvinism) – movimento mais ligado ao fenômeno midiático do M. Driscoll[4] – Neocalvinismo “é o nome comumente usado para se referir ao movimento originado na Holanda, nos séculos 19 e 20, sob a liderança de Abraham Kuyper, cuja proposta básica era aplicar os princípios do calvinismo ao relacionamento do cristão e da igreja com a sociedade e a cultura de sua época”[5].
Ortodoxia e neortodoxia: esse último, movimento teológico que floresceu na Europa (particularmente na Alemanha) da década de 1920 (caso interessante, talvez haja mais distinções que similaridades com o conceito de que deriva); o termo tenta ser de algum modo ‘bondoso’ com aqueles que abandonaram o fracassado liberalismo teológico e caminharam em direção da fé bíblica. Certamente o mais famoso expoente da neortodoxia é Karl Barth.
Dito isso, o que seria o Neo-Puritanismo?
Obviamente devemos caracterizar primeiro, PURITANISMO: Puritanismo foi um movimento de renovação espiritual na Inglaterra no século XVII, de confissão calvinista, que rejeitava tanto a Igreja Romana como o ritualismo e organização episcopal na Igreja Anglicana. Abrangente, repensou todos os aspectos da vida, inclusive a política, coisas que rendeu perseguições, forçando, por exemplo, John Winthrop (1588 a 1649; advogado e colonizador inglês) a levar o primeiro grande grupo de puritanos até a baía de Massachusetts (Estados Unidos, então colônia britânica).
Toda essa situação chega ao seu ápice quando o Rei Carlos I, tentou impor o anglicanismo aos puritanos ingleses e aos presbiterianos escoceses, inclusive com ameaça de cadeias. Carlos I tenta com a eleição de um parlamento mais favorável a si, vencer a demanda, mas os ingleses elegeram um parlamento puritano, que foi prontamente dissolvido; com nova eleição, os puritanos tornaram-se ainda mais expressivos nas casas parlamentares; a persistência do rei em manter a obrigação da uniformidade anglicana, leva-o a uma guerra civil, que perdida resulta em sua condenação, por traição, à pena de morte, cumprida em 1649.
Passando ao largo de outros detalhes históricos, é nesse contexto da revolução puritana que acontece a Assembleia de Westminster; concílio convocado pelo parlamento, entre 1643 e 1649, para reestruturar a Igreja da Inglaterra. Constituída por cerca de 120 dos mais capazes teólogos da Inglaterra, 20 membros da Casa dos Comuns e 10 membros da Casa dos Lordes; todos os teólogos eram ministros da Igreja da Inglaterra e quase todos eram calvinistas. Houve participações de correspondentes escoceses. Produzindo, entre outros documentos, o Catecismo Maior, o Breve Catecismo e a Confissão de Fé de Westminster (nossos – IPB – símbolos de fé), que foi adotada como a confissão de fé distintamente presbiteriana.
Esta assembleia se caracterizou tanto pela erudição teológica, quanto pela profunda espiritualidade. Algo notável foi registrado pelo Rev. Robert Baillie[6]: “(...)num dia desses de jejum e culto houve quem orasse duas horas, sermões de uma hora entrecortados por orações de uma hora, por cântico de salmos ou orações de quase duas horas.”
Tudo isso serve para demonstrar quem de fato eram os puritanos. Parte da sociedade inglesa do sec. XVII e XVIII – sinceros e profundos conhecedores da fé cristã, bíblicos, interdenominacional (haviam batistas e congregacionais com essa mesma inclinação confessional), anti-romanistas, indiscutivelmente fieis e abnegados, dispostos até morrer pelo que acreditavam ser a correta interpretação da Palavra de Deus.
E neo-puritano?
Seguindo a lógica, neo-puritano seria quem mantém grande parte do pensamento teológico distintivo dos puritanos? Quem busca a piedade em todas as áreas da sua vida, marca daquela geração? Quem tenta viver a fé puritana mesmo que com algumas alterações? ...até quem estando errado em suas concepções anteriores, ao reconhecer suas falhas, caminha em direção ao certo (nesse caso tendo o paradigma inquestionável desses grandes homens de Deus) bem poderia ser chamado de neo-puritano?
De qualquer modo que avaliarmos, todo o membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, que seja coerente em sua devoção e piedade, sincero e submisso à Palavra, que busca viver de acordo com a declaração teológica sistêmica institucionalmente reconhecida (confissão de fé pública); aquele, em especial os oficiais (presbíteros e diáconos), que juraram em sua ordenação defenderem os símbolos de fé[7] – documentos puritanos! – devem (ou deveriam) ser identificado como neo-puritano e até se orgulhar disso!
E mais, visto que todos os presbiterianos de verdade são, de algum modo, neo (novos, atuais, agora) puritanos – razões expostas acima – interna corpore, o termo é vazio de outro significado; não passa de um sinônimo de puritano do novo mundo[8], um tanto desmedido – confesso – afinal nem há grandes mudanças teológicas assim entre o presbiterianismo do séc. XVII e o professado oficialmente na IPB, para tornar-se uma vertente doutrinária notável.
No final a pergunta que deve ser feita não é quem são os neo-puritanos ou o que eles pensam. O questionamento sincero – e aqui falando especialmente como pastor presbiteriano aos membros da IPB – é: realmente você é um presbiteriano? Em outras palavras: você conhece, e por isso subscreve, os símbolos da fé presbiteriana?
Se não, conheça-os aqui, gratuitamente: http://www.ipb.org.br/recursos
Se sim, parabéns, há provas suficientes que você é um NEO-PURITANO!
Das trincheiras
Das trincheiras
Esli Soares
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[1] Diz-se do movimento artístico inspirado nos ideais e modelos do Classicismo greco-romano, e também Renascistas, tendências mais clássicas do Barroco francês.
[2] Doutrina econômica voltada para a adaptação dos princípios do liberalismo clássico às exigências do Estado atual. Tem variantes significativas, desimportante para o artigo.
[3] Complementação da teoria de Darwin, reconhece como principais fatores evolutivos a mutação, a recombinação gênica e a seleção natural. E a fórmula vigente do que pode ser chamado evolucionismo.
[4] Há outros nomes, como John Piper, Albert Mohaler, Matt Chandler, Mark Dever, C. J. Mahaney, Joshua Harris, homens de Deus que têm contribuído muito com a fé cristã.
[5] Lima, Leandro A. de. O futuro do calvinismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 71-72 (citado).
[6] Kerr, Guilherme, A Assembléia de Westminster, E. F. BEDA – EDITOR, São Paulo, SP, Brasil 1984.
[7] Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior e Breve Catecismo.
[8] Referência ao continente americano.
Para saber mais sobre os puritano e a CFW, acesse: http://www.mackenzie.br/7121.html
[2] Doutrina econômica voltada para a adaptação dos princípios do liberalismo clássico às exigências do Estado atual. Tem variantes significativas, desimportante para o artigo.
[3] Complementação da teoria de Darwin, reconhece como principais fatores evolutivos a mutação, a recombinação gênica e a seleção natural. E a fórmula vigente do que pode ser chamado evolucionismo.
[4] Há outros nomes, como John Piper, Albert Mohaler, Matt Chandler, Mark Dever, C. J. Mahaney, Joshua Harris, homens de Deus que têm contribuído muito com a fé cristã.
[5] Lima, Leandro A. de. O futuro do calvinismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 71-72 (citado).
[6] Kerr, Guilherme, A Assembléia de Westminster, E. F. BEDA – EDITOR, São Paulo, SP, Brasil 1984.
[7] Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior e Breve Catecismo.
[8] Referência ao continente americano.
Para saber mais sobre os puritano e a CFW, acesse: http://www.mackenzie.br/7121.html
Para saber mais sobre a Igreja Presbiteriana do Brasil, acesse: http://www.ipb.org.br/
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